(pt) Anarkio.net: Anarco-capitalismo não existe!

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Domingo, 28 de Abril de 2013 - 15:33:30 CEST


Quando ouvimos e lemos materiais a respeito de um “anarquismo capitalista”, o único 
sentimento que surge a respeito é uma náusea enorme. ---- Se alguém viesse e dissesse que 
era um abolicionista-escravocrata, não haveria duvidas que causaria espanto e que isso 
seria um grande equivoco, pois são termos conflitantes, opostos, que se anulam. O mesmo se 
aplica ao se expressar “anarco-capitalismo”.  São termos contraditórios, opostos que não 
podem se manter juntos e que se anulam. ---- É uma confusão originada da forma que usamos 
o conceito liberal. Vemos com frequência o uso do termo liberal para expressar ações e 
práticas extremamente livres, sem nenhum tipo de compromisso, o que podemos entender como 
uma libertinagem e hedonismo. São termos existentes e que são comumente aplicados nesses 
casos, como o é o termo liberal.

Mas o conceito liberal, que é o real significado desse “anarco-capitalismo”, é uma forma 
agressiva de capitalismo que tende a negar o Estado quase que totalmente, colocando muita 
importância nas relações do mercado e sua capacidade de se autorregular, mediante as 
oscilações entre oferta e procura. Isso é a abertura completa da sociedade aos sabores das 
relações de mercado. É um conceito já existente e defendido por algumas escolas de 
economistas e aplicado por governos de nossa orbe. Um deles é o EUA, que usou esse 
discurso até a recente crise de 2009, onde teve que retroceder à intervenções do Estado 
para salvar grandes empresas que estavam a beira da falência.

Por isso, quando se usa o termo ou se diz ser “anarco-capitalista”, realmente está dizendo 
liberalismo e tudo que esteja vinculado a isso, tanto em sua concepção clássica, como suas 
nuances mais atuais conceituadas como “neo liberalismo”, mas que são apenas variações da 
concepção original. O capitalismo é escravidão, opressão e exploração. Sua base é 
competição evolucionista onde só os mais espertos se mantém, e sempre isso é as custas dos 
outros, não há nenhuma ilusão que o capitalismo deixa um rastro de miséria e destruição. 
Mesmo os discursos capitalistas mais equilibrados são impraticáveis, já que sua base 
fundamental é o lucro e o lucro sempre é fruto de um roubo e em alguns casos, de 
assassinatos e mortes. Esse é o seu fundamento, é a sua essência, não importa a mascara ou 
maquiagem, a morte é sempre sua expressão correlata.

Contra o capitalismo em todas as suas formas, surge o anarquismo que tem a proposta de 
abolir a propriedade, a herança, destruir as relações desiguais e consequentemente todas 
as classes sociais que aterrorizam a humanidade a milênios. Propõe a organização da 
sociedade de forma direta sem Estado, sem partidos, de forma horizontal e onde todos 
trabalham e suprem todas suas necessidades. É autogestionário e não tem nacionalidade, é 
contra as pátrias, as nações, contra a competição, usando da cooperativa como elemento de 
união dos seres. É o fim da exploração do ser humano pelo ser humano. Com então, dois 
termos antagônicos, serem unidos? Se alguém sugerir espuriamente que é uma concepção 
dialética, temos que afirmar que nesse caso, o resultado de síntese chama-se, não 
“anarco-capitalismo”, mas demago-hipocrisia partidária, uma farsa e mentira que precisa 
ser denunciada e combatida.


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