(pt) Revista Aurora Obrera #21 Ano 2 - December 2012 - O cara que consumia

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Segunda-Feira, 17 de Dezembro de 2012 - 11:20:18 CET


Indice ---- O Cara que Consumia p4 ---- Dos Adjetivos Jargões p7 ---- Sindicalistas 
Revolucionárixs, Unidxs! p9 ---- Danças das Ideias p11 ---- III Fera Anarquista de São 
Paulo p13 ---- Chegamos a mais um fim de ano e com ele a 21a edição da Aurora Obreira. --- 
2013 será especial, pois continuaremos as ações diretas, as lutas reivindicativas,
a produção de materiais de apoio e divulgação do anarquismo, de suas lutas. ---- Como 
sempre convidamos a todxs: Nos apoiem, produza, seja voluntárixs, faça a diferença com 
atividades e tudo que possa impulsionar o anarquismo nas suas várias formas de expressão, 
só não vale ficar paradx, olhando e esperando as coisas acontecerem, porque além de não 
acontecerem, está ajudando nossos inimigxs a se manterem no poder. --- Existe muita coisa 
para se fazer, motive-­se!

Na construção do comunismo
libertário através de práticas anarquistas,
saúde e anarquia!

O cara que consumia
Bombardeadxs com tanta propaganda era difícil encontrar alguém que
resistia a tanta “novidade” e informação. O caso aqui não é diferente, um cara
consumia. Mas não era apenas para se alimentar que consumia, não era apenas
para se vestir que consumia, não mais para se chegar a algum lugar que
consumia, não era mais por uma necessidade.

Tinha mudado, tudo que tinha não era bastante, sempre mais e melhor, era
isso que fazia, consumia, sua vida era o consumo e o consumo tinha o
transformado no cara que consumia. O importante não o que adquiria ou que
satisfazia algum necessidade, não, o que era importante era o consumo em si, a
necessidade virou só uma justificativa para que pudesse satisfazer a sua paixão:
consumir.

Em sua tela plana de última geração ligada 24 horas, era informado qual a
próxima quinquilharia que teria que adquirir. Aquilo ficava nele, repassando as
propagandas na cabeça a cada minuto, no trabalho, afinal para consumir da
forma que desejava tanto, tinha que trabalhar, mesmo que esse trabalho fosse
algo escuso e que prejudicasse as outras pessoas, mas não lhe importava, se seu
desejo fosse satisfeito, porque não?

Porque afinal aquilo era o seu desejo, aquilo que nunca teve e que sempre
precisou desde que viu a propaganda no veículos de “distração” de “deformação”
dos sentidos, era seu sonho, acordava no meio da noite sentindo aquela falta e se
lamentava porque ainda não tinha algo tão importante e que mudaria sua vida.

Remoía e remoía a cada segundo a falta de uma artigo tão importante e com
tanta novidade que ficava surpreso como poderia viver tanto sem te-lo.

Não, nada conseguiria descrever a angustia dos dias, dos minutos e segundos
a esperar aquele produto imprescindível que comprará em suaves prestações.

Quando lhe entregam a caixa é um gozo só! Só se entregam aos prazeres da
carne quem nunca pode ter o consumo! Assim pensava o cara que consumia.
Abria a caixa como acariciava uma amante e com um champanhe chegava a
vários orgasmo múltiplos.

Mas a vida é cheia de reviravoltas de consumo e o cara que consumia
encontrou a mina que consumia. Foi amor a primeira compra, ambos pegando
aquele produto, último da prateleira, quando se tocaram viram que havia algo os
ligava, eram a compras!

Unidos, consumiam tudo que uma família precisava para ser feliz. Não havia
nada que não fosse comprável, sendo etiquetado era um bem a ser adquiridoambos se 
esforçavam para obter, e não pela o fato de ser necessário, mas sim de
ser desejado. Cada propaganda, cada anúncio, cada oferta e promoção, corriam
para obter o tão importante e desejado objeto.

Com o tempo, começaram a pensar em coisas mais “espirituais”... adquirindo
terrenos no mundo celestial, pagando pequenas fortunas para obter amuletos
divinos e visitar lugares sagrados. Afinal não há distinção entre esses bens e os
bens que adquiriam, e pouco importava, porque o fato de ter, mesmo que em
forma imaginária satisfazia ambos muito bem. Se havia ou não, pouco importava,
desde que pudessem satisfazer sua compulsividade de consumo.

Aquele casal tal como o que faziam descontroladamente, estavam em fim
consumidos pelo o que consumiam, escravos das coisas que tanto precisavamdas inovações que 
vinham em enormes ondas, uma atrás da outra. Até que
aquelas coisas os devoraram, mas não importava mais... seus filhos estavam de
olho no próximo lançamento daquele produto que irá mudar a vida de todxs ...
conforme a descrição do fabricante.


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