(pt) Rusga Libertária/MT – CAB: Alberto “Pocho” Mechoso, Presente!!! (en)

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Sábado, 29 de Dezembro de 2012 - 12:33:39 CET


Os restos mortais de Alberto “Pocho” Mechoso foram encontrados nessa quarta-feira, dia 23 
de maio. Fundador da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), organização anarquista 
especifista, “Pocho” também foi sindicalista na Federação dos Operários da Carne e 
militante ativo da Organização Popular Revolucionária 33 Orientais (OPR-33), braço armado 
da FAU que dava apoio a greves e realizava sequestros de patrões e expropriações para 
financiar a luta. ---- Em seus últimos anos de vida, “Pocho” militou no Partido Pela 
Vitória Popular (PVP), organização que dissolveu a FAU dentro de si. “Pocho” se manteve 
junto a outros companheiros da FAU dentro do PVP com a intenção de refundar a organização 
especifista. Preso em Buenos Aires em 26 de setembro de 1976, seu corpo foi encontrado com 
outros sete no fundo do mar, dentro de barris com cimento.  Relembramos esse companheiro 
que mesmo sem termos conhecido é muito querido por nós. Seu exemplo militante estará 
presente em nossa luta, hoje e sempre.
Libertad o muerte!
Ni olvido, ni perdon!
Hasta siempre, Pocho!
Arriba los que luchan!
Bruno, OASL

Reproduzimos abaixo a tradução de um fragmento do livro “Ação Direta Anarquista: Uma 
História da FAU” e de uma carta escrita por “Pocho” antes de sua fuga para a Argentina.
Alberto “Pocho” Mechoso – Fragmento tirado do livro “Ação Direta Anarquista: Uma história 
da FAU”
ALBERTO “POCHO” MECHOSO, ANARQUISTA E EXPROPRIADOR
Nasceu em Trinidad, no departamento de Flores. Ali fez seus dois primeiros anos de escola, 
que continuaria depois em Montevidéu. Não conseguiu terminar o primário. De família de 
trabalhadores que tinham renda insuficiente, aprendeu a compartilhar as dificuldades com 
seus quatro irmãos.
A família, cansada de uma situação que não oferecia possibilidade alguma de melhora, 
emigrou para Montevidéu. Era questão de tentar a sorte, como tantos vizinhos que já haviam 
partido para esta aventura. A rua Ansina, no bairro Palermo, foi onde fez suas primeiras 
amizades montevideanas e imediatamente formou uma turma de amigos. O beiral da Escola da 
rua Gaboto foi testemunha de alguns castigos que sofreu por responder aos professores. Era 
rápido e agudo para questionar sobre as coisas que considerava erradas.
La Teja e o Cerro foram os bairros que o viram crescer. Três irmãos se tornaram 
anarquistas e em sua casa o libertário passou a ser tema de todos os dias. Perguntava, 
tinha simpatia, seu espírito rebelde o aproximava dessa ideologia que reclamava justiça 
para os pobres e que não a pedia de joelhos.
Mais adiante trabalhou na Indústria da carne e durante uma longa greve acabou demitido. 
Foi então feirante por um tempo junto com alguns de seus irmãos. Não existia a FAU ainda, 
havia sim uma Agrupação Anarquista Cerro-La Teja e o Ateneu Livre também Cerro-La Teja. 
Começou a militar na Juventude do Ateneu.
Corria já mais da metade da década de 1950, nesse momento o trabalho era escasso. A crise 
econômica já começava a golpear forte aos lares operários. Com um grupo de jovens como 
ele, amigos entre si e quase todos simpatizantes libertários, começaram a falar de 
finanças para montar uma cooperativa de trabalho e doar uma parte para a reluzente FAU. 
Finalmente decidiram expropriar um Banco do Paso del Molino: La Caja Obrera.
Foi um trabalho cuidadoso, estudado em seus detalhes. Encontraram uma quantidade de 
dinheiro maior do que a esperada. Fizeram a doação e deixaram o resto para o objetivo 
acordado. Foi este, por acaso, o primeiro Banco expropriado no Uruguai.
Um ano depois acabou preso vinculado a tal episódio.
Ficou seis anos detido: em Miguelete e Punta Carretas. Lia muito na prisão, por exemplo: 
“Nacionalismo e Cultura” de Rocker, “Vida e pensamento de Malatesta” de Luiggi Fabbri, “A 
Revolução” de Landeur, romances. Em um pacote, semanalmente recebia pelo menos um livro.
“- Como são esses guerrilheiros, eles seguirão a fundo?”, perguntava em uma visita em 
meados de 1959. Acompanhava com grande interesse o processo cubano.
Saiu da prisão com mais formação política e imediatamente tomou contato com a FAU. 
Iniciaram-se conversas para definir seu posto de militância. Mauricio (Gatti) foi o 
primeiro a pensar que haveria que incorporá-lo em atividades do tipo armado.
“Pocho” tinha reflexos rápidos, bom trato para acomodar as pessoas, jovial, rebelde e 
determinado, tudo isso o fazia uma pessoa singular. Gostava das piadas, brincava com 
questões sérias, fazia piadas sobre si mesmo e a militância engajada. Mas isto era 
acompanhado de uma profunda fé no que fazia e de respeito verdadeiro pelo trabalho. Era 
bom nas operações mas não subestimava nada, sempre queria analisar bem os detalhes.
Finalmente, foi, na formação da OPR, uma peça fundamental em todo o trabalho organizativo 
e também em estimular confiança nos companheiros que estavam começando. Aqui verteu sua 
experiência e sua decisão. Integrou, como encarregado, a primeira equipe operativa quando 
se resolveu encarar a atividade armada de forma específica e continuada. Realizou no 
princípio, com sua equipe precursora, expropriações bancárias decididas pela Organização e 
que foram vitais para o desenvolvimento dos projetos em curso. Depois atuou em diversas 
operações, entre elas a retenção de burgueses.
Formou parte da Aguilar [*] e sua experiência e firmeza foram contribuições inestimáveis 
neste organismo que tinha a responsabilidade da ação armada da Organização.
Caiu preso, foi selvagemente torturado, resistiu com integridade pouco comum e sozinho 
protagonizou uma fuga espetacular de um quartel. Recuperou-se de cortes nas mãos e das 
costelas quebradas e, por decisão da FAU, mudou-se para a Argentina. Ali se reintegrou 
imediatamente às atividades.
Capturado, sofreu novamente torturas no Pozo de Orletti [prisão clandestina]. Hoje é um 
dos companheiros que figura como desaparecido. Pocho, seu apelido público, ou Martín, seu 
nome de batalha, manteve sempre seus costumes, sua cultura de bom homem do povo. Menino do 
bairro, na boa rua, autodidata, leitor, modesto e com um profundo sentimento de 
pertencimento aos de baixo, deixou uma marca indelével.
Sabemos que (ele compartilhou disso completamente) não são as pessoas por si só que 
produzem o desenvolvimento e permanência de uma Organização. É uma quantidade de esforços 
de muita gente que produz algo fecundo. É nesse contexto que apontamos esta contribuição 
militante. No entanto, é certo que no marco deste conjunto imprescindível há companheiros 
com contribuições excepcionais. “Pocho” e “Santa Romero”, sem dúvida, foram exemplo disso.
[*] A OPR-33 se organizava em “células” ou equipes de 3 ou 6 pessoas, duas ou três das 
quais se uniam pra formar unidades de trabalho (operativa, de serviços ou de informação). 
Aguilar era o corpo responsável por articular essas unidades. (NT)
Texto original em: 
http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2012/05/24/alberto-pocho-mechoso-fragmento-tomado-del-libro-accion-directa-anarquista-una-historia-de-fau/
Tradução: Khaled, Coletivo Anarquista Bandeira Negra
Alberto “Pocho” Mechoso – Hoje e sempre – Viva os que lutam!!!

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Alberto Mechoso Méndez (Pocho) 1936-1976

Esta carta foi escrita após sua estada na 5ª sede da Artilharia, quartel localizado ao 
lado do Cemitério Norte, do qual fugiu. “Pocho” desapareceu na Argentina como militante da 
FAU no interior do mar de militantes que foi o PVP de 1976.
Companheiros:
Desde 6 de agosto até agora, eu acho que aprendi mais, muito mais do que me ensinaram os 6 
anos que passei em Punta Carretas; me parece que aprendi muito mais que nos 35 anos que 
tenho de vida. Por um lado está a experiência de dentro do Quartel, o enfrentamento aos 
carrascos, as mãos solidárias dos companheiros. Por outro lado o que passou depois, do 
lado de fora. Na noite seguinte à fuga me vi na televisão.
Me requeriam por “estar vinculado a…” e em nenhum lado uma só linha do que realmente havia 
passado. Depois novas listas de exigências. Uma delas era encabeçada por minha 
companheira. Me informei que a casa onde vivia com minha mãe, com minha companheira e meus 
filhos estava fechada, em custódia das Forças Conjuntas. Me informei que um militar com 
várias patentes disse que essa casa só seria devolvida se eu me entregasse.
E tudo isto que eu vivo tão intensamente, o estão vivendo, de um modo ou outro, centenas 
de milhares de orientais [uruguaios]. São muitos os pequenos separados de seus pais porque 
estão presos ou porque precisam ir a outros lados buscar o trabalho que aqui não 
encontram. São muitas as mães que não veem seus filhos porque estão sendo perseguidas ou 
porque trabalham de sol a sol para ajudar a encher a panela. São muitas as mulheres que ao 
final de uma vida de trabalho não têm um teto onde abrigar-se, porque não podem pagar com 
suas aposentadorias miseráveis ou porque a mente podre dos carrascos vinga sobre elas a 
rebeldia dos filhos que com imenso carinho elas souberam criar.
E ante tudo isto, que outro caminho nos resta? Ante tudo isto, de que maneira vale a pena 
viver a vida?
Há um só caminho, há uma só maneira de viver sem sentir vergonha: lutando. Ajudando para 
que a rebeldia se estenda por todos os lados, ajudando para que se unam o perseguido e o 
homem sem trabalho, ajudando para que o “sedicioso” e o operário explorado se reconheçam 
como companheiros, aprendam lutando que têm à frente um inimigo comum. Por tudo isso, 
companheiros, quero que me guardem um lugar… por tudo isso não vou tardar em voltar. 
Liberdade ou Morte.
“Pocho”
Texto original em: 
http://federacionanarquistauruguaya.com.uy/2012/05/23/alberto-pocho-mechoso-hoy-y-siempre-arriba-los-que-luchan/
Tradução: Khaled, Coletivo Anarquista Bandeira Negra
Retirado da página: 
http://www.vermelhoenegro.co.cc/2012/05/alberto-pocho-mechoso-presente.html


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