(pt) Portugal, Acção Directa #1 - Há toda a diferença entre o anarcosindicalismo e o sindicalismo reformista (en)

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Sábado, 12 de Janeiro de 2013 - 18:58:46 CET


Nos sindicatos anarcosindicalistas não há funcionários pagos e todas as decisões são 
tomadas em Assembleias de base. Em vez do sistema representativo utilizam-se os métodos da 
democracia e da acção directa. ---- A apenas alguns dias da greve geral ibérica (a que se 
juntou também uma das confederações sindicais italianas) é preciso salientar a diferença 
entre a organização sindical em Portugal e no Estado Espanhol. Em Portugal, por pressão do 
PCP e de sectores ligados à CGTP, logo a seguir ao 25 de Abril foi proibida a existência 
de outras centrais sindicais, por força da chamada “lei da unicidade sindical”. ---- A 
própria UGT, criada por sindicalistas do PS e do PSD, tardou em aparecer – porque a 
existência de mais do que uma central sindical era ilegal. A lei foi alterada, mas o mal 
estava feito e o sindicalismo desacreditado e servindo de mera correia de transmissão dos 
partidos políticos.

Em Espanha deu-se exactamente o contrário.
O sindicalismo, que tinha sido
uma das forças motoras da Revolução de
1936, com a CNT e a UGT, persistiu na
clandestinidade e reforçou-se com o
aparecimento das Comissiones Obreras,
surgidas nas Astúrias após as greves
mineiras dos anos 60. As CCOO foram
inicialmente controladas pelo PCE, mas
com a perda de influência deste partido
transformaram-se numa central sindical
heterogenea, cujas movimentações vão
quase sempre a par e passo com as da
UGT, ainda muito ligada ao PSOE. Este
é o chamado “sindicalismo oficial”, mas
para além dele existem várias centrais
sindicais por todo o Estado Espanhol,
sejam de âmbito estatal ou de âmbito
regional.

No campo anarcosindicalista existem três
centrais, cada uma delas com a sua
especificidade. ACNT, a CGT, e a
Solidaridad Obrera.

Em Espanha, a lei que rege os comités de
empresa assenta numa espécie de
parlamentarismo com eleição, nas empresas,
dos representantes dos sindicatos, em
listas próprias, um pouco como os deputados
são eleitos para os vários parlamentos
em listas partidárias.

A CNT, na altura, contestou este procedimento,
dizendo que ele levava o parlamentarismo
burguês para o mundo do
trabalho e recusou-se a participar. Esta
decisão motivou em 1979 uma cisão
naCNT e alguns milhares de militantes
abandonaram a central sindical para
formarem a CGT, que se transformou na
terceira central sindical do país (depois
das CCOO e da UGT,e que apresentou
em conjunto com estas o pré-aviso para a
greve de 14 de Novembro), com mais de
50 mil militantes e centenas de representantes
sindicais por todo o país.

A Solidaridad Obrera, foi fundada em
1990, e é uma pequena central sindical,
reunindo alguns sindicatos, sediada
sobretudo na Catalunha, em Alicante e na
região de Madrid, com influência nalguns
sectores como os transportes.
No campo do sindicalismo revolucionário
merece ainda destaque o Sindicato
Andaluz de Trabalhadores (SAT), que
reúne trabalhadores de diversas correntes,
mas que utiliza métodos e práticas
anarcosindicalistas, como a prática
assemblearia, a acção directa, etc.,
confluindo muitas vezes em acções com a
CNT, a CGT e a SO. Esta influência é
mais visível ainda no seu sindicato
agrícola – o SOC (Sindicato dos Operários
do Campo) – onde as referências e a
militância anarcosindicalista são muito
fortes.

São estes sindicatos que, na sua diversidade,
fazem com que o movimento sindical seja
forte e expressivo do outro lado
da fronteira, enquanto que em Portugal o
reformismo das práticas sindicais – com
centenas de funcionários e burocratas
sindicais a viverem dos descontos dos
trabalhadores – e a falta de alternativas
ao bipolarismo sindical têm levado à
perda de influência do movimento sindical
e ao seu mero papel de instrumento
das estratégias partidárias – sejam elas do
PCP (CGTP), ou do PS/PSD (UGT).

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No 1 Novembro 2012
Boletim Informativo do Colectivo Libertário de Évora


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