(pt) Revista Aurora Obrera #21 - Dos adjetivos e jargões (en)

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Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2012 - 09:06:13 CET


“Isso só poderia ser coisa de um homem, branco e classe média...” - “Aquilo é a extensão 
do seu pinto” ... Essas são duas frases simbólicas que ultimamente temos escutado em 
conversas, discussões, diálogos em diversos ambientes e contextos variados. ---- Não 
podemos negar que ditas de forma agressiva ou não, revelam um pouco o processo da história 
das relações de dominação que vivenciamos e traz a tona algo que muitxs não estão 
preocupadxs por terem esses valores introjetados no próprio ser, por isso considerado 
“natural”. Essas frases tendem a mexer em nossas construções como seres humanos, 
principalmente naquelxs imersos em seus personagens estereotipados. --- Ao mesmo tempo que 
trás um segundo de reflexão e causa aquele mal estar do qual procuramos em nossa zona de 
conforto algo para que possamos justificar ou negar tais jargões apelativos e provocativos.

  Na maioria dos casos, pessoas dentro
da rotulagem aceita e construída sentem-se provocadxs a reagir, retornando
também outros jargões pré-estabelecidos, perdendo uma preciosa e saudável troca
de ideias. Talvez seja o tom com que é feito respondendo a uma ofensa direta ou
mascarada que leve ao uso de frases prontas e de adjetivos, mas o fato é que ao
expressa-las mudam o teor da conversa/dialogo/discussão ou seja lá o que for.

A adjetivação em boa parte das conversas, é usado como recurso a falta de
argumentos discursivos, são usados para emocionar xs envolvidxs, xs quais em
muitos casos são desestruturadxs e entram no processo apelativo em questão
retribuindo as adjetivações. Muitas contém realmente um sentido real de
atribuição outras não, são apenas peças decorativas e ilustrativas da falta
argumentativa, muito recorrente por exemplo em discursos “dos grandes
machões”: “Fulanx é isso, Sicranx é aquilo, elx é verde com bolinhas, olha a roupa
daquelx @#*&”. O apelo emocional que as adjetivações produzem não pode ser
descartado e se bem usado, tende a causar reações que vão de uma reflexão até
um explosão de irracionalidade e isso é muito frequente no discurso machista.
O uso desse recursos de forma inversa é interessante e se devidamente usado
serve para o crescimento da luta de emancipação de todxs.

Se queremos que mais pessoas nos escutem, temos que gritar em alto e bom
tom, mas se abusarmos dos recursos de adjetivação sem nenhum conteúdo
justificável, nos isolamos em vez de ampliar nossa luta.

No caso ainda temos que entender que adjetivar pessoas vinculadxs a
determinado rótulo é um exercício de paciência porque quem tem uma opinião
formada em preconceitos transmitidos por uma sociedade opressora, fixados pela
família e apoiado pelas religiões e Estados dificilmente compreenderá o contexto
de uma adjetivação sem um argumento complementar, a não ser como um ofensa
no melhor dos casos e um elogio no pior dos casos.


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