(pt) Anarkio.net: Aspectos da luta na guerra de classes (en)

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Sábado, 20 de Abril de 2013 - 16:41:24 CEST


Em uma guerra, ou se luta, ou morre. Estamos em uma guerra de classes, conflitos entre 
grupos diferentes. Os sinais desta guerra estão claros: medidas de defesa, de segurança e 
urgência que se aumente sempre, desconfiança generalizada, mortes diárias de todos os 
setores (principalmente dos oprimidxs e exploradxs), ataques por todos os lados, muito 
sofrimento, ansiedade motivados por uma crescente competitividade, cobiça, ganância e 
inveja que mostram o declínio social imposto pelo capital, a banalização da violência, 
aumento da intolerância e do isolamento individual em uma sociedade marcada pelo consumo 
excessivo de supérfluos, levando a uma decadência total que beneficia apenas um pequeno 
grupo. ---- Isso foi assunto de outros textos e livros, nesse abordaremos os aspectos da 
luta na guerra de classes, um vez que se constata que nossa gente oprimida e explorada 
pouco se prepara para luta.

E quando se usa luta, o sentido engloba tanto os fundamentos teóricos: filosóficos, 
históricos, sociológicos, econômicos, políticos relacionados a exploração e opressão de 
nossa gente. Os fundamentos práticos são a organização, os movimentos populares, sociais, 
processos educacionais e culturais.

Os aspectos teóricos são muito trabalhados, discutidos a ponto de haver uma negligencia em 
outros aspectos.

Existe uma preparação tímida para a luta, isso gera um despreparo, receio e medo do 
confronto direto. Não compomos uma força comum de luta e existe uma divergência enorme 
sobre quais aspectos dessa luta seja feita. Esse efeito é resultado de gerações que buscam 
o reformismo e o parlamentarismo como solução dos problemas sociais e o controle do Estado 
que é uma estrutura criado pela sociedade mas que há subjugou a tempos. Sim é possível 
existir sociedades sem Estado, mas não Estados sem sociedade. De qualquer jeito, há muito 
tempo a prática revolucionária sempre propôs o rompimento com os modelos opressores e no 
caso do anarquismo, um rompimento visceral com tudo, de forma que a sociedade se organize 
um novo molde, administrada diretamente por todxs, flexível e dinâmica conforme os 
interesses sociais do coletivo e a livre manifestação, participação e compromisso de cada 
um com essa proposta.

Percebe-se que há muito tempo a proposta anarquista é extremamente exigente com cada 
indivídux, é uma deseducação do modelo de submissão para um modelo de emancipação e cada 
um precisa assumir esse compromisso, sem isso, a luta é vazia, incerta, vaga e desorientada.

Lutar é aprender técnicas, estratégias teóricas e práticas, que aqui no caso, as propostas 
libertárias e métodos de enfrentamento direto, sem ter a necessidade de intermediários 
“parlamentares”, “partidos”, que atrapalham em vez de acelerar o processo emancipatório.

Como se desenvolve isso? O primeiro passo é o compromisso individual com a proposta, isso 
já elimina a necessidade de um modelo disciplinador e “hierárquico”. Porque a emancipação 
libertária propõe a relação entre seres livres e de iniciativa, independentes e não um 
grupo “massa de manobra” submetido a lógica reformista e esperando ordens dos mais velhos, 
dos mais experientes, o em nada é anarquista. O preparo é diário:
A leitura de materiais e produção também de materiais críticos pensados na luta loca, das 
necessidades urgentes de onde mora, de onde trabalha, de onde vive, é onde o bicho pega, é 
onde estamos e onde nossa gente está.

O treino físico é muito importante porque sem saúde, não há luta, deve-se evitar os vícios 
lícitos e ilícitos, que são uma forma de controle social, válvulas de escape e de ilusão, 
entorpecedores da iniciativa e da prontidão da resposta revolucionária. A manutenção de 
nosso corpo, preservando-o com saúde, praticando esportes e artes marciais com a intenção 
de estarmos prontxs as demandas práticas da luta de fato, enfrentando a repressão.

A sociabilidade entre iguais contraponto o isolamento individual do modelo totalitário. 
Manter relações companheiras com a vizinhança, com a família, no trabalho é muito 
importante. A proposta anarquista deve estar clara e apresentada sempre em cada momento, 
mas não com algo vazio e longínquo, mas sermos o exemplo de sua implementação sempre, não 
importa o ambiente em que se esteja. É claro que isso necessita que tenhamos as bases do 
anarquismo, que escrevemos acima, sempre presente, uma referência para nossos atos. Os 
conflitos ocorrerão mesmo nesse processo e são desejáveis, é a base para nossa reflexão, 
já que o modelo anarquista permite por sua dinâmica revolucionária, libertária e 
emancipatória, uma constante autocritica sobre o processo.

Podemos expressar isso assim: tudo é permitido desde que não aja exploração e opressão, 
seja de onde for e por quem for, para construir o comunismo libertário (anarquismo) 
através de bases libertárias. Desdobrando isso vemos que se evita o modelo político 
vigente porque é partidário, é clientelista e reformista, retira da sociedade sua potência 
transformadora, a capacidade de luta direta e a torna passiva no processo, favorecendo os 
grupos dominantes, que oprimem e exploram essa situação e a reproduz por gerações. se 
evita o modelo capitalista por que ele é opressor e explorador das riquezas e as concentra 
em grupos pequenos e esses controlam todo resto por influência administrativa 
hierarquizada e autoritária. Evita-se o modelo patriarcal que é a submissão de um gênero 
sobre outrx. Evita-se a propriedade de posse e a herança por serem elementos de exclusão 
social e a principal fonte das desigualdade sociais absurdas que existem a séculos na 
humanidade. Evitamos as religiões por serem fonte de ilusão e opressão permanente, além de 
exploradoras de má-fé da boa fé de seus fiéis.
Em fim, a luta existe e devemos faze-la, organizadxs.
Nos vemos nas ruas!


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