(pt) Anarkio.net: Brazil, Minoridade Penal, fracasso social!

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Terça-Feira, 16 de Abril de 2013 - 17:14:54 CEST


Com o crescimento da violência, que no caso é todo laureado pelo sensacionalismo 
midiático, temos várias ideias retrogradas, até perigosas contra nossa gente e que buscam 
as saídas mais fáceis para responder aos problemas não tão fáceis de entender e resolver. 
--- Nos últimos tempos temos escutado, visto e lido materiais que pedem a minoridade penal 
(redução da idade penal, de 18 para 16 ou para 14!!!), acreditando que nosso modelo penal 
esteja pronto para receber tais jovens penalizadxs. ---- Poderíamos descrever toda 
iniquidade do sistema que reproduz sem cessar um padrão de exclusão social para milhões de 
pessoas; poderíamos lembrar o quanto é injusto e desagregador a competitividade, o 
super-consumo de supérfluos, a propriedade e a herança que são a base do capitalismo e de 
seu totalitarismo; que o aumento de segurança centrado em meio de repressão e vigilância, 
de armas letais e não letais não reduzem a violência, mas alimentam a industria bélica que 
se mantêm batendo recordes de arrecadação e lucros, diferente da educação e saúde, que 
vivem em eterna "crise".

Tudo será descartado pelo emocional, principalmente por uma classe média acovardada e que 
clama para que o Estado faça o trabalho sujo para ela continuar em suas vidinhas medianas 
(seriam medíocres também?).

Afinal não tendo o preparo de cidadãos, as famílias desestruturadas que não assumem sua 
responsabilidade e transferem os valores distorcidos do capitalismo que nada mais são que 
lucro máximo sempre seja da forma que der, é um tanto lógico termos gerações com 
referências e parâmetros distorcidos, e que uma parte dessa geração tenderá a se 
satisfazer da forma que puderem e isso inclui métodos capitalistas avançados de roubo e 
assassinato como apropriação indevida de produção alheia, submissão e escravidão de 
semelhante, enriquecimento “ilícito” acobertado pelo Estado, que é seu escritório e onde 
tem acesso livre para influenciar com suas propostas e leis onde são xs mais favorecidxs. 
Um banqueiro e um assaltante são semelhantes, apenas que o banqueiro consegue assaltar 
mais pessoas e ainda ser elogiado por isso, o que não acontece com o assaltante.

Focando diretamente, ao propor a minoridade penal, como outras propostas estapafúrdias e 
paliativas, buscam acelerar a criminalização da juventude e sua penalização precoce. Sim, 
há muitxs menores envolvidxs com diversos crimes, mostra a vulnerabilidade e fracasso em 
preparar pessoas para uma vida cidadã e participativa. As escolas fracassam por um lado e 
as famílias do outro, e as crianças e jovens despreparadxs, desorientadxs são jogadxs para 
um modelo em que exigem deles algo que não estão preparadxs, além de uma super exposição 
de infinitos “bens” de consumo que atiçam a necessidade de ter, porque no modelo vigente, 
ter é ser e se você não tem, você não é.

Não podemos impor às gerações nosso fracasso e puni-lxs por nossa omissão, sem educação 
decente, sem rompimento com um modelo opressor e explorador, não haverá prisões e nem 
executores que dêem conta da quantidade de “criminosxs” resultantes dessa omissão social.
De pronto, devemos pensar em resolver de fato os problemas que levam vários jovens ao 
crime sem nenhuma perspectiva de futuro e para elxs não há reeducação, porque não houve 
uma primeira educação.

Mais uma vez uma parcela da sociedade quer resolver um sintoma sem resolver o que o 
origina, o que levará só aumentar os sintomas e não resolver porque ele ocorre. Resolver 
isso é encarar nosso fracasso social em preparar cidadãos livres e críticos, mas ainda 
está em nossas mãos mudar isso, assumindo nossa parcela de culpa e partindo para ação, 
porque unidxs temos força de mudança.


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