(pt) Anarkismo.net: Brazil, A Operação Porto Seguro e a hierarquia paralela by Bruno Lima Rocha

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Sábado, 1 de Dezembro de 2012 - 11:09:04 CET


Rosemery Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete do escritório de representação da 
Presidência da República em São Paulo, é peça-chave na Operação Porto Seguro. ---- A lista 
dos alvos investigados na Operação Porto Seguro tem capilaridade. Os cargos ocupados 
refletem a ação sistemática - por dentro do aparelho de Estado – de relações de lealdade e 
hierarquia informal sendo superior a hierarquia funcional dos respectivos órgãos. São 
eles: a chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo; o 
adjunto da AGU; um ex-senador; o chefe de gabinete da Antaq; o procurador geral da Antaq; 
um membro da Consultoria Jurídica do Ministério da Educação; um responsável pelo banco de 
dados do Ministério da Educação; um funcionário dos Correios; uma assessora da Secretaria 
de Patrimônio da União; o diretor de Hidrologia da ANA; e o diretor de Infraestrutura 
Aeroportuária da Anac. Além destes, a lista também é composta por empresários e advogados. 
Para irmos além do fato, um pouco de teoria não faz mal.

Um dos mais importantes intelectuais brasileiros, Adelmo Genro Filho, dizia que a 
excessiva singularidade na cobertura factual dava a base do sensacionalismo. Ampliando o 
conceito, posso afirmar o mesmo em relação à desinformação estrutural. Na ausência de uma 
teoria generalista explicando o fenômeno da corrupção, caímos no tema dos desvios de 
conduta e apenas no enquadramento legal. A Operação Porto Seguro revela uma cadeia de 
comando em forma de rede, onde por dentro de órgãos “reguladores”, de fiscalização e 
controle, além de um ministério, a quadrilha operava sobre os processos e pareceres 
“técnicos”.

Qualquer pessoa que transite por dentro de um labirinto burocrático oficial sabe que a 
máxima do “negócio” é gerar dificuldades para vender facilidades. Indo além da insanidade 
gerencial, controlar os processos implica em dizer quem passa na porteira e quem é 
barrado. Mais do que crime de colarinho branco, temos uma relação estrutural. Cadeias de 
comando paralelas indicam pessoas para cargos de confiança ou de chefia; estes sabotam a 
relação hierárquica formal e atendem interesses de tipo consórcio político-empresarial. 
Obviamente, estes operadores recebem benesses. O neologismo criativo dos brasileiros 
apelida estas recompensas de “mimos”. Em busca de mais “mimos”, mede-se a relação de poder 
dos “chefes” ou agrupamentos segundo o orçamento que cada comissionado manipula ou autoriza.

Detalhe. Tudo isto só ocorre porque do outro lado do balcão sobra demanda. Os agentes 
econômicos envolvidos em compras de governo tampouco têm limites, praticando sem dó o 
vale-tudo empresarial para conseguirem seus objetivos.
Bruno Lima Rocha

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