(pt) Federação Anarquista Gaúcha - Opinão Anarquista, Abril de 2013

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Sexta-Feira, 19 de Abril de 2013 - 10:18:23 CEST


É HORA DE AVANÇAR! Fortalecendo nossa organização.Defendendo nossos direitos! ---- A 
semana que sucedeu o anúncio do aumento nas tarifas de ônibus em Porto Alegre foi marcada 
por uma reação popular há tempos sem precedentes. Após anos de protestos contra os 
abusivosaumentos que não passavam de pequenas demonstrações de repúdio com pouca ou 
nenhumarepercussão, ainda assim de grande importância, as coisas felizmente começaram a 
tomar um novocontorno desde o começo deste ano. Longe de terem sido mobilizações virtuais, 
essa reação é frutode um árduo trabalho de inúmeros companheiros e companheiras, onde 
modestamente temosaportado nossa contribuição. ----  Ao ser retomada a constituição do 
Bloco de Luta pelo Transporte Público, espaço organizativo que dinamizou as lutas ao longo 
do último ano, mas que por inúmeros fatores se dissolveu em meio a diversas disputas, o 
movimento logrou uma maturidade ímpar de acumular forças em um espaço organizativo plural.

A necessidade de uma unidade maior, com o estabelecimento, a cobrançae execução de 
acordos, garantiu a permanência do Bloco, dinamizando ações e potencializando uma 
importante unidade que se desenvolveu com os trabalhadores rodoviários em luta contra a 
patronal e a corrupta burocracia de seu sindicato.

Tivemos momentos importantes junto aos trabalhadores rodoviários. Ombro a ombro trancamos 
algumas garagens com a companheirada dessa digna categoria, um ato de solidariedade de 
classe que pronto foi retribuída em nossas mobilizações, quando era nítida a manifestação 
da categoria em apoio à luta. A unidade em torno do Bloco, portanto, foi algo que para 
além de dinamizar a relação com inúmeras entidades e agrupações estudantis, forjou essa 
importante unidade com os/as trabalhadores/as do setor, uma conquista sem precedentes não 
apenas nas lutas contra o aumento da passagem e pelo passe livre estudantil e para 
desempregados, mas para o conjunto das lutas sociais em nossa cidade e estado. Na prática, 
demonstramos o princípio da solidariedade de classe e que é possível acumular e avançar 
contra nossos inimigos quando unificamos e coordenamos as lutas.

Para além do Bloco, nossa militância também esteve envolvida na articulação de outro 
importante espaço organizativo, a Frente Autônoma (FA). Organizando companheiros/as sem 
filiação partidária e oriundos/as das mais distintas vertentes libertárias, a FA foi um 
importante espaço para garantir uma maior organicidade deste setor e cobrar a coerência 
frente aos acordos estabelecidos em conjunto com as demais forças.

  A unidade em torno do Bloco, portanto, foi algo que para além de dinamizar a relação com 
inúmeras entidades e agrupações estudantis, forjou essa importante unidade com os/as 
trabalhadores/as do setor, uma conquista sem precedentes não apenas nas lutas contra o 
aumento da passagem e pelo passe livre estudantil e para desempregados, mas para o 
conjunto das lutas sociais em nossa cidade e estado.

Para além disso, também dinamizou a execução de determinados trabalhos de base com maior 
autonomia, como a ocupação de importantes terminais rodoviários, onde realizamos 
panfletagem e discussão com o povo ali presente.

Todo esse longo trabalho de formiga se manifesto una última semana, após o anúncio do 
aumento. O forte trabalho organizativo e agitativo, aliado a  indignação de mais um 
aumento abusivo, que este ano contou inclusive com o rechaço do Tribunal de Contas do 
Estado (TCE), que apontou superfaturamento na tarifa, indicando o valor de R$2,60, 
resultou no estalar das maiores mobilizações contra o aumento que a cidade já presenciou. 
Logo na segunda-feira, 19/03, foram 2 atos coordenados e simultâneos que bloquearam duas 
das principais avenidas de Porto Alegre: as Avenidas Bento Gonçalves e Ipiranga, nas 
respectivas alturas do Campus do Vale da UFRGS e da PUC. A repressão da choque no ato na 
PUC e a constante provocação da Brigada aos que marchavam na Bento não conseguiu acabar 
com os atos, que se juntaram em frente a PUC, estendendo o bloqueio da Ipiranga até as 22h.

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EM DEFESA DO TRANSPORTE PÚBLICO! PELA REDUÇÃO DA PASSAGEM!!!
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Demonstramos a força do movimento nas ruas. Na quarta-feira, os atos atingiram seu ápice. 
Milhares de lutadores(as) dizendo NÃO ao aumento, concentrados em frente a prefeitura e 
exigindo a redução da tarifa. Depois de um empurra-empurra em frente a porta do prédio, 
onde se tentou forçar a entrada, algumas “bombas” de tinta são arremessadas, chegando a 
atingir o secretário municipal de coordenação política e governança, César Busatto. 
Busatto é o mesmo que, quando chefe da casa civil do governo Yeda (PSDB), foi acusado de 
chefiar a pilhagem de verbas do Detran para organização de caixa dois. Ao ser atingido por 
tinta, Busatto saiu a público fazendo um escândalo, como se houvesse sido alvejado por 
balas de fogo e acusando-nos de dano e prejuízos aos cofres públicos.

Em meio à essa tensão, uma companheira foi arrastada a força pelos agentes de segurança 
para dentro da prefeitura e algemada. Era a faísca que faltava para exaltar os ânimos de 
companheiros/asexaustos/as de tanta humilhação e desrespeito promovidos por essa aliança 
entre poder público, empresas de transporte e meios de comunicação de massa. A resposta 
foi imediata e à altura, quando iniciou-se, espontaneamente, frisamos, o apedrejamento das 
janelas da prefeitura e de algumas viaturas da guarda municipal. O batalhão de choque foi 
acionado, atirando bombas de efeito moral e avançando sadicamente em direção a um 
companheiro que se encontrava parado. O resultado: o companheiro atirado de cabeça em cima 
de um meio fio, pisoteado e ferido gravemente. Até o momento não temos informações sobre 
este companheiro e tememos pelo pior.

Mesmo com a forte repressão do choque, o movimento deu mais uma contundente demonstração 
de força, acúmulo e disposição de seguir em frente, haja o que houver. Manteve sua 
unidade, não dispersou frente ao covarde ataque do choque e seguiu em marcha ao palácio da 
polícia para corretamente reivindicar a liberação da companheira detida. É importante 
enfatizarmos que, assim como a solidariedade de classe que temos desenvolvido com os/as 
trabalhadores/as rodoviários/as, a solidariedade para com companheiras/os presas/os também 
é princípio. Se tocam um/a, tocam todos/as, e essa convicção deve estar entranhada em 
todos nós quando tomamos asruas.

É hora de reforçarmos o espírito de seguir ocupando as ruas, exercendo a ação direta, não 
se intimidando com a ação repressiva da brigada e muito menos com a campanha de difamação 
que nesse momento desenvolve a grande imprensa. Nessa guerra psicológica, joga um papel 
especial a RB$ e seu gorila de plantão, Lasier Martins. Não podemos confundir opinião 
pública com a agitação destes meios, que mais do que nunca, exercem o papel de aparelho 
ideológico das companhias de ônibus e da administração Fortunatti (PDT). Sabemos, e temos 
presenciado nos atos e pontos de ônibus, em nossos locais de trabalho e estudo, que 
aqueles/as que de fato necessitam de ônibus, em sua grande maioria estão solidários/as 
conosco e, é essa a opinião que nos interessa, uma opinião de classe, dos/as 
trabalhadores/as, desempregados/as, dos/as oprimidos/as desta cidade!

A luta contra o aumento, portanto, entra em seu momento decisivo. É importante fortalecer 
os espaços organizativos do Bloco de Luta pelo Transporte Público para coordenar as 
futuras ações, pensar na utilização de distintas estratégias, intensificar o trabalho de 
base e estar preparados/as para responder à altura a campanha difamatória e repressiva que 
já está desatada contra nossa luta. Provavelmente irão tentar enfraquecer-nos com a 
judicialização do movimento. Teremos de estar muito bem organizados em torno do Bloco para 
virar todo esse jogo a nosso favor. O momento é favorável ànossa luta
e por isso tentam nos criminalizar.

Devemos responder com luta e organização,garantindo o Bloco enquanto um espaço amplo e 
democrático, com respeito às mais distintas forças, sem aparelhamento e forjando a unidade 
nas lutas. É assim que vamos virar a mesa, derrotar o reacionário bloco composto pela 
imprensa (que opera como agente ideológico do aumento) pela prefeitura (que opera 
politicamente garantindo corruptas instâncias para aprovar o aumento) pelas empresas (que 
historicamente cobram uma verdadeira extorsão ao povo de Porto Alegre, disponibilizando um 
péssimo serviço e impondo um regime de extrema exploração aos/as trabalhadores/as) e 
acumular forças para defender um transporte verdadeiramente público, gratuito e com 
controle popular.

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Fortalecer nossa organização, a propaganda e o trabalho de base!Lutar e Vencer com a força 
das ruas!
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Federação Anarquista Gaúcha Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)
SEDE: Travessa dos Venezianos nº 30 - POA - www.vermelhoenegro.org


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