(pt) Anarkismo.net: São Paulo: Fator PCC, desinformação e hipocrisia oficial by Bruno Lima Rocha
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Sexta-Feira, 30 de Novembro de 2012 - 07:58:41 CET
Mais de 90 policiais mortos este ano somados com centenas de civis assassinados mês a mês
em São Paulo e região. De uma hora para outra, o fantasma do PCC, Primeiro Comando da
Capital ou Partido do Crime, volta à tona. ---- Mais de 90 policiais mortos este ano
somados com centenas de civis assassinados mês a mês em São Paulo e região. De uma hora
para outra, o fantasma do PCC, Primeiro Comando da Capital ou Partido do Crime, volta à
tona. ---- Seis anos atrás ocorreu o mesmo fenômeno, inaugurado no início deste século nas
rebeliões coordenadas em presídios estaduais paulistas. ---- Não surpreende a tragédia das
redes de quadrilha de São Paulo, mas sim a hipocrisia através da qual o tema fora tratado
após o Salve Geral de 2006.
Recordo que em agosto de 2008, durante o 6º Encontro da Associação Brasileira de Ciência
Política (ABCP) em Campinas, questionei um notório professor da USP a respeito de seus
elogios para a política prisional do estado.
Dizia o colega que o índice de homicídios caíra drasticamente devido ao “sucesso” da
abertura de novas prisões e o aumento da massa carcerária.
Perguntei-lhe quanto ao chamado “fator PCC”. Isto é, como a rede de quadrilhas se
sofistica, consolidando domínios territoriais, aumenta o controle sobre o varejo do crime,
diminuindo por consequência a violência nas ruas.
Afirmei o óbvio e, com o perdão da ironia, ouvi cobras e lagartos do nobre docente.
Infelizmente, tinha razão.
A hipocrisia caminha lado a lado com o eufemismo. O acórdão entre mídia e governo, ao
evitar (praticamente proibindo) a citação da sigla do PCC não resolve em nada, apenas
aumenta a desinformação estrutural.
A maioria de leitores, ouvintes e telespectadores precisa ser devidamente informada sobre
o que está ocorrendo por dentro do carcomido aparelho de segurança da locomotiva do país.
É impossível imaginar que uma facção criminosa tenha um sistema de inteligência tão
poderoso a ponto de localizar e perseguir dezenas de PMs à paisana e em dia de folga.
Parece óbvio supor que houve infiltração, agentes dobrados ou corrupção policial pura e
simples na venda destes dados.
O mesmo pode-se dizer quanto à agressividade do PCC contra os órgãos de segurança. As
mortes não são episódicas nem pontuais, fazem parte do próprio modus operandi da facção.
Tal conflito sempre existiu desde que o Primeiro Comando foi criado, alterando em sua
intensidade e divulgação midiática subsequente.
Para além da hipocrisia, o fator PCC implica no controle das cadeias de São Paulo pela
facção criminosa, e também a organização territorial de suas áreas de influência.
Como tem uma tradição belicista, em momentos cíclicos a guerra se acentua. Vive-se hoje um
novo Salve Geral e suas consequências.
Bruno Lima Rocha
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