(pt) Anarkismo.net: Brazil, A bancada “evangélica” e o pensamento reacionário by Bruno Lima Rocha

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Segunda-Feira, 1 de Abril de 2013 - 13:43:01 CEST


O Estado é laico, mas a força da adoração ao bezerro de ouro, associada com o louvor a uma 
síntese entre prosperidade e carga preconceituosa, consegue elevar seu poder político a 
cada legislatura. ---- Já era o momento de ver um ato público no auditório da Associação 
Brasileira de Imprensa (ABI), Centro do Rio. Marco Feliciano (PSC-SP) vem operando como 
epicentro da opinião pública brasileira, mobilizando justificadas preocupações. No período 
da Abertura, o local era palco das lutas por redemocratização e também, pela equivocada 
bandeira da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita para torturadores e criminosos de lesa 
humanidade. Agora, em 2013, grupos de minoria ativa, intelectuais e artistas novamente se 
reúnem para tentar barrar o avanço do pensamento autoritário, galvanizado no presidente da 
Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.

O paradoxo é o seguinte. Caso as massas sejam convocadas, a parte ativa vai empurrar para 
a direita.

Se o político e pregador paulista carrega em seu discurso a marca do grotesco, este perfil 
não é exclusivo. O conjunto de tele-evangelistas a pregar diariamente, há mais de trinta 
anos, princípios de doutrina vinculados à Teologia da Prosperidade, de fato vem acumulando 
poder e força social. Hoje, este setor é representativo, batendo quase trinta pontos de 
porcentagem eleitoral com o chamado “voto evangélico”. Tal clivagem se baseia em 
formulações obscuras, trazendo interpretações bíblicas ao pé da letra, reforçando os 
aspectos do pensamento conservador das classes baixas. Para o consumo suntuoso, é o melhor 
dos mundos. Para transformar a sociedade, estamos em maus lençóis.

Em vários momentos da história, a classe trabalhadora melhorou sua condição de vida 
arrancando conquistas e direitos. Hoje, o ministro da Pesca e bispo licenciado da Igreja 
Universal, Marcelo Crivella (PRB-RJ) agradece a um ex-líder sindical (Lula) e uma 
ex-guerrilheira (Dilma), pela ampliação do crédito e do poder de compra do salário. Sua 
alegação chega a ser simplória. Com mais dinheiro em circulação, maior é o número e volume 
do dízimo pago pelos fieis. Se isso não é crise de paradigma, é o que?

A ironia é irresistível. Nelson Rodrigues brigava contra o setor religioso mais à 
esquerda, a quem chamava de “padre de passeata”. O que diria o escritor a respeito de 
políticos como Feliciano e Crivella, ambos na base volátil de um governo cujo passado e 
trajetória política se forja na ação de pastorais sociais?! Certamente, nosso maior 
dramaturgo “era feliz e não sabia”. É preferível um pregador de batina dando sermão 
tentando alterar as relações sociais; a um dublê de pastor, apresentador e político 
reforçando o preconceito e o pensamento reacionário.

Obs: Peço desculpas por aplicar o termo evangélico ao me referir à bancada neopentecostal. 
Trata-se de uma exigência jornalística, considerando o problema de espaço e atenção do 
leitor. Neopentecostal é o conceito correto, mas evangélico é o eufemismo empregado para 
os pregadores da Teologia da Prosperidade, diversificados em suas distintas seitas 
arrecadadoras, embora politicamente aliados.

Bruno Lima Rocha

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