(pt) [Brasil] I Seminário de Formação do Fórum do Anarquismo Organ izado – Região Sudeste

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 3 de Fevereiro de 2012 - 11:21:41 CET


O Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) - representado por suas organizações da
região Sudeste (Federação Anarquista do Rio de Janeiro / FARJ e Organização
Anarquista Socialismo Libertário / OASL-SP) - coordenou, entre 21 e 22 de janeiro de
2012, o I Seminário de Formação da Região Sudeste. O seminário reuniu, nas
dependências do Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro, além da FARJ e da OASL,
coletivos em processo de articulação ou aproximação com o FAO e individualidades
interessadas em se organizar ou ingressar nas organizações já constituídas.
Estiveram presentes militantes dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito
Santo, Minas Gerais e Paraná, cumprindo um triplo objetivo: fortalecer o processo
nas organizações existentes; estimular a criação de novas organizações/núcleos;
integrar em um processo comum, levado a cabo no FAO, esse conjunto de indivíduos,
grupos e organizações interessados na construção do anarquismo de matriz especifista
no Brasil.

Estiveram presentes no evento cerca de 50 pessoas das seguintes cidades/regiões: Rio
de Janeiro, Niterói, Baixada Fluminense, São Paulo (capital), Baixada Santista,
Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, Belo Horizonte, Montes Claros, Grande Vitória,
Cachoeiro de Itapemirim e Curitiba, O evento foi realizado de maneira autônoma, pela
FARJ e OASL, contando com a colaboração de todos os participantes em um ambiente de
apoio mútuo e solidariedade, que permitiu tanto uma infra-estrutura adequada
(hospedagem, alimentação, limpeza etc.), como um elevado nível de discussão.

O evento teve início dia 21 pela da manhã, com a recepção dos participantes seguida
de uma apresentação de boas-vindas, que reforçou a relevância do processo
organizativo do anarquismo no Brasil contemporâneo e a necessidade do fortalecimento
da Região Sudeste neste processo.

O primeiro módulo do seminário, "Teoria e História", teve por objetivo levantar
questões sobre o surgimento e o a trajetória do anarquismo, compreendido pelo FAO
como uma ideologia ligada à prática política de intenção revolucionária. A partir
formação da corrente libertária, discutiu-se o conceito de anarquismo e suas
estratégias (formas históricas da ideologia), indo desde Proudhon e o mutualismo,
até a Revolução Espanhola, passando por Bakunin, a Aliança e a Internacional; o
anarco-comunismo de Kropotkin e Malatesta; a propaganda pela ação e o individualismo
tático; o sindicalismo revolucionário e o anarco-sindicalismo; a Comuna de Paris, o
sindicalismo no Brasil, o magonismo e a Revolução Mexicana e a Revolução Russa.

O segundo módulo, "Organicidade", apresentou conceitos básicos da organização
anarquista: o que é, quais são os objetivos, meios de atuação, função, diferença com
outros modelos de organização política, documentos orgânicos (Carta de Princípios,
Carta Orgânica e Programa), atividades, modelos de estrutura, frentes e secretarias,
lógica dos círculos concêntricos, processo decisório, qualidades militantes. Num
segundo momento, deu-se destaque à questão da Carta Orgânica, sendo apresentado um
modelo de carta para que os participantes conhecessem seu conteúdo, facilitando a
elaboração local de documentos desse tipo.

Depois da exibição de dois vídeos da Bucaneiro Produções, que mostram trabalhos
sociais no Rio de Janeiro e São Paulo, teve início o terceiro módulo, "Trabalho
Social", visando aprofundar método do trabalho de base, para o que foram tratados os
seguintes eixos: a arte do trabalho social; o sistema de dominação e sua estrutura
de classes; as diferenças entre os trabalhos que são realizados pelos agentes
internos (que moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social) e agentes
externos (que não moram/trabalham/estudam no mesmo local de trabalho social);
distintos modelos de agente, a partir das noções e diferenças entre minoria ativa e
vanguarda; as melhores maneiras práticas de iniciar e aprofundar o trabalho/inserção
social; questões de mística; método e educação popular etc.

A noite contou com o lançamento do livro Ideologia e Estratégia, de um companheiro
do FAO, e também com a apresentação cultural dos grupos de hip-hop das periferias de
São Paulo e Rio de Janeiro, Liberdade e Revolução e Us Neguin q ñ c kala, além de
uma intervenção do grupo Anarcofunk de Belo Horizonte.

O segundo dia teve início com uma breve discussão de teoria e método de análise, que
buscou suprir lacunas identificadas no primeiro dia. Logo em seguida, foi
desenvolvida uma dinâmica de grupo com objetivo de analisar/solucionar problemas
hipotéticos de militância social concreta. Além de socializar o contato e as
experiências da militância presente, a dinâmica muniu os participantes de um
conjunto teórico/prático capaz de permitir o aprofundamento dos trabalhos sociais em
curso ou que estão para ser iniciados.

Na continuação das atividades mais práticas, FARJ e OASL apresentaram seus trabalhos
sociais realizados em suas distintas frentes (movimentos sociais urbanos,
MST/anarquismo e natureza, comunitária, estudantil). O evento foi finalizado com um
debate que encaminhou questões organizativas e os próximos passos para o
fortalecimento do FAO na região Sudeste.

Para todos os presentes, o anarquismo no Brasil, de maneira geral, e mais
concretamente o caso da corrente especifista, vivencia um momento ímpar desde o fim
da ditadura militar. O processo do FAO, que completa este ano uma década de
existência, vem dando um salto quantitativo e qualitativo desde 2007, quando
conseguimos progressivamente reunir e aproximar todo o anarquismo especifista
brasileiro. A presença atual nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de
Janeiro, Mato Grosso e Alagoas pode ser ampliada, ainda em 2012, para Santa
Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco e Ceará. O aniversário de
10 anos do FAO será marcado por um evento sem precedentes, em que a organicidade
será aprofundada e daremos mais um passo na construção do processo nacional.

Compreendemos que este é não é um processo rápido e que deve contar com a
contribuição coletiva, de maneira a aprofundar teoria e prática que, para nós, são
indissociáveis. Se por um lado, notamos um aprofundamento dos trabalhos sociais e da
inserção em distintos setores do campo popular (sindical, sem terra, pequenos
produtores, sem teto, desempregados, catadores, estudantes, comunitário, indígena,
quilombolas, gênero), por outro vemos avançar um debate teórico profundo que,
generosamente, visa extrair de autores clássicos e contemporâneos elementos teóricos
e ideológicos que dêem conta de um método de análise e uma estratégia capaz de
impulsionar nosso projeto revolucionário de transformação social.

Entendemos que, modestamente, temos conseguido reinserir o anarquismo no campo da
luta de classes e dos movimentos populares e buscado criar um povo forte, capaz de
assumir o protagonismo em suas lutas e em seu processo emancipatório. O I Seminário
de Formação do FAO da Região Sudeste, juntamente com os seminários realizados nas
regiões Sul [http://www.anarkismo.net/article/20167] e Nordeste
[http://www.anarkismo.net/article/21040], demonstram a maturidade e a vontade dos
militantes que vêm superando as dificuldades de um país de dimensões continentais e
avançando na construção do socialismo libertário.


Construir o FAO!
Ética, compromisso, liberdade!
Lutar, criar, poder popular!

***


Federação Anarquista do Rio de Janeiro (RJ)
Organização Anarquista Socialismo Libertário (SP)
Coletivo Mineiro Popular Anarquista - antigo Movimento Anarquista Libertário (MG)
Coletivo Anarquista Luta de Classe (PR)
Coletivo Pró-Organização Anarquista do Espírito Santo
Coletivo Pró-Organização Anarquista da Baixada Santista
Coletivo Pró-Organização Anarquista de Ribeirão Preto
Indivíduos


Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 2012



More information about the A-infos-pt mailing list