(pt) Anarkismo.net: brazil, O sindicalismo revolucionário como estratégia dos Congressos Operários (1906, 1913, 1920)

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Segunda-Feira, 22 de Abril de 2013 - 15:31:28 CEST


Neste texto, publicado originalmente na revista Enfrentamento e tendo sofrido algumas 
modificações, o autor João Gabriel discute os congressos que marcaram o movimento operário 
do Brasil na Primeira República, afirmando que a estratégia desse movimento, a partir de 
suas deliberações congressuais, foi o sindicalismo revolucionário. Realiza, assim, duas 
afirmações relevantes: por um lado, contesta estudos anteriores que afirma que a 
estratégia do movimento operário brasileiro no período teria sido o anarco-sindicalismo; 
por outro, realiza uma relação entre o anarquismo e o sindicalismo revolucionário, 
fundamental para a compreensão da história do movimento operário no Brasil. ---- Imagem do 
enterro do operário espanhol José Martinez em São Paulo (1917)

O objetivo deste texto é identificar e caracterizar a perspectiva de organização 
proletária assumida nos Congressos Operários de 1906, 1913 e 1920 na cidade do Rio de 
Janeiro. Objetiva-se ainda explicitar as mudanças entre as concepções assumidas nesses 
três congressos (o primeiro realizado entre 15 a 22 de abril de 1906; o segundo de 8 a 13 
de setembro de 1913 e o terceiro congresso de 23 a 30 de abril de 1920), mostrando as 
similitudes e diferenças assumidas ao longo dessas duas décadas que separam esses congressos.

Tem-se como elemento norteador desse texto a estratégia utilizada pela classe trabalhadora 
que tem representado um acúmulo de experiências para os teóricos, compondo uma forma de 
autogestão social. A derrocada do sindicalismo revolucionário mostrou mais uma vez a força 
voraz do Estado de cooptar, reprimir e por fim à luta dos trabalhadores, sendo um inimigo 
da autoemancipação dos trabalhadores.

Este texto terá como fontes primárias as Resoluções dos dois primeiros Congressos 
Operários reunidas na obra Classe Operária no Brasil (1889 – 1930). Documentos – Vol 1. O 
Movimento Operário de Paulo Sérgio Pinheiro e Michael Hall , além do Boletim da Comissão 
Executiva do 3º Congresso Operário de agosto de 1920 disponíveis no Arquivo Edgard 
Leuenroth da UNICAMP e alguns números do Jornal A Voz do Trabalhador, órgão da 
Confederação Operária Brasileira, também disponível ao público nesse centro de documentação.

O Primeiro Congresso Operário, realizado entre os dias 15 e 22 de abril de 1906 deu um 
passo significativo para a organização do sindicalismo revolucionário no Brasil fruto do 
“ascenso do movimento operário revolucionário” (SAMIS, 2004, p. 135). Porém, essa não foi 
a primeira organização de trabalhadores no Rio de Janeiro e no Brasil. Conforme Oscar 
Farinha Neto aponta, após as greves de 1903 na capital federal surge uma necessidade de 
criação de um órgão que “coordenasse o movimento das diversas classes trabalhadoras” 
(NETO, 2007, p. 21). E dessa necessidade irá surgir, neste mesmo ano, a Federação das 
Associações de Classe, cujo modelo de organização era inspirado no sindicalismo na versão 
de Émile Pouget, então secretário-geral da CGT francesa .

Essa nascente federação já contava com as bases pilares do que será a COB posteriormente: 
o internacionalismo. Com as influências da FORA (Federação Operária Regional Argentina) – 
de bases anarco-sindicalistas – a federação passa-se a chamar Federação Operária Regional 
Brasileira, com forte influência anarquista e que terá a possibilidade de uma reunião 
geral (Congresso) no ano de 1906.

Esse Congresso, chamado primeiramente de Congresso Operário Regional Brasileiro , contou 
com a participação de 43 delegados de vários estados do Brasil representando as 28 
associações de trabalhadores. Em deliberação, aprovou-se a filiação (muito mais uma 
continuação) das teses do congresso ao modelo do sindicalismo revolucionário francês .

Do Congresso que surgirá a COB (oficialmente em 1908) está próximo aos moldes do 
anarco-sindicalismo da FTRE (Federación de Trabajadores de la Región Española) fundada em 
1881 advinda da FRE (Federación Regional Española) de 1870 (CORRÊA, 2012, p. 218). Nesse 
congresso foi deliberado que não ocorreria nenhuma vinculação a partidos (ou a um modelo 
ou diretriz proletária), sendo que o congresso via “como ’única base sólida de acordo e de 
ação’ os interesses econômicos comuns a toda classe operária” (DULLES, 1977, p. 27). É 
compreendendo a realidade operária como uma interpretação do passado que a COB reafirmaria 
suas bases sem uma doutrina política única a ser seguida. Porém, há de ressaltar que os 
militantes anarquistas não eram a maioria, mas apesar disso, compunham a hegemonia do 
pensamento no interior do Congresso. De fato, isso não nos autoriza a dizer que o Primeiro 
Congresso Operário defendeu o anarco-sindicalismo ou o anarquismo. O Primeiro Congresso, 
como veremos adiante, assumirá o sindicalismo revolucionário e não, o anarco-sindicalismo.

Nos liames da compreensão do método federativo como “o único método de organização 
compatível com o irreprimível sentimento de liberdade”, o tema 3 das bases do Congresso, 
que tocava no assunto da organização, definia a federação como:

(...) a mais larga autonomia do indivíduo no sindicato, do sindicato na federação e da 
federação na confederação e como unicamente admissíveis simples delegações de função sem 
autoridade, e delibera, outrossim, fazer as necessárias práticas para a sua fundação 
(...). Delibera também que a Confederação só admita sindicatos cuja base essencial seja a 
resistência sobre o terreno econômico (PINHEIRO e HALL, 1979, p. 49).

No tocante à Ação Operária, o Congresso aprovaria uma das bases pilares do sindicalismo 
revolucionário: a ação direta. A ação direta era composta por diversas ações, 
destacando-se a greve geral ou parcial, o boicote, a sabotagem, etc.

SOBRE AÇÃO OPERÁRIA

Tema 1
“(...) o Congresso aconselha como meios de ação das sociedades de resistência ou 
sindicatos todos aqueles que dependem do exercício direto e imediato de sua atividade, 
tais como a greve geral ou parcial, a boicotagem, a sabotagem, o label, as manifestações 
públicas, etc., variáveis segundo as circunstâncias de lugar e de momento” (idem, 1979, p. 
51).

Ainda de acordo com as Bases do Acordo da Confederação Operária Brasileira, aprovadas pelo 
Congresso, dever-se-ia constituir um jornal que levasse a cabo as lutas dos trabalhadores. 
Nesse sentido, o objetivo de criar o jornal A Voz do Trabalhador (nome já definido no 
Primeiro Congresso), seria o de “estudar e propagar os meios de emancipação do 
proletariado e defender em público as reivindicações econômicas dos trabalhadores (...)” 
(idem, p. 42).

O JORNAL

O órgão da Confederação será redigido por uma comissão escolhida entre os seus membros e 
pela Comissão Confederal e publicará, segundo esta ordem, de preferência:

1.°) Informações sobre o movimento operário e associativo;
a) Resumo das resoluções das sociedade aderentes;
b) Convocação e avisos das sociedades aderentes;
c) Artigos que a redação considerar contidos nos limites marcados pelas presentes bases de 
acordo, assim como redigidos de modo compreensível, e isentos de questões pessoais.

11 – O Congresso dirá, cada ano, se a redação do jornal correspondeu à confiança nela 
depositada (idem, p. 43).

O jornal A Terra Livre, que tem Neno Vasco como principal editor, no número de 13 de 
agosto de 1906 irá ressaltar que

A Internacional, desfeita por causa das lutas de partido no seu seio, deve ser memorável 
lição para todos. Se o Congresso tivesse tomado um caráter libertário, teria feito obra de 
partido, não de classe. (...) Mas se o Congresso se não foi, a vitória do anarquismo, foi, 
porém, indiretamente útil à difusão das nossas ideias (A TERRA LIVRE apud RODRIGUES, 1969, 
p. 131).

Dessa forma, o Congresso não se definiu como anarquista, mas assumiu um caráter 
revolucionário de bases sindicalistas. A outra grande preocupação do Primeiro Congresso 
Operário Brasileiro foi “a transformação de todas as entidades operárias em sindicatos de 
ofício, cujos objetivos seriam a defesa dos interesses econômicos e a resistência” 
(SEGATTO, 1987, p. 38).

É importante ressaltar que durante toda a Primeira República do Brasil, a imprensa 
operária foi um importante órgão da propaganda libertária. Nesse âmago, o periódico A Voz 
do Trabalhador circulou de 1908 até 1915 e era a publicação oficial da Confederação 
Operária Brasileira, (SILVA, s/d, p. 13) sob a direção do operário gráfico espanhol Manuel 
Moscoso.

Entendemos então que foi com o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, que iria constituir 
a COB (Confederação Operária Brasileira) se instituiu um modelo organizativo 
revolucionário que naquele período foi de suma importância ao movimento operário 
revolucionário: o sindicalismo revolucionário. Todas as teses básicas do sindicalismo 
revolucionário – neutralidade sindical, federalismo, descentralização, antimilitarismo, 
ação direta, greve geral, antinacionalismo, violência revolucionária, etc. estão contidas 
nas declarações dos congressistas (NETO, 2007, p.26). Dessa forma, de acordo com Edgar 
Rodrigues, quando vem à tona esse novo tipo de sindicalismo ocorre uma substituição do 
sindicalismo de caráter reformista.

O sindicalismo reformista e possibilista dava lugar a um novo movimento operário de cariz 
revolucionário que, sem desprezar as reivindicações econômicas imediatas, introduziu novos 
objetivos como a instrução e a capacitação profissional, a cultura de seus associados 
através do esperanto, do conhecimento da história social e da filosofia. (...) O 
jornalismo, o teatro amador de contestação e a poesia, eram alguns dos meios usados pelo 
movimento operário para construir a sua própria cultura, tendo por meta o ideal social de 
autogestão Seu objetivo era provocar a derrocada do Estado, acabar com o regime de pobres 
e ricos, de exploradores e explorados, para reconstruir em cima das ruínas do velho 
sistema burguês uma Sociedade Nova, autogerida, onde todos tivessem direitos e deveres 
iguais. Estes temas começaram a ser frequentemente tratados na imprensa operária e social, 
tornando-se uma verdadeira escola para os trabalhadores ligados a este sindicalismo 
autônomo (RODRIGUES, 1997, s/p).

Muitos autores ao longo de suas produções confundiam ou colocavam o anarco-sindicalismo 
como sinônimo de sindicalismo revolucionário. Felipe Corrêa e Alexandre Samis fazem uma 
análise mais detida e que aprofunda essa discussão, não desvinculando um ou outro ao 
anarquismo, mas as analisando enquanto estratégias do anarquismo. Para o autor “o 
sindicalismo revolucionário nunca se colocou, explícita e conscientemente, em vínculo com 
o anarquismo” (CORRÊA, 2011, p. 83). Porém, isso não deixa de vincular o anarquismo ao 
sindicalismo revolucionário.

O sindicalismo revolucionário é uma estratégia do anarquismo – um vetor social -, que foi 
impulsionada determinantemente pelos anarquistas, ainda que tenha tomado corpo em todo um 
contingente popular amplo de anarquistas e não-anarquistas, corpo esse que constituiu sua 
verdadeira base, e faz com que não seja possível atribuir completamente o fenômeno do 
sindicalismo revolucionário aos anarquistas (idem, p. 83).

O autor ainda continua:

“O que diferencia esse sindicalismo revolucionário do anarco-sindicalismo é que o primeiro 
nunca se vinculou explicitamente e conscientemente ao anarquismo, diferentemente do 
segundo” (idem, p. 83).

Assim, entende-se que uma organização anarco-sindicalista tem em suas bases, os princípios 
anarquistas; e uma organização sindicalista revolucionária, no caso o sindicato, não tinha 
nas suas bases apenas aos princípios anarquistas . Esta última, deveria ter o acúmulo de 
forças para “ser uma associação da classe trabalhadora, abarcando dentro de si quaisquer 
trabalhadores que, na condição de assalariados, e tendo em comum as necessidades 
econômicas, poderiam utilizar a ação direta como meio de luta” (idem, p. 135). Porém, é 
interessante dizer que os sindicatos foram um importante espaço de militância para os 
anarquistas nas décadas de 1900, 1910 e 1920 no Brasil, mas nunca o único espaço de 
organização. Afirmar isso seria negar toda a construção histórica de estratégias de luta 
que o anarquismo construiu ao longo de suas lutas e seria, no mínimo, um reducionismo com 
grandes consequências.

Ao analisar o Primeiro Congresso, Alexandre Samis cita o português e anarquista Neno 
Vasco, que afirmara: “O Congresso não foi, de certo, uma vitória do anarquismo. Não o 
devia ser. (...) Se o Congresso tivesse tomado caráter libertário [querendo dizer, 
anarquista], teria feito obra de partido, não de classe” (SAMIS, 2002, p. 196) [observação 
e grifo nosso].

No ano de 1912, após a organização do chamado Congresso Pelego feito por Mário da Fonseca, 
filho do presidente da República Hermes da Fonseca, a Federação Operária do Rio de Janeiro 
nomeou a Comissão Reorganizadora da COB com o intuito de rearticular a formação do Segundo 
Congresso Operário que aconteceria em setembro do próximo ano. De acordo com o historiador 
Alexandre Samis, deste Congresso que contou com a participação de duas federações 
estaduais, cinco federações locais e mais de cinquenta sindicatos, quatro jornais (A Voz 
do Trabalhador, do Rio de Janeiro; A Lanterna, de São Paulo; Germinal, de São Paulo e O 
Trabalho de Bagé, Rio de Janeiro), ligas e associações do país, a “representatividade 
havia crescido e, na sua grande maioria, as propostas do Primeiro Congresso foram 
corroboradas pelas plenárias de 1913” (SAMIS, 2004, p. 137). No entanto, o cerne das 
discussões deste Congresso girava em torno das questões de cooperativismo, carga horária 
diária de trabalho, salário mínimo, bolsas de trabalho e principalmente, do modelo 
organizativo, afirmando mais uma vez o sindicalismo revolucionário.

Os Temas

Tema 1

“(...) O Segundo Congresso Operário Brasileiro, mesmo tendo em conta a devida liberdade de 
preferências e de ação política dada aos sindicatos fora do sindicato, convida a classe 
trabalhadora do Brasil a, repelindo a influência dissolvente da política, dedicar-se à 
obra da orgabização operária sindicalista, que, considerada dentro da ação operária, é o 
meio mais eficaz e mais poderoso para a conquista de melhoras imediatas de que necessita 
para o fortalecimento da luta para a sua completa emancipação” (PINHEIRO e HALL, 1979, p. 
188).

De salutar importância é ressaltar que o Segundo Congresso aprovou um vínculo direto da 
organização com o anarquismo (anarco-sindicalismo, portanto), mas essa resolução nunca foi 
implementada, deixando as bases resolutivas do Congresso mantidas, confirmando as mesmas 
resoluções do Primeiro Congresso com algumas alterações de conjuntura, época, etc. 
(PINHEIRO e HALL, 1979, p. 188).
No limiar das discussões sobre o papel do Congresso, o que e como os trabalhadores deverão 
se organizar, surge a questão das bolsas de trabalho. Estas bolsas estavam em discussão 
pelo caráter quase integral que alguns militantes tinham na COB. Assim, definiu, por negar 
o funcionalismo burocrático. Assim,

o Segundo Congresso Operário Brasileiro entende que a obra essencial e primária da 
organização é a resistência e a propaganda e que, por isso, a instalação de bolsas de 
trabalho não deve nunca embaraçar a ação de resistência, devendo o serviço de colocação 
ser feito pelas próprias comissões administrativas dos sindicatos, para se evitar o 
funcionalismo burocrático (idem, p. 194).

As bases definidas no Segundo Congresso são mais eficazes e mais claras no que diz 
respeito à propaganda e à educação para os trabalhadores. Além da questão das bolsas de 
trabalho, instituiu-se a retomada de A Voz do Trabalhador, já que a imprensa operária “é o 
meio mais eficaz para orientar as massas populares” (idem, p. 196). É nesse contexto de 
apoio à imprensa operária que o trabalho de Maria Nazarteh Ferreira (1988) tem destaque ao 
apontar que existiam cerca de 343 títulos de jornais operário no território brasileiro. O 
reaparecimento do jornal oficial da COB foi um fator de ascenso desta organização, já que 
o próprio jornal era entendido como “ reflexo de todo o movimento operário do Brasil” 
(idem, p. 210).

Retomando as decisões do Segundo Congresso, ficou-se aprovado ainda na seção Moções de 
Solidariedade, o caráter internacionalista da luta pela emancipação humana. Moções de 
apoio foram mandadas à trabalhadores do México, CGT da França, trabalhadores de Portugal e 
da Espanha, para reafirmar “o espírito de solidariedade” que deve “estar de perfeito 
estado para todos os trabalhadores do globo” (idem, p. 202). Esta rede de solidariedade 
internacional daria cabo à criação no de 1915 do Congresso Internacional da Paz e ao 
Congresso Anarquista Sul-Americano, sendo que este último tinha o papel de “clivar 
diferenças sensíveis entre o sindicalismo e o anarquismo” (SAMIS, 2004, p. 138).

Continuando ainda os apoios, na Terceira Parte do Relatório da Confederação Operária 
Brasileira, veicula-se uma homenagem para Francisco Ferrer y Guardia, anarquista espanhol 
que foi fuzilado em 13 de outubro de 1909 pelo governo espanhol. Ferrer, o criador das 
Escolas Modernas foi caracterizado como um “homem que soube num decênio de penoso estudo 
constituir um exército de homens educados nos mais elevados sentimentos de solidariedade” 
e assim, “grande foi o abalo sentido pelo operariado consciente do Brasil” (idem, p. 210). 
Ainda destaca-se a decisão de recusar fórmulas burocráticas nos estatutos sindicais, além 
de reafirmar a propaganda anti-militarista e do internacionalismo.
Afirma Pinheiro e Hall (1979, p. 172),

O Congresso Operário de 1913 continuava a linha adotada pelo Congresso de 1906 (...). A 
linguagem é algumas vezes mais militante do que a do congresso anterior, e há alguns 
toques bastante ecléticos (como no tema 10), mas o teor geral continua a ser 
sindicalista-revolucionário, como em 1906. O folheto do congresso, que vai reproduzido 
abaixo, juntamente com as resoluções, também inclui informação sobre a preparação do 
congresso, e um pequeno histórico da Confederação Operária Brasileira (COB), que permitem 
compreender melhor o significado do congresso.

Cerca de um ano pós o Segundo Congresso Operário, no número 63 datado de 1º de outubro de 
1914, o jornal A Voz do Trabalhador publicava uma apelo aos trabalhadores para se 
manifestarem novamente contra a Guerra Mundial. Neste número, o texto A Internacional 
Operária Contra a Guerra reafirmava o caráter internacionalista dos pressupostos 
defendidos pelo jornal e reafirmados no Segundo Congresso.
Diversas organizações operarias, atendendo ao apelo da Confederação Operaria Brazileira, 
realizaram em suas sédes, no dia 13 de setembro findo, comícios e sessões de protesto 
contra a atual conflagração europeia de solidariedade para com o operariado de todos os 
paizes em luta! Em diversas cidades, como no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, 
Santos, etc., a policia, zelosa no apoio aos opressores das classes trabalhadoras, não 
permitiu a efetuação das manifestações operarias nem mesmo na séde de suas associações! 
Abaixo a tirania burgueza! Abaixo a guerra! Viva a solidariedade universal! (A VOZ DO 
TRABALHADOR, nº 63, 1º de outubro de 1914, p. 1).

Outro elemento recorrente na imprensa da COB era os apelos pela paz mundial. A Primeira 
Guerra Mundial que assolava a Europa tinha ecos no Brasil e aqui, o jornal A Voz do 
Trabalhador fazia apelos contra o militarismo. No número de 7 de abril de 1915, vem em 
destaque no artigo Pela Paz – O grande comício de hoje que esse movimento “de carater 
essencialmente internacional,a ajitação de hoje constituirá a primeira grande manifestação 
publica a favor da paz, contra a guerra”. E ainda, “insistimos vivamente para que nenhum 
dos nossos amigos deixe de, com sua prezença, contribuir para a impotencia a significação 
da manifestação” (A VOZ DO TRABALHADOR, nº 69, p. 2).

Na Europa o bolchevismo tornava-se vitorioso, colocando abaixo, via repressão, os 
conselhos operários. Tais acontecimentos tiveram ressonâncias em todo o mundo, causando o 
processo de criação de Partidos Comunistas, como por exemplo, o PCB. No caso específico do 
Brasil, vários militantes anarquistas irão arregimentar a justificativa do bolchevismo no 
Brasil , concordando com as teses da Terceira Internacional. Isso sem dúvida foi um 
elemento estruturante que contribuiu para a derrocada do sindicalismo revolucionário, se 
não, do anarquismo no Brasil.

No ano de 1920 organizar-se-á o Terceiro Congresso Operário Brasileiro que tem algumas 
particularidades que remetem a própria dinâmica que o país estava passando: a 
transformação do quadro industrial no Pós-Primeira Guerra Mundial. Conforme Neto (2007) 
aponta, a “I Guerra Mundial criou condições favoráveis ao rápido crescimento da indústria 
brasileira” (idem, p. 14). Além disso, vários acontecimentos, como por exemplo, as greves 
de 1917, sobretudo a Greve Geral de julho na cidade de São Paulo e suas ressonâncias, 
foram elementares para a nova dinâmica da COB.

De acordo com o Boletim da Comissão Executiva do 3º Congresso Operário, as questões do 
contexto são passíveis e necessárias de serem analisadas. Vejamos:

O 3º C.O.B., tendo em vista as condições particulares aos meios operarios do Brazil, 
reaffirma em suas linhas geraes as declarações feitas nos Congressos de 1906 e 1913; por 
outro lado, porém, examinando e ponderando a situação historica de facto em que se 
encontra o proletariado mundial neste momento, julga necessário estabelecer, em termos 
precisos, um criterio fundamental, positivo e realista, pelo qual deverão orientar-se 
todas as organizações, todas as lutas, todos os esforços dos trabalhadores do Brazil 
(Boletim da Comissão Executiva do 3º Congresso Operário, Ano I, nº I, agosto de 1920).

Assim, de acordo com Samis (2004, p. 139), o Terceiro Congresso realizado em 1920, 
defendeu a prioridade da sindicalização por indústrias, em “detrimento da organização por 
ofícios”, sendo que as decisões dos congressos anteriores são reafirmadas com certas 
questões particulares do próprio contexto. Essa resolução que aprovara a preferências 
pelos sindicatos de indústria em detrimento dos de comércio é bastante clara. Essa 
substituição reflete as alterações tecnológicas em curso, pois “preconizava a organização 
de sindicatos de indústria, em lugar dos sindicatos de ofício” (NETO, 2007, p. 14).

Outro elemento específico de declínio do sindicalismo cobista vem na década de 1920. O 
brasilianista Jhon W. Foster Dulles afirma que a Liga Operária da Construção Civil de São 
Paulo propôs ao Terceiro Congresso que se filiasse a Terceira Internacional, caso que não 
ocorreu por posições de Astrojildo Pereira (este se vinculará ao bolchevismo 
posteriormente) e Edgard Leuenroth . Porém, a decisão do Congresso foi o de “transmitir 
seus ‘votos de felicidade ao importante acontecimento de Moscou, cujos princípios ferais 
verdadeiramente correspondem às aspirações de liberdade e igualdade dos trabalhadores de 
todo o mundo’” (DULLES, 1977, p. 113). No entanto, a criação do PCB em 1922 e as disputas 
entre anarquistas e bolchevistas sob o controle dos sindicatos de resistência, que 
resultaram no conflito entre diversas federações, foi fator crucial de derrota do 
sindicalismo revolucionário. Concomitantemente, a constante repressão do Estado favoreceu 
para esta derrocada.

Por fim, compreende-se que os Congressos Operários foram assumidamente sindicalistas 
revolucionários, compostos por princípios que não são exclusivamente anarquistas. O 
sindicato que representava um espaço de luta do proletariado se tornou um empecilho e um 
amortecedor do conflito capital/trabalho. Essa conjuntura sócio-histórica tem algumas 
particularidades: a veemência repressiva do Estado, por exemplo, na terceira reformulação 
da lei Adolfo Gordo, de 1921, que previa a deportação dos indesejáveis (anarquistas, 
principalmente), a constância de deportações para Clevelândia (colônia penal situada no 
situada no atual estado do Amapá, entre 1924 e 1926) (SAMIS, 2002), a constância de 
invasões e prisões de redatores de jornais libertários, etc. Além disso, havia também um 
refluxo das lutas sociais após a contrarrevolução burocrática da Rússia, o processo de 
bolchevização das organizações sociais atreladas ao seu natural burocratismo (por exemplo, 
a eminência da vanguarda).

Assim, a força do burocratismo estatal dos sindicatos e, sobretudo, com a ascensão do 
Partido Comunista do Brasil na década de 20 e das medidas do governo getulista marcaram o 
caminhar a passos largos para o enfraquecimento, senão, para o fim do sindicalismo de 
bases revolucionárias para se tornar um local a ser combatido. Combater os sindicatos hoje 
se torna um passo importante para o fim da sociedade de classes.


João Gabriel da Fonseca Mateus

FONTES E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOLETIM DA COMISSÃO EXECUTIVA DO 3º CONGRESSO OPERÁRIO. Ano I, nº I, agosto de 1920.
CORRÊA, Felipe. Ideologia e Estratégia: anarquismo, movimento sociais e poder popular. São 
Paulo: Faísca, 2011.
CORRÊA, Felipe. Rediscutindo o anarquismo: uma abordagem teórica. Dissertação (Mestrado). 
Programa de Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da Universidade de São 
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FERREIRA, Maria Nazareth. Imprensa Operária no Brasil. São Paulo: Ática, 1988.
Jornal A VOZ DO TRABALHADOR, Órgão da Confederação Operária Brasileira. Ano VII, nº 63, 1º 
de outubro de 1914.
Jornal A VOZ DO TRABALHADOR, Órgão da Confederação Operária Brasileira. Ano VIII, nº 69, 7 
de abril de 1915.
NETO, Oscar Farinha. A Atuação Libertária no Brasil: A Federação Anarco-Sindicalista. Rio 
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In: COLOMBO, Eduardo (orgs.). História do Movimento Operário Revolucionário. São Paulo: 
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São Paulo: Imaginário, 2002.
SEGATTO, José Antonio. A Formação da Classe Operária no Brasil. São Paulo: Mercado Aberto, 
1987.
SILVA, J. O Nascimento da Organização Sindical no Brasil e as Primeiras Lutas Operárias 
(1890-1935). S/d.
VASCO, Neno. Concepção Anarquista do Sindicato. Porto: Afrontamento, 1984.

  by João Gabriel da Fonseca Mateus - MOVAUT - Movimento Autogestionário

http://www.anarkismo.net/article/25365


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