(pt) Portugal, Acção Directa #3 - A Importância da Organização - Errico Malatesta

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Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2013 - 16:00:53 CET


Nós já o dissémos: sem organização, livre ou imposta, não pode existir sociedade; sem 
organização consciente e desejada, não pode haver nem liberdade, nem garantia de que os 
interesses daqueles que vivem em sociedade sejam respeitados. E quem não se organiza, quem 
não procura a cooperação dos outros e não oferece a sua, em condições de reciprocidade e 
de solidariedade, põe-se necessariamente em estado de inferioridade e permanece uma peça 
inconsciente no mecanismo social que outros accionam a seu modo e em sua vantagem. ---- Os 
trabalhadores são explorados e oprimidos porque, estando desorganizados relativamente a 
tudo que tem a ver com a defesa dos seus interesses, são coagidos, pela fome ou pela 
violência brutal, a fazer o que os dominadores, em proveito dos quais a sociedade actual 
está organizada, querem.

Os trabalhadores oferecem-se, eles
próprios (enquanto soldado e instru-
mento do capital), à força que os
subjuga. Nunca se poderão emanci-
par enquanto não tiverem encontrado na
união a força moral, a força económica e a
força física que são necessárias para der-
rubar a força organizada dos opressores.
(...)

Para se fazer propaganda é preciso estar
no meio das pessoas. É nas associações
operárias que o trabalhador encontra os
seus camaradas e, em princípio, aqueles
que estão mais dispostos a compreender e
a aceitar as nossas ideias. E mesmo que se
quisesse fazer uma propaganda intensa
fora das associações, isso poderia não ter
qualquer efeito visível sobre a massa ope-
rária. Exceptuando um pequeno número de
indivíduos mais instruídos e capazes de
reflexões abstractas e de entusiasmos teó-
ricos, o operário , muitas vezes, não chega
de uma só vez à anarquia. Para se tornar
anarquista de modo sério, e não somente
de nome, é preciso que comece a sentir a
solidariedade que o une aos seus camara-
das, é preciso que aprenda a cooperar com
os outros na defesa dos interesses comuns
e que, lutando contra os patrões e capita-
listas perceba que são parasitas inúteis e
que os trabalhadores poderiam assumir a
administração social. Quando compreen-
der isso, o trabalhador é anarquista, mes-
mo que não utilize a designação
Por outro lado, favorecer as organizações
populares de todos os tipos é a consequên-
cia lógica das nossas ideias fundamentais
e, assim, deveria fazer parte integrante do
nosso programa.

Qualquer partido autoritário, que vise con-
trolar o povo para impor as suas ideias,
tem interesse em que o povo permaneça
como uma massa amorfa, incapaz de agir
por si mesma e, consequentemente, sempre
fácil de dominar. É lógico, portanto, que só
deseje um certo nível de organização, que
o ajude na tomada do poder: organização
eleitoral se espera atingir os seus objecti-
vos pela via legal; organização militar se
conta com a acção violenta.

Nós, anarquistas, não queremos emancipar
o povo, queremos que o povo se emancipe.
Nós não acreditamos nos factos impostos,
de cima, pela força; queremos que o novo
modo de vida social saia das entranhas do
povo e corresponda ao grau de desenvolvi-
mento atingido pelos homens e possa pro-
gredir à medida que os homens avançam.
Desejamos, portanto, que todos os interes-
ses e todas as opiniões encontrem, numa
organização consciente, a possibilidade de
se colocarem em evidência e influenciarem
a vida colectiva, na proporção da sua im-
portância..(...)

(A Organização das Massas Operárias
Contra o Governo e os Patrões - 1897)


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