(pt) Mobilização transnacional e anti-autoritária 2014 - apelo aberto [European Action Conference]

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Quinta-Feira, 19 de Dezembro de 2013 - 09:58:25 CET


Divulguem e organizem-se ---- Olá a tod  s, ---- Queria chamar a vossa atenção para o apelo 
feito a nível europeu de mobilização transnacional e anti-autoritária para a realização de 
processos de luta em 2014 e que resultou da European Action Conference (ver abaixo). 
Realizada em Novembro passado, em Frankfurt, este encontro de activistas debateu questões 
que nos tocam, defendeu propostas e métodos de acção que nos são familiares e, no decorrer 
das jornadas, levou à prática formas de decisão (assembleia aberta e o consenso como 
procedimento), transparência e organização autogestionária (desde a comida às deslocações) 
que fazem parte dos princípios libertários. ---- Escrevo-vos estas palavras porque o que 
aqui se joga é uma das frentes de batalha nas quais (já) estamos implicad  s. O Blockupy, 
que lançou e organizou a conferência, e as mobilizações que aí vêm, não devem ser apenas 
eventos simbólicos, mas espaços que potenciam a internacionalização das nossas lutas e dos 
projectos de transformação da realidade em que estamos envolvid  s. Ao estabelecermos laços 
com comunidades sensíveis e políticas cúmplices que actuam noutras latitudes cresce a 
nossa energia, o nosso grau de autonomia e de capacidade, e resulta algo como as brechas 
do imprevisível na miséria do capitalismo.

Se o motivo para não embarcar nestas batalhas é a questão logística, existem vários 
movimentos na Alemanha sensíveis à escassez do Sul e que têm meios disponíveis 
precisamente para apoiar grupos e colectivos que queiram participar nos vários encontros e 
acções que se realizarão na Alemanha.

Estes parágrafos acima são entregues intencionalmente a amigos e aos colectivos CCL, 
Sovait-Porto, Casa da Horta, AIT, Hipátia, Musas, Casa Viva, BOESG, AJA-Norte, Terra 
Livre, Gato Vadio/Saco de Gatos, Assembleia Popular do Porto, Assembleia Popular de Algés, 
Colectivo Libertário de Évora, Tertúlia Liberdade, GAIA, RDA69, Terra Viva, Colectivo 
Gonçalves Correia - que, caso assim o entendam, deverão difundi-lo apenas junto de 
colectivos afins -, pela amizade, afinidades construídas e/ou pela tal matéria sensível comum.

Uma plataforma anti-autoritária que reunisse, sob o prisma das propostas lançadas pela 
jornadas de Frankfurt, as diferentes sensibilidades que temos e as visões que alimentamos 
teria consequências positivas nas batalhas que travamos e, quiçá, nas águas paradas deste 
cadinho que o mar rejeitou. Afinal, ao fundo já fomos. Respirar com os outr  s náufragos 
que resistem e criam respostas vitais só nos fará bem.


Abraços

Júlio

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European Action Conference

MOVIMENTOS SOCIAIS, ACÇÕES E DESOBEDIÊNCIA CIVIL EM 2014


Por um espaço europeu livre de capitalismo - pela transnacionalização das lutas


Decorreu em Frankfurt, em Novembro passado, a "European Action Conference", um encontro 
entre activistas europeus que procuram desenhar acções comuns que fortaleçam as lutas 
sociais alternativas ao capitalismo e que façam frente às políticas de austeridade da UE e 
da Troika.

A transnacionalização desses processos de resistência, a desobediência civil, a cultura 
bottom-up nos processos de decisão e o envolvimento de diferentes movimentos sociais são 
elementos fundamentais reflectidos na forma e na substância das actividades que se 
desenrolaram ao longo dos três dias da conferência. No contexto político geral, as 
jornadas rejeitaram todas as formas reaccionárias de euro-cepticismo e apontaram os 
Estados-nação, os governos nacionais e o regime de fronteiras como alvos da luta comum. A 
"European Action Conference" foi um apelo lançado pela coordenação da plataforma Blockupy.

"As seguintes decisões foram tomadas em duas grandes discussões plenárias, no sábado à 
noite e domingo pela manhã. Não resultaram apenas de três dias de intensas discussões nas 
assembleias, dezenas de oficinas e quatro grupos de trabalho em Frankfurt, mas estas 
decisões incluem sugestões e ideias que foram feitas em encontros transnacionais 
anteriores, como o "strategy meeting" em Amesterdão, ou o Agora 99, em Roma. As discussões 
plenárias contaram com a participação de várias centenas de pessoas de toda a Europa e de 
outras partes do mundo. Ao concordarem sobre as acções e medidas comuns adoptadas, os 
participantes também se comprometeram a implementar essas decisões no mês seguinte e a 
trazerem em 2014 o movimento transnacional contra a austeridade e o capitalismo para as 
ruas da Europa, em geral, e de Frankfurt, em particular."

Esta citação é a abertura da acta final do encontro, que deve ser consultada na íntegra. 
Em síntese, as decisões principais são:

     Impedir e bloquear a cerimónia de abertura do novo edifício do Banco Central Europeu 
e lançar um forte sinal de resistência.

     Uma semana de acções internacionais e descentralizadas em Maio de 2014, entre o dia 
15 e 25 de Maio, o último dia das eleições europeias, incluindo diferentes lutas pelos 
bens comuns (saúde, habitação, emigração, educação, condições laborais), bem como 
diferentes formas de acção e de desobediência civil.

     Como queremos formar uma coaliança do movimento social transnacional (ou mesmo uma 
coaliança de coalianças), o nosso objectivo é construir uma estrutura de coordenação a 
nível europeu, que vai ajudar a compreender o plano para um processo de mobilização 
verdadeiramente transnacional, participativo e transparente.

Sublinha-se novamente que a acta deve ser consultada, seja para ter uma visão completa das 
decisões, seja para tomar conhecimento de dados concretos (datas de encontros, contactos, 
etc.).

Pede-se a difusão aberta desta circular.


Notas:

O envolvimento individual e/ou de grupos activistas em qualquer uma das actividades 
anunciadas não implica necessariamente a participação (e até a concordância) em outras 
decisões propostas.

Se for profícuo, pode fazer-se uma tentativa de agregar diferentes grupos e colectivos que 
actuam em Portugal e que se revejam na visão geral traçada e, sobretudo, no corpo de 
princípios de actuação, criando uma plataforma de comunicação com o simples objectivo de 
partilha de posições e acções. O propósito não seria unificar visões e formas de actuação 
mas antes potenciar cumplicidades que possam advir da partilha de experiências, saindo dos 
nossos lugares-comuns e ultrapassando as fronteiras das várias capelinhas do portugal dos 
pequeninos. Desse modo, estabelecendo pontes com os movimentos além-fronteiras, presentes 
neste processo em construção da transnacionalização das lutas anti-autoritárias na Europa.

Os interessad  s devem enviar o seu contacto/do colectivo para: translutas  gmail.com

Esta conta servirá apenas para pôr em comum os grupos/indivíduos interessados, que devem 
entre si encontrar o melhor interface de comunicação. Dado esse passo operacional, esta 
conta-facilitadora será desactivada.

Comentário:

Correndo o risco do abuso de poder pela circunstância de ter participado no "European 
Action Conference", acho que pode ser útil deixar alguns comentários:

A transparência, a assembleia aberta e o consenso como procedimento de decisão, e a defesa 
da cultura política "de baixo-para-cima" foram princípios adoptados e seguidos ao longo da 
conferência. Em diferentes momentos, o próprio grupo coordenador veiculou críticas 
directas ao parlamentarismo como uma instituição que faz parte do próprio problema de 
organização política dominante das sociedades. Não obstante, a plataforma geral de 
diferentes alianças do Blockupy continua a integrar o partido Die Linke e a ATTAC, grupo 
avesso a críticas fundamentais ao sistema político.

Foi notória e levada à prática a necessidade de inclusão de (reais) movimentos sociais nos 
processos de luta transnacionais em curso: emigração (a luta dos refugiados O-platz; a 
rede Clandestino, Grécia; a No Border); habitação (PAH, Espanha; a recente luta de 
inquilin  s em Hamburgo e Berlim, Kotti & Co), o exemplo autogestinoário da fábrica Viome 
ou do centro social Mikropolis com as suas diferentes frentes de actuação, ambos projectos 
em Salonika. Apesar de em Portugal não existirem actualmente movimentos sociais, estes 
exemplos consubstanciam uma vertente essencial à transformação da realidade social, 
política e cultural das sociedades.

A presença de "activistas" vindos da Grécia de colectivos de corrente anarquista 
("Nosotros", Mikropolis, a plataforma anti-autoritária) pode também ser um exemplo que 
retira argumentos aos anticorpos e sensibilidades de quem priorize a fantasia ideológica à 
realidade do(s) processo(s) de luta.

-- 
GRAZIA  TANTA

Documentos e textos em:

http://grazia-tanta.blogspot.com/

http://pt.scribd.com/profiles/documents/index/2821310

http://www.slideshare.net/durgarrai/documents

Por Grazia Tanta <grazia.tanta  gmail.com>


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