(pt) Libera #158 - periódico da Federação Anarquista do Rio de Janeiro - A violência e o terrorismo do Estado: os vândalos são os vestem farda (en)

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Sábado, 3 de Agosto de 2013 - 10:38:18 CEST


À luta do povo nas ruas o governo respondeu com violência e terrorismo. Na favela usou 
balas de verdade, no asfalto balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Com 
ajuda da mídia oficial criminaliza os que lutam, rotulando os manifestantes de "violentos" 
e "baderneiros". Neste sentido, podemos afirmar que a resistência dos manifestantes é um 
grito de indignação contra a violência cotidiana que nosso povo sofre. Esta forma de 
resistência coletiva e de luta parece rapidamente generalizar-se e não pode ser vinculada 
a uma única ideologia política, ou ser tachada como uma ação de "grupos minoritários", 
como faz a mídia burguesa. Isso porque esta forma de resistência é fruto da ação e da 
experiência coletiva. Nós, trabalhadores/as, sofremos coletivamente todo o descaso dos 
governos, a exploração dos empresários/latifundiários e a precarização dos serviços públicos.

Tudo isso é uma forma de violência contra o povo. Todas as formas que o povo usa para se 
defender dessa violência são legítimas! O povo organizado nos movimentos populares do 
campo/cidade, manifestando-se por justiça, não pode ser criminalizado, agredido ou preso 
por protestar! Precisamos nos organizar para avançar nas conquistas populares.

O Poder Popular nas bases e nas ruas: é hora de avançar!

A ação direta e popular das ruas precisa estar lastreada por uma inserção de base em 
locais de trabalho, moradia e estudo. Um trabalho cotidiano com protagonismo dos 
movimentos populares, que seja também referência àqueles que hoje vão às ruas, enquanto 
espaços de inserção e organização das classes exploradas e oprimidas. Não basta só ir às 
ruas. Precisamos construir/fortalecer instrumentos de luta nos bairros, nas periferias, 
nos territórios de resistência e lutas camponesas/quilombolas, nos espaços estudantis e 
sindicais, em correspondência e em diálogo com os anseios dos trabalhadores e estudantes 
que tomam as ruas. Precisamos também ter pautas claras, baseadas nas necessidades do nosso 
povo (educação, saúde, moradia, cultura, etc.). O fôlego das ruas precisa ser alimentado 
com um trabalho perseverante de organização de base, que grande parte da esquerda 
abandonou em troca da disputa de direções sindicais, de cargos no governo ou mandatos 
parlamentares ditos "combativos". Nós da FARJ investimos energias nesse movimento desde as 
bases às ruas, e das ruas às bases, entendendo que sem um setor amplo de 
oprimidos/explorados as manifestações encontrarão sérios limites.

Os estudantes, por exemplo, tem um papel importante a cumprir, mas sabemos pelas 
experiências históricas em que os oprimidos/as foram derrotados/ as, que sem os organismos 
de base dos/ as trabalhadores/as do campo e da cidade o poder popular será um sonho 
inatingível. O poder popular parte de pautas concretas que visam a melhoria das condições 
de vida das classes populares e é construído no cotidiano das lutas.Ao construirmos poder 
popular a partir das bases, lutamos por estas melhorias sem nos focar em questões 
eleitorais/eleitoreiras. O poder popular é construído a longo prazo e não são as eleições 
que definem seu ritmo, mas sim a nossa capacidade de organização e de acúmulo de força 
social. Precisamos de movimentos sociais que não fiquem reféns do governo, nem sejam 
cooptados por ele, que tenham total democracia interna e que não percam sua autonomia.

Em vez de voltar atrás e recuar das ruas vemos neste momento histórico a possibilidade de 
avançar, com inteligência, estratégia e organização e onde for necessário, resgatar 
autonomia, fortalecer e ampliar as bases dos movimentos sociais para dar um salto 
qualitativo. Precisamos resgatar a credibilidade de um projeto revolucionário neste 
cenário, e nós anarquistas, entre outros militantes, temos um papel fundamental enquanto a 
ala libertária do socialismo. Neste sentido, nós da FARJ há quase dez anos e, em maior 
grau, a Coordenação Anarquista Brasileira (composta de 9 organizações em diversos estados 
do Brasil), modestamente continuamos para construir um referencial de luta junto com outros/as
companheiros/as e movimentos populares, no campo e na cidade.

Anarquismo é luta!!!

Lutar, Criar, Poder Popular!!!


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