(pt) Anarkismo.net: O coronelismo eletrônico e a governabilidade by Bruno Lima Rocha

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Quarta-Feira, 26 de Dezembro de 2012 - 19:23:40 CET


Este ano encerra com alguns fatos marcantes na política brasileira. Parece que finalmente, 
Luiz Inácio vira alvo de denúncias materialmente prováveis. Já o STF conclui um julgamento 
processado por longos sete anos e a ação penal 470 pune e condena aos membros do chamado 
Mensalão. E, como sempre, cortinas de fumaça tergiversam sobre um tema básico da 
democracia contemporânea. A liberdade de expressão, comunicação e informação estão 
asseguradas no Art.220 do Título VIII do Capítulo V da Constituição Federal de 1988. Mas, 
ao contrário deste artigo, outros estão fora do debate público. Por quê? --- Uma das 
causas é a maioria a compor o famigerado presidencialismo de coalizão. Para os preocupados 
em ver no Brasil a reprodução da acertada Lei de Meios da Argentina, ou a Lei de 
Responsabilidade Social no Rádio e TV (Resorte) venezuelana, afirmo não haver motivo algum 
para o temor.

Basta fazer as contas para compreender a razão. Nos anos ’90, a banda Paralamas do Sucesso 
gravou o hit “Luís Inácio”, onde o refrão dizia haver “300 picaretas com anel de doutor”. 
Pois, com ou sem picaretagem, o fato é que a mesma maioria da tal da governabilidade conta 
com proprietários de meios de comunicação em escala regional ou nos estados.

O conceito clássico é o coronelismo eletrônico, assinado pelo professor Venício Lima da 
UnB. Este acadêmico brasileiro o desenvolve a partir das idéias de Raymundo Faoro e Victor 
Nunes Leal, onde o mandonismo e os coronéis estaduais são reeditados na forma de 
controladores de empresas produtoras de bens simbólicos, não por acaso retransmissoras das 
cabeças de rede e concessionárias de serviço público. A linha editorial destes 
conglomerados costuma ser bastante promíscua, sendo que os departamentos de jornalismo de 
algumas afiliadas da empresa líder foram alvo de justa intervenção da matriz no início 
deste século. Personificam esta triste maioria da máquina eleitoral pós-socialista do PT 
as relações com a família Sarney e Collor de Mello. Outrora adversárias estas oligarquias 
hoje são aliadas do partido de governo, e, simultaneamente, donas de meios eletrônicos e 
impressos.

Como não se imagina uma fração de classe dominante, dublê de elite dirigente e 
proprietária, vir a legislar contra seus interesses, os opositores do governo de turno não 
tem o que temer. Assim como a reforma agrária e a urbana, este é um tema tabu e não será 
tocado por Dilma Rousseff. No momento, bater na mídia privada é apenas uma pauta de 
ocasião e não é nada programática.
Bruno Lima Rocha

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