(pt) Anarkismo.net: A direita venezuelana na ofensiva (en)

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Segunda-Feira, 22 de Abril de 2013 - 15:30:53 CEST


Os riscos de golpe de Estado seguem sendo reais na Venezuela, incluindo análises 
midiáticas mais à direita apostando que Nicolás Maduro não irá concluir seu mandato. Para 
além do chavismo político, as garantias dos direitos adquiridos estão no movimento 
bolivariano. ---- Nicolás Maduro, presidente eleito da Venezuela, sucessor político 
indicado por Hugo Chávez, começa seu governo da maneira mais difícil possível. O Conselho 
Nacional Eleitoral (CNE) proclamou-o chefe do Poder Executivo após totalizar a contagem 
dos votos em um pleito com a participação de 79,17% dos eleitores. Maduro, à frente do 
PSUV, obteve 50,75% dos votos (7.563.747) e Henrique Capriles, governador do estado de 
Miranda representando a Mesa de Unidade Democrática (MUD), recebera 48,97% (7.298.491).

Houve elevada abstenção, estando ausente mais de 20% do eleitorado. A novidade é a direita 
fortalecida, vencendo em sete estados, ao invés de somente em três como nas eleições de 
dezembro, com Chávez ainda vivo.

A apertada diferença de apenas de 273 mil votos, encoraja a oposição encabeçada pela 
oligarquia a convocar seu eleitorado a ocupar as ruas e contestar a legitimidade do 
resultado. O pedido de recontagem é uma forma de pôr em dúvida a transparência de um 
processo de escrutínio legitimado por órgãos internacionais. Opera como uma manobra para 
acumulação de forças em dois níveis. Dentro da direita venezuelana, Capriles cria 
musculatura, legitimando-se como líder inequívoco, sendo a única opção válida para metade 
do eleitorado do país. Já no confronto com o Palácio Miraflores, afirma poder ser tão duro 
como seus aliados golpistas de 2002 e 2003. Se puder derrubar o processo eleitoral, 
causando uma comoção nacional através de recontagem, melhor. Na ausência desta 
possibilidade, minar a situação agora operando em uma condição nova – a do chavismo sem 
Chávez -, possibilita uma vitória em referendo revogatório em três anos.

Na arena externa, a margem apertada anima os EUA. O Departamento de Estado, tendo à frente 
o novo secretário John Kerry, querendo mostrar serviço e obter vitórias político-militares 
como teve Hillary Clinton, já se antecipou afirmando ver com bons olhos uma recontagem. 
Que ninguém se assuste com a escalada paulatina de violência de rua e possíveis intentos 
de fraturas institucionais em governos de estados e prefeituras. O provável é gerarem 
muita confusão no curto prazo. A meta é essa, tentando impedir Maduro de governar, 
forçando-o a endurecer com a oposição pela via institucional, através das forças armadas e 
do aparelho judicial. O procedimento implica em sucessivas comoções nacionais e 
desabastecimento, fracionamento do PSUV e do alto comando castrense para chegar a criar as 
condições para um golpe de Estado. Anos difíceis começam.

Bruno Lima Rocha

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