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Quarta-Feira, 23 de Maio de 2012 - 14:37:58 CEST


Apesar da repressão policial que se seguiu à decisão do parlamento de criminalizar,
em São Paulo, pichações e colagens de cartazes, militantes da FOSP/COB-ACAT/AIT não
se intimidaram e, de forma criativa, realizaram uma agitação prévia, no início de
Abril, denunciando a precarização e a perda de direitos aos quais os trabalhadores
estão sendo submetidos. Ao mesmo tempo chamou a tradicional manifestação de 1º de
Maio Proletário, Revolucionário e Libertário da FOSP - que vem sendo realizada
regularmente desde 2001 - através de colagens de Cartazes, Pichações e de
panfletagens de filipetas - intensificadas nas últimas semanas antes do 1º de Maio.

Em São Paulo a responsabilidade de encaminhar as atividades foi assumida pela Seção
Grande São Paulo da FOSP/COB-AIT, o SINDIVÁRIOS-SP-FOSP/COB-ACAT/AIT, que fez uma
intensa propaganda lembrando que o 1º de MAIO é um dia de Protesto, não de festas -
como as promovidas pelas centrais sindicais sustentadas pelo Estado (na festa da
FARSA SINDICAL o próprio ministro do Trabalho discursou...).

Mesmo com a rápida destruição da propaganda de rua o SINDIVÁRIOS-SP lembrou a luta
dos Mártires de Chicago e os 126 anos de luta pela Redução da Jornada de Trabalho. A
FOSP/COB chamou manifestações regionais e locais pela manhã e a Concentração no
Mercado de Escravos, as 12 hs, no centro da cidade. Assim se deu:

Após realizar minicomícios em várias regiões da cidade, especialmente na zona sul,
os primeiros militantes chegavam a região da manifestação por volta das 12 hs. A
partir daí iniciaram, no entorno, minicomícios e panfletagens do Manifesto de 1º de
Maio da FOSP/COB-AIT. As 13 hs iniciaram uma Caminhada até as Escadarias do Teatro
Municipal - tradicional local de manifestações libertárias na cidade - onde já
estavam concentrados dezenas de trabalhadores e estudantes. Na região, no vale do
Anhangabaú, a CUT/PT realizavam sua festas com vários artistas a soldo, para cerca
de 30 mil pessoas.

A partir das 13:15 hs, em frente às escadarias do Municipal, na Praça Ramos de
Azevedo, se manteve a tática de panfletagens do Manifesto da FOSP/COB-AIT. Vários
militantes, em pequenos grupos, no entorno da praça panfletavam e discutiam com os
populares. Nas Escadarias se sobressaiam as bandeiras rubro/negras do
anarcosindicalismo, mas também as tradicionais bandeiras negras anarquistas e uma
vermelha. Além de militantes da FOSP/COB-AIT muitos e diversos coletivos de
diferentes matizes representavam todas as regiões da cidade, inclusive daqueles, que
até o ano passado, ainda frequentavam as festas do sindicalismo oficial. Pela
primeira vez, em mais de 10 anos, pessoas ligadas ao Centro de Cultura Social/SP se
fizeram presentes a uma manifestação chamada pela FOSP. A manifestação se mostrou
como a manife stação libertária unificada mais ampla no século 21, apes ar de em
outros anos a participação popular ter sido bem maior. Não podemos esquecer a
repressão policial em 2008 - com a detenção de cerca de 60 militantes e abertura de
processo contra cinco deles (entre os quais dois Coordenadores da FOSP naquele
momento). Neste ano, até cerca das 14:00 hs, estávamos em cerca de 200
trabalhadore  s. A polícia nos instigava a retirar as faixas da escadarias. Foram
então afixadas no centro da praça onde panfletávamos.

Uma passeata do PCO avançou sobre o Viaduto do Chá, com a intenção de ocupar a Praça
para um Comício. Após avaliar a situação resolveram circundar o Municipal, por trás,
e se dirigir a São João, em direção à Praça da República. A situação, que durou
alguns minutos, ficou tensa e levou ao início das discussões sobre ‘o que faríamos a
seguir’. Nesse ponto um camarada da Coordenação Estadual da FOSP/COB-AIT chamou
todos a se reunir em uma Assembleia Popular. Palavra aberta, várias pessoas falaram
lançando suas propostas - alguns defendiam que de permanecesse no local, outros
queriam sair em Passeata - como tradicionalmente fazemos nas manifestações de 1º de
Maio da FOSP/COB-AIT.

Iniciada a Assembleia, após rápida discussão houve consenso sobre a realização da
Passeata e passou-se a discutir para onde ir e por que caminho. Também aqui houve
intensa discussão com várias falações. As propostas se dividiram em duas: ir para a
Avenida Paulista (pela Consolação ou pela Augusta) e encerrar a Manifestação no
MASP; ou a que terminou vencendo.

Panfletando e gritando nossas palavras-de-ordem atravessamos então o Viaduto do Chá,
a Praça do Patriarca (TRABALHADOR UNIDO GOVERNA SEM PARTIDO!), e Rua Direita
chegando a Praça da Sé (GREVE GERAL DERRUBA O CAPITAL! ; AUTOGESTÃO SEM GOVERNO E
SEM PATRÃO!) atravessar a Manifestação da INTERSINDICAL - que se encerrava -, com
nossas palavras de ordem e distribuindo o Manifesto da FOSP. Em seguida seguimos
para a Praça João Mendes e descemos Praça Clóvis retomando a Pç. Da Sé em direção ao
Pátio do Colégio - onde paramos para a realização de um Comício (FASCISMO NÃO
PASSARÁ! A FOSP NA RUA A LUTA CONTINUA!).

Em seguida prosseguimos pela Rua Boa Vista, atravessando o Largo São Bento e
seguindo pela Libero Badaró (VOCÊ AÍ PARADO TAMBÉM É EXPLORADO!), descendo o Largo
do Anhangabaú, atravessando ao largo a Manifestação festiva da CUT/PT, também,
levando nossas palavras-de-ordem e distribuindo amplamente o Manifesto da
FOSP/COB-AIT, no A PLEBE 72 (O POVO ORGANIZADO GOVERNA SEM ESTADO! ; VOTA NULO, NÃO
SUTENTE PASITA!). Em seguida subimos a Avenida São João até o Largo do Paissandu –
onde setores do Movimento Negro tradicionalmente comemoram a data da Abolição da
Escravidão, no dia 13 de Maio de 1888, onde por consenso se decidiu encerrar a
manifestação, com o fim dos panfletos seguindo-se a lenta evacuação da praça, sob
certo atrito com a polícia que ocupava o Largo do Paissandu.

Assim se estabeleceu uma coerência do inconsciente coletivo dos manifestantes
libertários, que - a todo o momento - tinham total controle da manifestação,
encerrando a Manifestação desse 1º de Maio/2012 num local relacionado ao fim formal
da escravidão no Brasil, após iniciar a mesma Manifestação no antigo Mercado de
Escravos de São Paulo.

CONTRA A PERDA DE DIREITOS E A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO!

PELO PISO SALARIAL DE R$ 3.000,00, PRECEDIDO DE AUMENTO GERAL DE 80%!

REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO PARA 6 HS DIÁRIAS, 30 HS SEMANAIS!
(Sem Redução Salarial!)

FIM A PERSEGUIÇÃO AO TRABALHADOR AMBULANTE E INFORMAL!

CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA SINDICAL E POPULAR!

PELA LIBERDADE DE ORGANIZAÇÃO SINDICAL PARA OS TRABALHADORES!

PELA REATIVAÇÃO DA CONFEDERAÇÃO OPERÁRIA BRASILEIRA (COB/AIT)!

PELO SOCIALISMO LIBERTÁRIO E PELA AUTO-GESTÃO GENERALIZADA!

LONGA VIDA A COB-ACAT/AIT!

HURRAS À ANARKIA!


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