(pt) Portugal, Acção Directa #3 - Anarquismo & Organização - Movimento Libertário

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Segunda-Feira, 11 de Fevereiro de 2013 - 18:34:53 CET


Da diversidade enriquecedora à necessidade de uma plataforma mínima anarquista ---- O ano 
que agora começa deveria ser um ano importante na organização anarquista em Portugal. Ou 
melhor: só não o será se não quisermos. ---- Com todo o historial adquirido no pós 25 de 
Abril há algo que sabemos: sem organização, sem um contributo organizado, heterodoxo mas 
firme nos princípios, e interveniente na luta social, será escasso o papel do anarquismo 
na sociedade portuguesa. Como tem sido até aqui. ---- 2013 será um ano de grandes lutas e 
de grandes mobilizações e os anarquistas – nós que nos afirmamos e nos dizemos enquanto 
tal – temos que saber separar o que é secundário do essencial. Secundárias são as pequenas 
divergências, as solidões, os pequenos e grandes medos de trabalharmos em conjunto.

O essencial vai ser conjugarmos esforços para
criar um espaço organizado (federal,
autogestionário, anticentralista, etc.)
onde possamos combinar estratégias
comuns: por exemplo, editar um jornal
de âmbito nacional, promover acções
diversas, criar uma plataforma difusora
das nossas ideias, integrarmo-nos cada
vez mais nas lutas de todos os dias dos
mais pobres e explorados, mas também
dos jovens, dos criadores, dos artistas.

As movimentações, assentes em Assem-
bleias de base dos últimos anos, foram
importantes porque usaram instrumentos
que nos são caros e próprios – a organi-
zação de base, a democracia directa, a
acção directa, a autogestão de espaços,
etc. – mas provou-se que isso não che-
ga. É necessária uma fundamentação
ideológica e organizativa que estes mo-
vimentos ainda não têm e que só têm a
ganhar se existirem, a seu lado, como
inspiração e modelo, organizações espe-
cíficas anarquistas, editoras, sindicatos
de inspiração anarquista, colectivos li-
bertários, jornais e revistas anti-
autoritários, espaços autogestionados.

A organização específica, claramente
anarquista, é hoje um imperativo para o
desenvolvimento, a manutenção e o
aprofundamento das experiências de
base que se consubstanciaram em movi-
mentos como o 12 de Março, o 12 de
Maio ou o 15 de Setembro.

Nós temos connosco – porque dele so-
mos depositários – um passado, uma
história, uma prática e um conjunto de
instrumentos de luta cada vez mais ur-
gentes e necessários. Nunca como hoje
foi tão grande a necessidade do movi-
mento anarquista enquanto fermento e
inspirador dos movimentos sociais e
alternativos quer em Portugal, quer em
todo o mundo.

Por todo o lado há um regresso à organi-
zação anarquista, anarcosindicalista e
libertária. Ninguém é excomungado:
quem quiser assume o seu percurso soli-
tário – é um direito que a cada um assis-
te. Mas a necessidade de organização, a
partir dos grupos de afinidade já existen-
tes, é, cada vez maior, e neste início de
2013, em Portugal, um imperativo para
que as ideias libertárias ganhem espaço,
mas também para que atitudes que nos
são caras, como o apoio mútuo, a solida-
riedade e o companheirismo, possam ser
assumidas na sua plenitude.
e. m.
Boletim do Colectivo Libertário de Évora


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