(pt) Portugal, Acção Directa* #1 - p6 - Paideia: uma escola libertária de referência + Algumas notas sobre a pedagogia libertária (en)

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Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2013 - 16:24:54 CET


Paideia: uma escola libertária de referência ---- A escola infantil Paideia começou a 
funcionar em Mérida em 1978. É uma escola de referência da pedagogia libertária a dois 
passos do Alentejo. Inspira-se nas ideias do pedagogo anarquista Francisco Ferrer y 
Guardia fuzilado em Montjuich (Barcelona), em 1909, tendo havido violentos e massivos 
protestos em Portugal pela sua execução. ---- Hoje as suas ideias permanecem vivas e 
actuais. Francisco Ferrer defendia que a educação deve permitir a que cada um de nós possa 
“aspirar a viver vidas múltiplas numa só vida“. Agostinho da Silva, enquanto livre 
pensador, partia também de pressupostos muito idênticos. ---- A escola livre Paideia 
funciona de forma autogerida, isto é, não segue os costumes ou métodos da educação 
oficial, seja estatal ou privada, tanto ao nível das crianças como relativamente ao 
coletivo constituído pelos adultos.

Este coletivo é composto por pessoas que
realizam o seu trabalho na escola a tempo
inteiro e por outras pessoas que tem outros
empregos fora da escola e que se incorporam
na dinâmica da escola,em horário póslaboral.
  Esses são geralmente a maioria dos
membros dadas as condições actuais.
As pessoas que possuem outro trabalho,
além de colaborarem com a dinâmica educativa,
ajudam economicamente a escola, uma vez que a
sua situação é frequentemente deficitária.
A responsabilidade é dividida em todos os
aspectos; as decisões são coletivas e tomadas
em assembleias, cada pessoa dá segundo
suas possibilidades e recebe conforme suas
necessidades.

Como a contribuição dos pais e mães é a
menor possível e deve cobrir áreas como
o Transporte escolar, pequeno almoço, almoço,
lanche, material escolar, obras e desgastes
do espaço físico, a remuneração das pessoas
que trabalham na escola, é feita da seguinte
maneira:

Todos os gastos são pagos e o que sobra é
dividido entra as cinco pessoas que trabalham
na escola em tempo integral. Levando
em linha de conta que a remuneração das
pessoas da cooperativa se reflecte nos seus
gastos fixos mensais e outros extraordinários,
o dinheiro necessário tem a ver com
situação e as necessidades que a escola tem
em cada momento, e depende muito do
número de alunos que a frequentam. Atualmente
existem 31 pessoas nos níveis
primário e secundário e 15 na educação
infantil.

Além destas formas de captação de recurso
existem outras: algum  s pais/mães nos
entregam uma quota de solidariedade, maior
que a estipulada. Não que seja muito,
mas ajudam, principalmente, quando existem
outras pessoas com dificuldades económicas
pontuais ou permanentes. Porque ninguém
deixa de ir a escola por questões
económicas, já que o Coletivo sempre
assume estas situações quando acontecem.
Alguns coletivos libertários, certas
individualidades libertárias ou anarquistas,
ajudamnos com alimentos, materiais ou algum dinheiro
que aliviam um pouco nosso constante déficit.
Outro coletivo, adjunto a escola, é o das
Mulheres pela Anarquia, composto por todas
as mulheres do Coletivo Paideia e algumas
outras muito próximas de nós.

Este coletivo publica periódicamente uma
revista "Igualancia" e um panfleto
de denúncia "La ortiga libertária".

http://www.paideiaescuelalibre.org/

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Algumas notas sobre a pedagogia libertária

A pedagogia libertária espera que a
escola exerça uma transformação na
personalidade dos alunos, num sentido
libertário e autogestionário (a escola
institui, com base na participação dos
grupos, mecanismos instituicionais de
mudança, através de assembleias,
conselhos, eleições, reuniões e
associações).

Pedagogia Libertária e as Matérias
Escolares

As matérias são colocadas à disposição
do aluno, mas não são exigidas.
São um instrumento a mais, porque
o que realmente é importante para a
pedagogia libertária é o conhecimento
que resulta das experiências vividas
pelo grupo. O método de ensino,
portanto, dá-se na vivência grupal, é
na forma de autogestão que os alunos
buscarão encontrar as bases mais sa
tisfatórias de sua própria aprendizagem,
sem qualquer forma de poder.
Trata-se de colocar nas mãos do aluno
tudo o que for possível. Os alunos têm
liberdade de trabalhar ou não, ficando
o interesse pedagógico na dependência
das suas necessidades ou das do
grupo.

Pedagogia Libertária e o Papel do
Professor e do Grupo

A pedagogia libertária considera desde
o início a ineficácia e a nocividade
de todos os métodos à base de obrigações
e ameaças. Nesse sentido, o professor
deve pôr-se ao serviço do aluno
sem impor as suas concepções e ideias,
sem fazer do aluno um “objecto”, e
deve-se misturar no grupo para uma
reflexão em comum.

Toda essa liberdade de decisão tem
um sentido bem claro. Se um aluno
resolve não participar, fá-lo porque
não se sente integrado, mas o
grupo tem responsabilidade sobre esse
facto e tem que colocar a questão
em discussão.

Pedagogia Libertária e a Avaliação

O critério de relevância do saber é o
seu possível uso prático. Por isso mesmo
não faz sentido qualquer tentativa
de avaliação da aprendizagem e ainda
menos em termos de conteúdos.


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