(pt) Tahrir-Icn: Comunicado do Colectivo Tahrir-ICN sobre os últimos acontecimentos no Egipto (en, fr)

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Domingo, 18 de Agosto de 2013 - 05:09:44 CEST


O regime autoritário da Irmandade Muçulmana tinha que ser afastado. Mas o regime que o 
substituiu é a verdadeira face dos militares no Egito - não menos autoritário, não menos 
fascista e com certeza mais difícil de depôr. ---- O massacre perpretado pelo Exército 
contra os apoiantes de Morsi em Nadha Square e Raba'a deixou cerca de 500 mortos e até 
3000 feridos (os números são do Ministério da Saúde , a realidade é provavelmente muito 
maior). Foi um ato pré-orquestrada de terrorismo de Estado, com o objectivo de dividir a 
população e levar a Irmandade Muçulmana a criar mais milícias para se vingarem e e 
protegerem . Isto, por sua vez, vai permitir que o exército rotule todos os muçulmanos de 
terroristas e crie  um "inimigo interno" no país, fazendo com que o exército mantenha o 
regime militar num estado permanente de emergência.

Os militares perseguem hoje a  Irmandade Muçulmana,  mas vão perseguir também quem se 
atreva a criticá-los amanhã. O exército já declarou o estado de emergência pelo período de 
um mês, dando à polícia e aos militares poderes excepcionais e o recolher obrigatório de 6 
- 7 horas, pelo mesmo período de tempo,  foi declarado em muitas províncias.  Isto dá ao 
exército mão livre para reprimirirem qualquer dissidência. É um retorno aos dias antes da 
revolução,quando a lei de emergência estava em vigor desde 1967 e que  permitiu a 
generalizada repressão e negação das liberdades.

O caráter do novo regime é claro. Apenas alguns dias atrás 18 novos governadores foram 
nomeados, a maioria dos quais saiu fileiras do que restou do exército, da polícia ou até 
mesmo do regime de Mubarak. Houve também um ataque contra  os trabalhadores que continuam 
a greve em defesa dos seus direitos (como o recente ataque do exército e a prisão de 
metalúrgicos em greve em Suez). O regime militar também está à procura de militantes 
revolucionários;  jornalistas foram espancados e presos; os estrangeiros têm sido 
ameaçados quando são testemunhas de qualquer acontecimento. Os media locais e globais 
contam meias verdades e publicam narrativas construídas como suporte de uma agenda 
política. A contra-revolução está em plena marcha  e sabe como quebrar a unidade do povo, 
dividindo para reinar.

Nos últimos dois dias tem havido um aumento de represálias sectárias, com mais de 50 
igrejas e instituições cristãs atacadas. O exército e a polícia não foram vistos a 
protegerem estes edifícios da comunidade cristã. É do interesse de ambos - do exército e 
da Irmandade Muçulmana - para atiçarem as tensões e criarem medo e o ódio entre as 
populações. Ambos vão lutar pelo controle do Estado enquanto o sangue das pessoas enche as 
ruas.

Condenamos os massacres em Raba'a e Nadha Square, os ataques contra os trabalhadores, 
ativistas e jornalistas, a manipulação do povo por aqueles que disputam o poder, e os 
ataques sectários. Para a revolução continuar a população deve permanecer unida na sua 
oposição aos abusos e à tirania do poder, que é dirigida contra si.

Abaixo os militares e Al-Sissi!
Abaixo os herdeiros do regime de Mubarak e a élite empresarial!
Abaixo o Estado e que toda a energia vá para as comunidades autónomas!
Viva a revolução egípcia!

aqui: http://tahriricn.wordpress.com/2013/08/15/tahrir-icn-statement-on-events-in-egypt/


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