(pt) Anarkismo.net: Gilberto Kassab, o PSD e a nova direita by Bruno Lima Rocha

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Quarta-Feira, 28 de Novembro de 2012 - 19:53:38 CET


A nova direita: o PSD elege 497 prefeitos tendo apenas um ano de existência. ---- Do jeito 
que a coisa vai, não sobrará oposição de direita no Brasil. Tal processo começa no início 
do segundo semestre de 2005, quando PFL, PSDB e PPS tinham elementos suficientes após o 
inesquecível depoimento de Duda Mendonça, para tentar colocar o custo do chamado Mensalão 
no colo de Luiz Inácio. ---- Recalcitrantes, ninguém quis arriscar a governabilidade e 
tampouco havia apoio popular para a medida. ---- Se em 1992 Collor cavou a própria tumba 
ao convocar o povo brasileiro a defender seu presidente vestindo verde e amarelo em um 
domingo de sol, dessa vez não houve valente para conclamar uma Marcha por Deus e pela 
Democracia no Centro de São Paulo. Estava aberta a cunha para o racha dos arenistas da 
oposição.

Gilberto Kassab, alçado a prefeito após a saída de Serra para disputar o governo estadual, 
tem trajetória e ascendência semelhante a outro engenheiro paulista de origem árabe, Paulo 
Maluf.

Uma vez à frente do terceiro maior orçamento público do país, surge no cenário nacional 
como um operador de primeira grandeza.

Após a vitória de Dilma, o senso de oportunidade fala mais alto, e a lógica de ocupar 
espaços em qualquer governo promove a ruptura na antiga Frente Liberal. Com o discurso de 
uma “agenda positiva e de centro”, o Partido Social Democrático cresce vertiginosamente, 
engolindo antigos correligionários pefelistas, aproximando-se da enorme leva de arenistas, 
que está no governo da herdeira de Lula.

O PSD elege 497 prefeitos tendo apenas um ano de existência. Nascido em 27 de setembro de 
2011, incorpora a sigla das velhas raposas aliadas ao getulismo, socialmente baseadas no 
latifúndio e nas elites políticas regionais. A atual motivação da legenda em nada faz jus 
à tradição udenista do extinto PDS e do DEM re-configurado.

O antigo PFL, após a experiência social-liberal, sendo co-governo durante os oito anos de 
Fernando Henrique (PSDB), deixa o poder perfilando a oposição mais ferrenha, personificada 
pelo senador catarinense Jorge Bornhausen - ele mesmo, hoje apoiador do partido de Afif e 
Kassab.

Diante de tal comportamento, a análise realista é a de uma ala conservadora que vê na 
sobrevivência política sua atividade-fim, e não atividade-meio para levar adiante um 
conjunto de ideias.

Justiça seja feita, poucos setores oriundos do PDS permanecem fieis às posições tão 
reacionárias como a UDN, sob liderança de Carlos Lacerda. Se Charles de Gaulle dizia que 
“o Brasil não é um país sério”, a direita política justifica a crítica, pois não é tão 
séria assim.
Bruno Lima Rocha

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