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Terça-Feira, 26 de Fevereiro de 2013 - 13:51:24 CET


Por muitos anos temos provido servidores e infraestrutura de comunicação para a esquerda. 
Temos feito o nosso melhor para manter servidores seguros e temos resistido por vários 
meios a requisições a dados de usuário/a feitas por autoridades. ---- Em resumo: tentamos 
oferecer uma forma de comunicação libertadora dentro da internet capitalista. ---- Sempre 
vimos a internet como um recurso para nossas lutas, e ao mesmo tempo a reconhecemos como 
um terreno político controverso, e agimos em consonância com isto. Pensávamos que a maior 
parte da esquerda a enxerga da mesma maneira. Mas uma vez que mais e mais pessoas na 
esquerda tem "usado" o Facebook (ou o Facebook as tem usado), não temos mais certeza sobre 
isso. Ao contrário, nosso trabalho político tem sido insuficiente e exaustivo. A 
comunicação criptografada com servidores autônomos não é tida como libertadora, mas como 
irritante.

Disneylândia

A penas não havíamos percebido que, depois de toda a tensão nas ruas e todas aquelas 
longas discussões grupais, muitos ativistas parecem ter o desejo de falar bastante no 
Facebook sobre tudo e todos. Não havíamos percebido que, mesmo na esquerda, o Facebook é a 
mais doce das tentações. Que a esquerda, como todo mundo, gosta de seguir a suave 
correnteza da exploração aonde ela não parece fazer mal nenhum e, mesmo só por uma vez, 
não precisar resistir. Muitas pessoas sofrem de má consciência. Embora isto possa levá-las 
a antever as consequências fatais do Facebook, isso não parece ter sido transformado em ação.

É realmente ignorância?

Só para dar um breve resumo do problema; ao usar o Facebook, ativistas não apenas fazem 
sua própria comunicação, sua opinião, seus "curtir", etc. transparentes e disponíveis para 
processamento. Ao invés disso -- e consideramos ainda mais importante -- eles/as expõem 
estruturas e indivíduos que tem pouco ou nada a ver com o Facebook. A capacidade do 
Facebook de investigar a rede atrás de relações, semelhanças, etc. é difícil de ser 
entendida por pessoas leigas. O falatório no Facebook reproduz estruturas políticas para 
autoridades e empresas. Este falatório pode ser pesquisado, organizado e agregado não 
apenas para obter declarações precisas sobre relações sociais, pessoas-chave, etc, mas 
também para realizar previsões, das quais se pode deduzir regularidades. Depois dos 
celulares, o Facebook é a mais sutil, barata e melhor tecnologia de vigilância disponível.

Usuários do Facebook como informantes não-intencionais?

Sempre pensamos que a esquerda queria outra coisa: continuar nossas lutas na internet e 
usá-la para nossas lutas políticas. É disso que se trata para nós -- mesmo hoje. É por 
isso que vemos usuários/as de Facebook como um perigo real para nossas lutas. Em 
particular, ativistas que publicam informaçõe s importantes no Facebook (muitas vezes não 
sabendo o que estão fazendo), que são cada vez mais utilizadas por órgãos de segurança 
pública. Poderíamos quase ir tão longe ao ponto de acusar esses/as ativistas de 
colaboracionismo, mas ainda não chegamos a este ponto. Ainda temos esperança que as 
pessoas percebam que o Facebook é um inimigo político e que aqueles/as que o usam fazem-no 
mais e mais poderoso. Usuários/as ativistas do Facebook alimentam a máquina, e assim 
revelam nossas estruturas -- sem qualquer necessidade, sem qualquer mandado judicial, sem 
qualquer pressão.

Nosso Ponto de Vista

Estamos cientes que falamos "de cima". Para nós, que trabalhamos por anos -- e muitas 
vezes ganhamos a vida -- com a rede e com computadores, administração de sistemas, 
programação, criptografia e muito mais, o Facebook surge quase como um inimigo natural. E 
desde que também nos consideramos como parte da esquerda, isto soma-se com a anális e da 
economia política do Facebook, onde "usuários/as" são transformados em produto a ser 
vendido e tornam-se consumidores ao mesmo. O jargão para isso é "geração de demanda". 
Percebemos que não é todo mundo que lida com a internet de forma tão entusiasmática como 
nós. Mas que ativistas permitam que este Cavalo de Tróia chamado Facebook seja parte das 
suas vidas cotidianas, é um sinal e ignorância num nível crítico.

Digam a todos/as: fechem suas contas no Facebook! Você está colocando outras pessoas em 
perigo! Aja contra esse monstro de dados!

Lute contra o capitalismo! Também -- e especialmente -- na internet! Contra a exploração e 
a opressão! Também -- e especialmente -- na internet!

Encha o saco de seus/suas camaradas. Mostre-lhes que ao alimentar o Facebook eles/as estão 
escolhendo o lado errado!

Replicado do CMI - Centro de Midia Independente
Email:: contato  midiaindependente.org
URL:: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/11/514157.shtml


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