(pt) Anarkio.net: A função de controle social dos partidos

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Quinta-Feira, 11 de Abril de 2013 - 09:14:51 CEST


Desde a formação da sociedade da forma que conhecemos, temos presenciado a formação de 
partidos, que são organizações que buscam, acima de tudo, o controle da sociedade, para 
atingir os fins definidos pelo partido, na história, os partidos tiveram um papel 
importante, tanto no controle e manutenção de um determinado modelo econômico, social, 
político, como na conquista e imposição de um novo modelo. ---- A totalidade desses 
partidos, até hoje, se mostraram afinados mais com sua organização e consolidado como 
elemento de força dentro da sociedade. As formas usadas, foram desde o modelo eleitoral, 
onde os embates se dão em guerras mascaradas de propaganda, até a via de fato escancarada, 
por partidos militarizados. Ambas as formas, para a política são válidas dentro de 
contexto em que são requeridas e entendidas necessárias.

O modelo partidário no Brasil, por exemplo, é a estrutura institucional base. Não há como 
ser candidatx sem um, mesmo que depois mude, não há como ser eleito sem ter cadastro em um 
partido. Esses partidos, tanto de direita, com de esquerda possuem critérios para 
funcionar e serem reconhecidos como tais. Nenhum deles podem, teoricamente manter uma 
milícia armada, nem ameaçar a soberania nacional ou negar as bases da constituição. Os 
mais demagogos deles, tanto de direita ou de esquerda forçam propostas discriminatórias, 
tentam com promessas, iludir a sociedade que possuem a chave da mudança social e que elxs 
podem fazer a diferença.

As mudanças que muitos partidos defendem são reformistas e placebos que fingem resolver os 
problemas, mas no máximo, criam uma dependência maior de seus programas sociais. Muitos 
partidos se tornaram dependentes do Estado, vivem das verbas de gabinete de seus 
parlamentares e do clientelismo que isso gera, porque os partidos, asseguram em primeiro 
lugar favorecimentos aos seus “investidores”, empresários e patrões que investem no 
partido na esperança e certeza de ver seus investimentos retornarem em forma de leis que 
os favoreçam, de serviços exclusivos e outras formas de benefícios que o Estado pode 
oferecer através da interferência partidária. Muito pouco será revertido para as camadas 
menos organizadas, exploradas e oprimidas. O caso delas é continuar a produção e 
reprodução do sistema. E aceitar o modelo, votando. Nessa parte, o voto, é essa aceitação, 
por isso obrigatório, como se fosse um exercício de cidadania, o que não é.
O que diferencia de fato e que produziria grandes alterações é abolição do modelo 
partidário, através da organização de nossa gente de forma a negar, opor e combater o 
reformismo parlamentar que não assegura a solução das necessidades básicas de nossa gente, 
muito pelo contrário, atendem o sistema, mantendo-o funcionando.

E não se iluda, esperando. O costume de esperar é uma prática oriunda do modelo de 
docilização judaico-cristão, que faz com que as pessoas aguardem um “salvador”, uma 
liderança carismática, que possa transformar água em vinho, terra em pão. Mas o que vemos, 
é que essa espera e esperança depositadas em determinados partidos, como os mais adequados 
e salvadores, isso até nos mais esquerdistas, buscam iludir nossa gente e usam desse 
discurso judaico-cristão, no caso, travestido de “vanguarda esclarecida”, para se dar bem 
no processo. Partidos ditos revolucionários que tivemos na história deram uma grande 
demonstração de que quando assumem o controle, o poder, eles atendem a si mesmos e muito 
pouco é repassado a sociedade, a população.

Pela população, o ideário anarquista sempre propôs que a sociedade se organiza-se 
diretamente sem intermediários, que são os partidos e o Estado. Xs anarquistas perceberam 
há muito tempo que o controle social feito por essas duas instâncias só satisfazem as 
grandes demandas dos grupos de influência, de poder, os dominantes e muito pouco oferecem 
aos oprimidxs e exploradxs, além de controle e migalhas.

Nossa gente pode se organizar a ponto de não precisar de partidos políticos, administrando 
diretamente tudo que lhe diz respeito, produzindo diretamente e dividindo conforme o 
trabalho e necessidade de cada um, abolindo a propriedade de posse (preservando a 
propriedade de uso), abolindo herança e redistribuindo as riquezas acumuladas, tudo isso 
não precisa de partido e de Estado. Nesse processo, estas duas instâncias não só 
atrapalham, com se transformam em inimigas do povo, procurando reter o controle de tudo 
que é criado de forma coletiva. Esse roubo, no capitalismo, é chamado de lucro e pela 
esquerda um confisco de bens que são redistribuídos, primeiros para as instâncias donas do 
partido e do Estado. Não podemos nos submeter a essa lógica e sim, devemos mostrar como os 
partidos políticos, de esquerda e direita são um grande estorvo para a emancipação de 
nossa gente, portanto abandonados a definhar como parasitas que são da sociedade.


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