(pt) FARJ - Libera #157 - Notícias Libertárias

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Terça-Feira, 23 de Abril de 2013 - 19:42:37 CEST


Mais um passo dado para a integração dos que lutam! ---- Nos dias 25, 26 e 27 de janeiro, 
na cidade de Viamão (Rio Grande do Sul) foi realizado a 10a edição do Encontro Latino 
Americano de Organizações Populares e Autônomas – ELAOPA. ---- Foram mais de 60 
organizações, coletivos, agrupações sindicais e estudantis, movimentos sociais e 
iniciativas populares que participaram de diversas oficinas, comissões de discussão 
temáticas e espaços de confraternização e cultura, construindo acordos e encaminhamentos 
para avançarmos nesse projeto popular e autônomo. ---- O tema transversal do Encontro foi 
o Plano IIRSA, sendo discutidos alguns conflitos e formas de luta e de resistência a esse 
plano de saque. Sua dinâmica foi organizada em comissões temáticas (Educação/Estudantil; 
Sindical; Terra e Meio Ambiente; Direitos Humanos; Gênero, etnia e sexualidade; 
Comunicação; Muralismo e Comunitário), o
que ajudou a movimentar e orientar a mi-
litância dos diferentes países. No dia 27, o
X ELAOPA se encerrou com uma confra-
ternização entre os presentes, ao som das
bandas La Digna Rabia, Farabute e Orquestra
de Mulheres.

Destacamos nessa edição a homenagem
realizada em memória ao companheiro
Alberto “Pocho” Mechoso, lutador social
uruguaio sequestrado e assassinado pela di-
tadura militar argentina, que foi coordenada
por um companheiro do Ateneu do Cerro
(Montevidéu-Uruguai). Aproveitamos assim
para recordar a memória não só do cita-
do companheiro, mas também de todos
militantes que são referência de nossa luta
cotidiana. Nós, povos latino americanos, não
estamos e nem ficaremos quietos, não es-
queceremos e nem perdoaremos os crimes
das ditaduras na América Latina.

Sabemos que o encontro não tem preten-
são de dar respostas a todos os problemas
que coletivamente precisamos enfrentar,
mas estamos certos que, enquanto espaço
de articulação das lutas, ele tem a função
de reafirmar nosso compromisso na cons-
trução de uma integração dos povos gerada
desde baixo, desde os que lutam para cons-
truir um Poder Popular.

Se escucha, se escucha!
Arriba lxs que luchan!
Viva o ELAOPA 2013!

Texto na íntegra em: www.elaopa.org

Liberdade para os presos de Ba-
riloche:

No dia 5 de fevereiro passado,
companheir  s da Organização Popular,
MTD-Pela Base e da FARJ realizaram um
pequeno ato na frente do consulado ar-
gentino, exigindo a imediata libertação dos
companheir  s do Movimento Social e Co-
operativo 1o de Maio (Bariloche), presos na
província de Rio Negro (Patagônia argenti-
na) desde 13 de janeiro. O Movimento 1o de
Maio agrupa 3 cooperativas que há mais de
10 anos lutam contra o desemprego e toda
classe de injustiças que os trabalhadores
têm que suportar. Foram levantadas as ban-
deiras das organizações, cartazes e uma faixa
exigindo a libertação d  s companheir  s
detidos e distribuídos panfletos. O interes-
se dos populares foi bastante satisfatório e
diversas pessoas pararam para se informar,
inclusive alguns cidadãos argentinos. Nesse
mesmo dia, foram realizados atos simultâ-
neos em diversas cidades da Argentina, Bra-
sil e Uruguai. Atualmente, Haydee Grande,
Giselle Poblete e Catalina Lineros estão em
prisão domiciliar e José Paredes e Miguel
Mansilla estão presos em delegacias de Bari-
loche. Reproduzimos abaixo a nota emitida
pelo ELAOPA no final de janeiro:

PRESOS POR LUTAR, A LUTA OS
LIBERARÁ!

Nós Organizações reunidas
no 10o Encontro Latino Americano de Or-
ganizações Populares e Autônomas, realiza-
do nos dias 25, 26 e 27 de janeiro de 2013
no município de Viamão, realizamos este ato
público em solidariedade a uma dezena de
lutadores sociais argentinos do Movimento
Social e Cooperativo 1o de Maio, presos pelo
Estado Argentino acusados de incitarem
uma série de saques de alimentos e mer-
cadorias no mês de dezembro de 2012 em
Bariloche. Há mais de 10 anos esses militan-
tes sociais vêm se mobilizando e buscando
alternativas contra o desemprego e toda a
classe de injustiças, repressão, precarização
das condições de trabalho, assassinatos à
juventude pobre, derivadas das políticas de
clientelismo e assistencialismo, únicas res-
postas dos governos as demandas popula-
res. No dia 20 de dezembro, em mais de 40
cidades da Argentina, centenas de famílias
pobres decidiram tomar com suas próprias
mãos alimentos de grandes supermercados,
dando um basta à fome causada pela indi-
ferença dos governos aos reclamos de tra-
balho e melhores condições de vida. Uma
série de companheir  s da Cooperativa 1o
de Maio foram então acusados de incitarem
os saques em Bariloche e presos. Junto com
eles foram detido pessoas que participaram
dos saques e outras que saíram as ruas em
solidariedade exigindo a libertação desses
lutadores. Estes fatos estão inseridos em
um contexto de criminalização do protesto
e das mobilizações populares; de tentativa
de desestruturar o trabalho daqueles que
não se enquadram na lógica paternalista e
clientelista dos governantes argentinos; e no
processo de redução salarial e precarização
das condições de trabalho para que as gran-
des empresas possam lucrar cada vez mais.
É por isso que saímos às ruas em solidarie-
dade, gritando: Mão estendida aos compa-
nheiros! Punho cerrado aos inimigos! Liber-
dade aos lutadores sociais do Movimento
Social e Cooperativo 1o de Maio! (assinam
40 organizações sociais e políticas)

O PAU COMEU NA TERRA DO JOCA

Num canto de sertão
Havia um “coroné”
Usava botas de couro
E na cabeça
Um “chapé”
No ombro
Usava um laço
Nas mãos
Uma espingarda
Montado
No seu cavalo
De cima

Falava alto:
- Corta cana!
- Colhe a cana!
- Vamos todos trabalhar!
- Corta o mato!
- Colhe o mato!
- Ninguém pode descansar!

Mas “teve” um dia
Que os “bóia-fria”
Não “guentaram” mais
E “arresolveram”
Mudar de ideia
Hum!
Coitado do “coroné”
E seus “capatais”
“Inté” o chão
Que era mansinho
Com o fogo ardeu
E o pau comeu...
É, o pau comeu
Na terra do Joca.

Joca se juntou a Juca
Teca se juntou a Tuca
E foram todos para a luta.
Joca se juntou a Juca
Juca se juntou a Teca
Teca se juntou a Tuca
E foram todos para a luta.

(pausa)

Quando amanheceu
Havia cantoria
Zefinha que era feinha
Bonita “inté” “ficô”
Ciro que era calado
“Inté” “discursô”.

Meninos
Brincavam de roda
Meninas
De roda brincavam
Os velhos
Sentados nos bancos
Na cara
Um “oh!” de espanto:
- Conseguiram!

Teca corta cana,Tuca colhe a cana
Vamos todos “trabalhá”
Joca corta o mato, Juca colhe o mato
É da gente esse “lugá”

Teca corta cana
Tuca colhe a cana
Vamos todos “descansá”.
Joca corta o mato
Juca colhe o mato
Vamos todos “governá”.

Julinho Terra
Coletivo Anarquista Vira-Lata, anos 1980.


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