(pt) Anarkismo.net: No Congresso, outra desgraça anunciada by Bruno Lima Rocha (en)
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Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2013 - 13:30:46 CET
Renan Calheiros e Henrique Alves representam o padrão da cultura política profissional
operante no Brasil praticando o jogo duro do toma lá dá cá sem fazerem muita questão de
explicitar seus métodos. ---- Faz parte dos enunciados de esquerda buscar coerência entre
discurso e prática. Em tese, ser contraditório é um termo pejorativo, apontando para o
rebaixamento do nível político. Para defenderem-se, os pragmáticos de sempre afirmam que a
“contradição é do aliado”, do outro, do menos coerente e não de quem com este aliou-se.
Qualquer semelhança na relação orgânica entre PT e PMDB, incluindo a desgraça anunciada de
termos os peemedebistas Renan Calheiros (AL) como presidente do Congresso e Henrique Alves
(RN) à frente da Câmara, não é nenhuma coincidência.
Se ainda há algo de relevante na análise das eleições para as mesas das casas
legislativas, é fazer a crítica por esquerda. Tal processo veio sendo esmiuçado por todo
janeiro, levantando trajetórias políticas em forma de prontuário. A vida pregressa e atual
dos dois mui nobres e leais parlamentares eleitos por seus pares e apoiadores do governo
de uma ex-guerrilheira é controversa, embora coerente. Se na recém eleita Mesa diretora do
Senado, de seus 11 integrantes, seis respondem a inquérito ou ação penal no Supremo, eis a
prova da coerência interna. Esta se reflete no voto dos 271 deputados federais para
Henrique Alves e nos 56 senadores a apoiar Renan. É a síntese da conseqüência, “dize-me
com quem andas e te direi quem tu és”. É impossível governar com o PMDB e uma boa parte da
ARENA e sair impoluto. Não o foi com FHC e tampouco com Dilma e Lula.
Esta gente se move pelas regras da parábola inglesa, comparando a atividade do Parlamento
e a fabricação de salsichas. Se soubermos como o alimento é produzido, pode haver repulsa
ao seu consumo. O mesmo vale para as leis e acordos entre bancadas. Qualquer cidadão comum
pegaria nojo desta atividade, com exceção dos próprios. Porque se a norma de conduta do
baixo clero e da base aliada for a máxima do finado Robertão, “é dando que se recebe”,
como esperar outro tipo de comportamento? Quanto custa a tal governabilidade?
Boa parte dos atuais quadros dirigentes do PT forjou-se na política nos anos ’80. Naquela
década, abriram espaço para além do colégio eleitoral e logo depois fizeram ferrenha
oposição nas ruas contra o ex-presidente da ARENA, que se tornara vice de Tancredo.
Constava no glossário da esquerda outra máxima, afirmando que quando se governa com a
direita, é a direita quem governa. Renan e Henrique Alves materializam este conceito,
transformando os antigos inimigos não apenas em aliados, mas num grotesco mimetismo da
oligarquia por eles representada.
Bruno Lima Rocha
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