(pt) Libera #158 - periódico da Federação Anarquista do Rio de Janeiro - A luta contra o aumento das passagens e o Anarquismo* CAB -- Anarquista Brasileira

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Segunda-Feira, 5 de Agosto de 2013 - 10:28:43 CEST


O contexto - Coordenação da nossa luta ---- Nesse primeiro semestre houve diversas 
mobilizações de norte a sul do Brasil que enfrentaram a reação conservadora dos governos, 
do aparelho repressivo e da mídia. Desde as lutas em defesa do transporte público nas 
capitais, passando pelas greves nos canteiros de obras do PAC, até a resistência indígena 
dos povos originários, todas essa lutas foram alvos da criminalização do protesto que 
segue em curso no país sede da Copa do Mundo.Vivemos um dos momentos mais agudos da luta 
de classes no Brasil. O capital internacional avança diariamente a passos largos, 
explorando os trabalhadores e as trabalhadoras na busca do lucro. ---- Resistência dos/as 
oprimido/as x Violência do Opressores ---- Uma consequência dessa lógica do capitalismo se 
expressa no transporte. Somos diariamente violentados.

Esperamos em intermináveis filas, viajamos horas em transportes superlotados e sem 
manutenção, correndo risco de vida. Sofremos com o a violência da ganância, do descaso, da 
roubalheira, das máfias das empresas de transporte público, ajudadas pelos governantes a 
lucrarem cada vez mais. Mas quando o povo vai para as ruas reclamar contra esta injustiça 
o que acontece? É violentado! Tropas de choque, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, 
bombas, balas de borracha à queima roupa que podem cegar ou até matar. Todo um aparato de 
guerra é usado contra o povo, e dezenas de manifestantes são presos e feridos pela 
polícia. Tanto a truculência da polícia e o descaso do poder público para o social, quanto 
o desrespeito que os empresários do transporte público nos fazem passar diariamente, todas 
estas são formas de violência contra o povo. E todas as formas que o povo usa para se 
defender contra esta violência são legítimas.Toda forma de resistência, ainda que com 
táticas distintas é legítima. A violência em todos os atos SEMPRE começou com a polícia, a 
fiel defensora das elites e da burguesia. Polícia, que curiosamente foi apoiada em sua 
última greve por legendas políticas de esquerda que hoje caluniam o anarquismo para 
"encontrar" um bode expiatório que divida a nossa luta.

Lutar não é crime

O povo, organizado nos movimentos sociais, manifestando-se por justiça, não pode ser 
criminalizado, agredido ou preso. Devemos ter cuidado com a estratégia dos poderes 
dominantes de criminalizarem "individualmente" militantes e ativistas que lutam contra o 
aumento da passagem. Muitos já estão com processos nas costas por lutarem. Lutar não é 
crime! Não podemos deixar que nossos companheiros/as sejam criminalizados/as! Essa 
criminalização deve ser denunciada! Essa é a ver dadeira face da democracia burguesa, 
escondida de dois em dois anos nas urnas e propagandas eleitorais mas que mostra suas 
garras quando surge a resistência! Não podemos reforçar dentro das nossas fileiras o 
discurso de criminalização daqueles que lutam tentando encontrar bodes expiatórios no 
nosso movimento. Todos/as aqueles/as que saem às ruas para se opor a máfia dos transportes 
são ilegais por natureza,  pois enfrentam a burguesia e o Estado de "direito/a".

  A verdade que incomoda: um movimento que não foi capturado

  O que mais incomoda algumas legendas políticas é o fato deste movimento social, que saiu 
as ruas para enfrentar o governo e os patrões, não ter sido capturado por nenhuma 
vanguarda "esclarecida" ou partido político. É propício lembrar que alguns desses partidos 
que hoje condenam do alto de sua arrogância as fraquezas desse movimento 
popular/estudantil diziam algum tempo atrás informalmente por seus militantes "que não 
haviam condições objetivas para se fazer essa luta".
Felizmente eles foram contrariados e até mesmo, arrastados pela vontade da luta  popular 
que moveu milhares. Esse movimento, apesar de compartilhar muitos princípios comuns ao 
nosso setor libertário e também com táticas de luta da classe trabalhadora não pode ser 
claramente identificada a nenhuma ideologia política apesar de em seu interior conter 
diferentes ideologias da esquerda. O movimento também não surgiu de nenhum partido 
político, apesar de ter sido construído com esforço de muitos militantes de partidos, o 
que deve ser valorizado. Isso não significa que este movimento não tenha problemas. Mas 
como diria um histórico companheiro da esquerda é "melhor dar um passo com mil do que mil 
passos com um" e vamos seguir trabalhando para construir e organizar melhor a luta contra 
o aumento das passagens junto com outros setores políticos sem a pretensão de nos 
tornarmos "os donos do movimento".

  Temos consciência das inúmeras deficiências e obstáculos que precisamos enfrentar e que 
enfrentaremos dentro dessa luta. No entanto, também temos consciência de nossa 
sinceridade, modéstia e firmeza naquilo que nos propomos. Nos últimos 10 anos temos 
participado em maior ou menor grau de diversas lutas, construções, embates na América 
Latina e no Mundo e, independente das divergências com outras tradições do Socialismo 
exigimos respeito. Estamos juntos e lado a lado na luta pelo Socialismo e pela Liberdade e 
daqui não nos retiraremos. Seguiremos na luta contra o aumento do transporte em diferentes 
Estados à despeito da calúnia da mídia burguesa e de infelizmente, alguns setores políticos.

  Derrotar o aumento pela organização popular coletiva, de base e  pela força das ruas!!! 
Lutar, criar, poder popular!!!

  * Excertos, leia o texto completo em www.farj.org


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