(pt) Jovem anarquista Melissa Sepúlveda, é a nova presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (ca, en)

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Sexta-Feira, 6 de Dezembro de 2013 - 16:21:36 CET


Melissa Sepúlveda "Um dos desafios mais importantes é mostrarmo-nos como uma alternativa 
real" ---- Melissa Sepúlveda, estudante de medicina de 22 anos, militante da Frente de 
Estudantes Libertários (FEL) e feminista libertária de "La Alzada", foio eleitas, em 
meados de Novembro, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (Fech) 
como candidata da lista "Lutar", com 31,2% dos votos. Esta lista é a expressão de "um 
espaço de construção político e social que começa em finais de 2011 com a finalidade de 
fazer convergir diferentes projectos de base existentes na Universidade do Chile 
desenvolvidos por organizações e independentes de Esquerda com Intenção Revolucionária que 
apontam para o desenvolvimento de um projecto de Universidade e de educação ao serviço do 
conjunto social", segundo explica o próprio programa. A FEL foi um animador e uma 
importante força dentro desta coligação ampla que não se articula apenas no momento das 
eleições estudantis, mas que trabalha nos espaços de construção e mobilização de forma 
permanente, desenvolvendo uima proposta de universidade dentro de um projecto de 
transformação social radical do Chile actual.

Conversamos com Melissa para que nos explique a aposta que como porta-voz da Fech terá no 
período actual. Clara e concisa, dá.nos um resumo dos desafios que o movimento popular, o 
movimento estudantil e o movimento libertário têm em momentos em que, ante a crise do 
modelo, o grupo no poder sente o imperativo de reformar para ganhar em governabilidade. 
No fim da entrevista há um link para o programa com que "Lutar" ganhou a presidência da 
Federação.

1.Os meios de comunicação social puseram enfâse no facto de você ser a primeira presidenta 
anarquista da Fech em 91 anos. Como vê este desafio para o movimento libertário, em 
particular para a FEL, ainda para mais quando assume não só o cargo máximo de 
representação da federação estudantil mais importante, mas também de um dos movimentos 
sociais mais importantes do país?

Um dos desafios mais importantes neste momento é poder mostrarmo-nos como uma alternativa 
real, para além do marginal que é a esquerda revolucionária... que não tem existido senão 
como uma esquerda à esquerda do Partido Comunista. É um desafio importante para a FEL 
porque através da federação, que é uma das vozes mais importantes dos movimentos sociais a 
nível nacional,  podemos traduzir a aposta política para este período numa linguagem 
compreensível para a população. Também procuramos desestigmatizar o anarquista e o 
libertário que os meios de comunicação reflectem constantemente para a opinião publica.

2. Como vê a articulação entre o movimento estudantil com outros movimentos sociais?

Bom, essa é a primeira aposta que temos em "Lutar". O que se procura é dar uma volta à 
condução da Fech para conseguir a articulação com outros sectores sociais. Nós afirmamos 
que a educação não é apenas um problema dos estudantes, mas sim que é um problema da 
desigualdade existente no Chile, e essa distribuição desigual da riqueza tem reflexos no 
modelo educacional, no modelo de saúde, na realidade laboral. São faces distintas de um 
mesmo problema e por isso procuramos a unidade dos sectores que se mobilizaram contra este 
modelo, fundamentalmente com o sector sindical, tentando articular um bloco multissectorial.

3. Uma das palavras de ordem do movimento anarco-comunista no período de rearticulação, 
que foi também assumida pela FEL, é que a unidade do povo deve ser forjada a partir de 
baixo e da luta... Como é que interpreta esta palavra de ordem?

Como uma aposta pela multisectorialidade. Fomos claros em que as alianças entre os 
dirigentes dos estudantes com a CUT (Central Sindical chilena) ou com a União Portuária 
não são suficientes, que os trabalhadores de base, que os estudantes de base, são parte de 
um mesmo projecto histórico e que deve ser construída uma unidade solidária, cooperativa, 
entre trabalhadores e estudantes de base.

4. Não é um segredo para minguém que se vive uma escalada das lutas populares no Chile e 
que diferentes sectores elaboraram diferentes propostas para enfrentar a conjuntura, 
alguns falam de assembleia constituinte, outros de ruptura democrática, etc. Você fala em 
traduzir a aposta política deste período para uma linguagem acessível para o comum das 
pessoas, de forma a converte-se numa alternativa real. Em que consiste essa alternativa?

O que está mais claro é que o actual período está marcado pela irreformabilidade do modelo 
neoliberal chileno e pela instabilidade que estão a gerar ou que podem gerar os movimentos 
sociais. Bachelet (presidente chilena) tentará dar governabilidade ao país. Têm que fazer 
reformas, sabem que o fechamento institucional que tem existido no Chile desde a ditadura 
tem que acabar. Se essas reformas colocam os movimentos sociais num novo patamar para a 
luta de classes no Chile, isso depende dos movimentos sociais, não é Bachelet que o cederá 
gratuitamente, mas deve ser uma conquista do povo. Há certos pontos chave de não retorno 
para este novo cenário de luta que devemos ser capazes de determinar... há alguns que 
foram colocados pelos movimentos sociais desde 2005 para diante, como o sistema 
previdencial, um código laboral que permita a negociação colectiva, a reforma tribut+ária, 
a educação, a redistribuição da riqueza mediante reformas na educação, reformas 
tributárias, a mesma capacidade de negociação colectiva... Sabemos que se precisa de uma 
nova constituição, mas há que discutir muito bem a proposta da Assembleia Constituinte, 
porque há que ver se isso é favorável ao movimento popular ou não. Bachelet tem 
legitimidade popular, isso é dito por todas as sondagens e assim é na verdade, mas ainda 
há muito medo devido à ditadura, medo a mudanças radicais e profundas... há que valorizar 
criticamente todas as propostas, porque todos estão de acordo em que o modelo necessita de 
mudanças.

aqui: http://anarkismo.net/article/26440

José Antonio Gutiérrez D.


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