(pt) Anarkio.net: A-Infos #19 - Anarquismo e Marxismo + Anarquismo e Associação (en)

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Quarta-Feira, 10 de Abril de 2013 - 10:43:14 CEST


Anarquismo e Marxismo ----- A diferença básica entre o anarquismo e o marxismo é a 
perpetuação do estado, a semelhança básica é o combate ao capitalismo. ---- Não existe um 
"bakuninismo" justamente porque dentro do anarquismo não temos líderes, aceitamos de 
maneira tranquila o fato de que nossos filósofos acertam e também erram, o problema maior 
é quando direcionamos críticas ao marxismo e somos queimados na fogueira do mesmo modo que 
somos queimados pelos crentes ou católicos quando criticamos a bíblia. No anarquismo 
ninguém é sagrado, devemos permanecer abertos a mudanças, firmes no ideal, porém 
flexíveis, pois a liberdade não é algo imutável ou lógico. ---- Infelizmente vejo muito do 
marxismo deste modo, imutável, presos em suas lógicas. Inegável a contribuição de Marx aos 
pensamentos econômicos, libertação da escravidão do proletariado e discernimento sobre o 
capitalismo em si.

Porém, os meios para se atingir tal objetivo não podem ser fechados, os
tempos mudaram, as pessoas são orgânicas, sociologia não é uma fórmula
matemática. Nenhum anarquista, creio eu, jamais tentou criar uma fórmula
para a revolução, sabemos que precisamos acabar com o capital, com a igreja e
com o estado, mas impor liberdade através de ditaduras é uma enorme
contradição, e digo mais, tentar definir um "plano" para uma sociedade livre é
aprisionar a mesma, principalmente quando este plano é definido por um único
homem, no caso Marx.

Do mesmo modo que devemos filtrar muito do que Bakunin disse, devemos
filtrar grande parte do Marx disse, pois seu pensamento sobre a liberdade era
extremamente limitado. Importante dizer, também que devemos respeitar os
escritos de Marx como contribuição ao pensamento anti-capitalista.
Anarquistas e marxistas são inimigos?

A história mostra traições inúmeras por parte dos marxistas, a começar
pelas próprias puxadas de tapete de Marx contra Bakunin na internacional,
golpes partidários, black block contra red block atualmente na Grécia. Difícil
responder a isso, eu diria que depende do marxista e que depende do
anarquista, mas tenho certeza que entre ambos pode haver um diálogo, coisa
que se faz impossível por exemplo, entre um anarquista e um fascista. Os fins
parecem ser os mesmos, mas para nós anarquistas os meios são tão
importantes quanto os fins, não podemos atingir liberdade nos utilizando de
coerções, o estado, para nós, é um mal a ser combatido, talvez tão grande
quanto o capital e a igreja. A desconfiança de um marxista sobre o anarquismo
é "como pode haver igualdade sem um órgão controlador" a desconfiança de um
anarquista sobre o marxismo é "como pode haver igualdade e liberdade com
controle de um terceiro sobre sua vida?"

Até o dia da revolução, nossas lutas continuarão, nossos diálogos também
devem continuar, mas acredito, que a liberdade de um anarquista nunca será
acorrentada, jamais nos ajoelharemos a ninguém, nem a Deus, nem ao Estado!

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Anarquismo e Associação

Internacional dos Trabalhadoras
As idéias anarquistas, também conhecidas por
socialismo libertário (concepção que surge na AIT)
por ser justamente o contraponto do socialismo
centralizador, dito “autoritário” (já comentado
anteriormente), não tem um ponto definido de
origem ou um lugar de nascença.

As sociedades onde a liberdade e a livre
associação são um ponto forte, podem ser
consideradas de vertentes anarquistas. Uma das
suas mais fortes características é a sua permanente
transformação, sua dinâmica de em que o aspecto
de liberdade esteja presente.

O socialismo libertário ganha um corpo dito
teórico com concepções mais trabalhadas, entretanto
no século XIX (talvez pelo crescente cientismo que
está em alta), com os pensadores Pierre-Joseph
Proudhon (francês), Mikhail Bakunin (russo), Pietr
Kropotkin (russo), sendo estes os que mais se
destacaram na produção teórica e também na ação,
praticando suas idéias. É claro que há outros
expoentes (Thoreau, Tolstoi, Malatesta, etc) e
principalmente um grupo de jornais de grande
difusão e populares.

Proudhon, foi o primeiro a se intitular
anarquista, procurando dar ao termo uma
característica positiva e amena (anarquia que
significa apenas sem governo, era usada e ainda é
como também sem ordem e como um caos social ao
qual o governo, seja lá qual for, de direita ou
esquerda, tenta evitar e assim manter uma suposta
ordem ou seja conservação da sociedade da forma
em que está, mantendo sua disposição de evolução
gradual)e que corresponderia a uma sociedade sem
nenhum Estado e com livres associações de
produtores-consumidores e uma relação de mutua
ajuda e solidariedade, de onde seus simpatizantes se disserem mutualistas, o
processo de transformação da sociedade seria de uma forma amena, e seria
possível a convivência de ambos os sistemas (mutualismo e capitalismo) na
transição. Proudhon foi um pensador autodidata e que desenvolveu obras
importantes, de grande impacto como O que é a Propriedade?, onde procura
mostrar a propriedade como agente da desigualdade em todas as esferas da
sociedade e um elemento patológico ao desenvolvimento humano. Dentre outras
obras, Sistemas de Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria, onde
desenvolve uma profunda análise sobre a sociedade capitalista, é conhecida por
ser alvo da ira de Karl Marx, então ainda elemento pouco conhecido nos meios
trabalhadores e principalmente na França, escrevendo a mal sucedida crítica
Miséria da Filosofia, onde procura mostrar os erros de Proudhon, mal sucedida
por não conseguir nesta obra se desvincular suas divergências pessoais com
Proudhon e produzi-la mais com a emoção da ira do que pela razão do
pensamento e o curioso de tudo isso, é que a obra de Proudhon que iniciou a
polemica passa quase despercebida, perdendo-se a oportunidade de
compreender o do porque da argumentação de Marx. Proudhon já tinha um
respeito nos meios políticos, foi eleito representante parlamentar de Lion e era
reconhecido nos meios intelectuais por seus posicionamentos radicais.
Participou nas revoltas de Paris de 1848, e foi preso por Napoleão III. Muito
doente, não participa da formação da AIT (Associação Internacional dos
Trabalhadores, também conhecida por Primeira Internacional) em 1864 na
Inglaterra, falecendo um ano depois.

A AIT é uma associação fundada a partir principalmente de trabalhadores
franceses e ingleses, sem uma vertente especifica que a direciona (seu
posicionamento político vai se desenvolvendo nos congressos que foram 5 ao
todo, sendo o primeiro em 1866 em Genebra [com 46 delegados dos países
França, Inglaterra, Suíça, Alemanha]); o segundo em 1867 em Lausanne, Suíça
com 64 delegados, já acrescentados delegados da Bélgica e Itália1; o terceiro em
1868, em Bruxelas com 100 delegados (acrescentando Espanha); o quarto em
1869 na Basiléia com 78 delegados (acrescentado Áustria, E.U.A) e o último em
1872 em Haia, embora com 65 delegados, havia 15 países representados.

Pode-se dizer que AIT foi um grande guarda chuva onde diversas concepções
teóricas tentaram se aglutinar, no intuito de desenvolver um instrumento de
luta e resistência trabalhadora de inserção no mundo, sua principal
característica é de cunho panfletário (mas não ficou presa a isso) e os elementos
que formam seus quadros (as seções) eram geralmente organizações de pouca
inserção no meio trabalhador (as maiores seções se localizavam na Itália e na
Espanha). É visto também em seus Congressos as mais diferentes vertentes de
pensamento socialista e trabalhador: mazzinistas, fouristas, blanquistas,
proudhonianos, marxistas e outros elementos de diferentes linhas ideológicas.
Com o desenvolvimento da AIT, estes grupos vão sendo unidos em torno de
duas concepções diferentes de socialismo, um centralizador e de estrutura
vertical (conhecido por autoritário e encabeçado por Marx) e outro,
descentralizador e horizontal (conhecido como libertário). As posições comuns
da AIT eram as seguintes: -redução da jornada de trabalho (de 10 a 12 horas
para 8 horas diárias;- pelo direito de greve; -emancipação do trabalhador por ele
mesmo; -contra o trabalho infantil e feminino; - por trabalho cooperativo; etc).
É nesta AIT, onde se destaca uma nova e polemica figura libertária, Mikhail
Bakunin.

Um homem de grande estatura, de hábitos exagerados (comia, bebia e
fumava muito), de grande atividade revolucionária, mais empenhado na ação
revolucionária do que elaboração de teorias revolucionárias. É ele que vai estar
a frente dos libertários contra os autoritários, tendo de fundo, a figura de Karl
Marx, que atua sempre dos bastidores da AIT (ele pertencia a executiva da
AIT), que procura desprender desta imagem dizendo a famosa frase de não ser
marxista (por ser naquele momento, uma interpretação tosca do que Marx
apresentava, afinal nem todos tinham os dotes intelectuais para sua
compreensão).

No começo de 1871, Marx convoca uma conferência da AIT, onde procura
apresentar a idéia da necessidade da constituição de Partidos orientados pela
AIT pelo mundo. Esta idéia era contrária a soberania e autonomia das seções e
foi rechaçada de pronto.

Bakunin e seus simpatizantes foram expulsos no Congresso de Haia sobre o
pretexto de conspiração contra a AIT (Bakunin foi acusado pela executiva da
AIT de ser agente espião do Czar), fato que foi desmentido e AIT mandou um
pedido de desculpas e reingresso de Bakunin, o qual ele queimou. A sede foi
transferida para Nova Iorque em 1872, por obra de Karl Marx, tentando
diminuir a influências dos libertários nas deliberações da AIT, atrofiando-a. A
AIT, termina em meados de 1876.(continua no pŕoximo número)


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