(pt) Brazil, São Paulo, Rizoma - tendência libertária autônoma (en)

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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2013 - 15:09:55 CET


Por que tendência libertária e autônoma? ---- Antes de apresentar o resultado de nossos 
debates sobre o que é o Rizoma, achamos importante destacar algumas ressalvas: não temos a 
intenção de apresentar definições imutáveis e não queremos nos apegar a conceitos rígidos. 
Apesar de entendermos que não são as definições que engessam os coletivos, defendemos que 
os conceitos e as definições devem sair de nossas práticas coletivas, e servir para o 
fortalecimento destas, possibilitando a construção de discursos que expressem reflexões e 
legitimações acerca da nossa ação. Isto é, entendemos que as definições aqui apresentadas 
são somente uma única foto de um longo filme. Queremos construir um coletivo dinâmico, em 
permanente construção, que mantêm uma autocrítica e se renova constantemente: o Rizoma não 
é, está sendo.

Exatamente por intencionarmos que o nosso grupo seja fluído e aberto a mudanças, 
escolhermos o conceito de tendência para nos definir. Tendência porque queremos que as 
ações e as reflexões de nosso grupo tendam a um horizonte político, no caso, ao horizonte 
da vertente libertária. Tendência porque o que nos une são alguns acordos metodológicos e 
programáticos – alguns consensos sobre os fins que queremos, e sobre os devidos meios. 
Tendência porque entendemos que através de nossa atuação na microrealidade universitária, 
podemos contribuir de maneira rizomática em lutas mais amplas. Tendência porque entendemos 
também que é necessário termos compromisso e respeito coletivo nesta caminhada afim de que 
ela se dê da melhor maneira possível – somos contra a disciplina como meio de domesticar 
os corpos, mas defendemos sim a importância do compromisso, do “procedê”, de se cumprir as 
tarefas com as quais nos comprometemos individualmente e coletivamente. Todavia, 
gostaríamos muito de frisar que visamos a leveza, de maneira alguma entendemos que o 
Rizoma deva funcionar como um partido tampouco como uma seita – não queremos um grupo 
uniforme nem uniformizado! O Rizoma que viemos nos esforçando para construir nestes seis 
iniciais meses não é um coletivo restrito a pessoas de uma determinada posição ideológica 
ou filosófica; o Rizoma que queremos é tão somente um grupo de estudantes que participam 
do movimento estudantil e compartilham alguns objetivos e alguns métodos de luta. Queremos 
sim influenciar o movimento fortalecendo algumas práticas e aspectos específicos deste, 
todavia, não queremos impor nossas posições e cooptar pessoas tanto quanto não queremos 
somente aceitar ou negar posições de outros. Não queremos ser nem a vanguarda, tampouco a 
retaguarda do movimento. Queremos propor, criticar e construir coletivamente; ombro a ombro.

Ao dizermos que o Rizoma não é restrito a uma determinada corrente político-ideológica não 
queremos de maneira alguma negar que temos sim proximidade com algumas correntes, como por 
exemplo, com diferentes linhas do anarquismo, com o situacionismo, com o autonomismo, com 
o zapatismo, com algumas linhas heterodoxas do marxismo (autonomistas, conselhistas, 
lefebvrianos…). Queremos sim deixar claro que o Rizoma é uma tendencia, não um partido; 
que é um determinado setor do movimento, não um grupo político. Sendo assim, achamos sim 
ser necessário termos alguns objetivos de longo prazo, alguns horizontes convergentes, 
entretanto, sem deixar que estes acordos engessem o grupo. É aí que entra a segunda parte 
da definição do Rizoma: por que libertária e autônoma?

Libertárixs porque somos contra todas as formas de opressão, sejam elas econômicas, 
políticas, ideológicas etc. Somos contra a dominação Estatal (antiestatistas), somos 
contra a exploração capitalista (anticapitalistas), somos contra as opressões étnicas, de 
gênero e de orientação sexual e somos contra as instituições e ideologias disciplinares, 
que nos tornam servos doceis. Somos libertárixs porque entendemos que somente através da 
ação direta, somente com xs próprixs oprimidxs realizando as suas lutas sem depender nem 
contar com representantes, é possível conquistarmos avanços rumo a uma sociedade sem 
dominação. Somos libertárixs porque entendemos que devemos começar a construir agora, 
através de nossas lutas, a sociedade em que queremos viver amanhã – e por isto, defendemos 
a autogestão e a democracia direta como formas organizativas. Somos libertárxs porque 
entendemos que a minha liberdade individual é estendida ao infinito quando se encontra com 
a do outro, isto é, porque entendemos que a liberdade individual tem que ser complementar 
a liberdade coletiva. Somos libertárixs porque reivindicamos a liberdade social, não a 
liberdade egoísta do senso comum liberal. E somos libertárixs também porque entendemos que 
somente com uma ampla aliança entre os movimentos sociais dos diferentes setores populares 
é possível a transformação que tanto desejamos.

E por sermos libertárixs, não queremos aparelhar lutas nem coptar militantes. E por semos 
libertárixs, nos identificamos com as diferentes lutas populares históricas e 
contemporâneas contra esta sociedade de dominação. E por sermos libertárixs, entendemos 
que deve haver sim coerência entre o discurso e a prática, e estamos aqui pra agir, não 
pra fazer discursos vazios – a ação e a nossa maneira de agir é parte intrínseca e 
inseparável do que somos. E por sermos libertárixs, não apresentaremos nunca uma proposta 
pronta, fechada e imutável; entendemos que o caminho se faz caminhando, que a construção é 
constante e permanente. E por sermos libertárixs, não lemos a realidade como um mero 
resultado das relações econômicas, mas sim como resultado de complexas relações de poder 
das diferentes esferas da realidade social. E por sermos libertárixs, quando olhamos ao 
nosso redor e vemos tanta repressão, inexoravelmente, levantaremos as mangas de nossa 
camisa, e iremos corajosamente a luta – até destruirmos tudo o que nos oprime! Até 
construirmos uma sociedade igualitária e livre!

E por sermos libertárixs, somos também autônomos. Autônomos porque defendemos que os 
próprios movimentos devem definir seus destinos – os caminhos devem ser decididos por 
todxs do movimento e no movimento, não em gabinetes de partidos, empresas, governos, ou de 
qualquer outro tipo de organização e de instituição . Autônomos porque queremos ressaltar 
a importância da questão territorial nas lutas contestativas.

Por isto tudo, resolvemos nos empenhar neste projeto coletivo, e estaremos sempre abertos 
a todxs que quiserem ajudar na construção desta alternativa para o movimento estudantil.

  Lutar por uma outra universidade para construir uma outra sociedade!
Rizoma, julho 2012


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