(pt) [Espanha] Crônica do 4º Encontro do Livro Anarquista de Salamanc a

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Terça-Feira, 4 de Outubro de 2011 - 12:11:03 CEST


Entre 12 e 14 de agosto, foi realizado em Salamanca o 4º Encontro do Livro
Anarquista. Foram organizadas várias atividades de temática cultural libertária, que
incluiu: apresentação de vários livros recentemente publicados, um recital poético,
concerto de cantores, feira do livro e a exibição de um documentário sobre as
macroprisões.
Nesta edição, os organizadores, continuando com o objetivo de levar o Encontro cada
ano a um ponto diferente da cidade; elegeram como lugar dos atos o Centro Cívico do
bairro de "Puente Ladrillo", realizando a feira do livro adjacente ao parque Tomás
Breton, com a participação de várias distribuidoras e livrarias de todo o país.
Embora este ano se observasse a presença de menos participantes do que em edições
anteriores, continuou existindo uma fantástica atmosfera cultural e fraternal, que
caracteriza o Encontro do livro em Salamanca.

Os eventos começaram sexta-feira, com a abertura do Encontro pelos organizadores,
que agradeceram e incentivou a participação ao mesmo, falando, além de questões
locais, especialmente da ordenação cívica da cidade, que é repreendida desde a sua
adoção há 3 anos a todos os coletivos sociais e vizinhança que se atrevam a fazer
uso legítimo da rua para suas atividades.

Seguindo, um companheiro chileno apresentou o livro "Rebeldía, subversión y prisión
política. Crimen y castigo en la Transición chilena" (Rebeldia, subversão, e prisão
política. Crime e castigo na Transição chilena (1990-2004)), descrevendo a situação
política, carcerária e revolucionária que viveu o país andino desde o fim da
ditadura de Augusto Pinochet.

À noite, o militante libertário e poeta jienense, Juan Cruz López, coordenou um
recital de poesia em que leu seus poemas e também vários de outros poetas, a maioria
relacionados com a luta, a desigualdade social e os problemas humanos (especialmente
que diz respeito à prática da sociedade como um todo, ou seja, os trabalhadores); ao
final da noite, vários participantes também foram estimulados a recitar alguns
versos, elaborando em comum um divertido "cadáver requintado".

O sábado começou com a apresentação e debate do livro "Ejércitos en las calles"
(Exércitos nas ruas), que foi publicado este ano pelo Bardo, defendendo suas teorias
sobre como a OTAN está desenvolvendo uma militarização planejada da sociedade, e
como nós inconscientemente aceitamos a mesma.

No início da tarde, solidários com Tamara (anarquista esperando julgamento por sua
solidariedade demonstrada durante a campanha pela liberdade de Amadeu Casellas)
fizeram um breve esboço da situação penal em que se encontra a companheira.

Este foi seguido pelo painel de editoras libertárias, que discutiu vários editores e
livreiros com a sua presença na feira. O debate foi longo, versando sobre a
necessidade ou não de levar nossos livros para cadeias comerciais, a importância da
publicação de livros de temática específica anarquista, como chegar mais às pessoas
e à distribuição em autogestão (como é feito, por exemplo, em várias feiras e
rastrillos organizados).

O último ato da tarde de sábado foi a apresentação do livro "La autogestión en la
España revolucionaria (1936 - 1939)" (A autogestão na Espanha revolucionária) pelo
seu autor, o pesquisador francês Frank Mintz, que falou sobre os anos de
transformação social em que as organizações e ativistas libertários desempenharam um
papel importante, estabelecendo semelhanças com experiências de coletivização atuais
na Argentina e em outras partes do mundo.

E à noite os cantores: Diego, Buter e Pelando Cebollas, tocaram suas músicas, em uma
grande atmosfera festiva em que não prevaleceu o álcool ou altíssimos decibéis, e
sim as boas vibrações, respeito e a vontade de aprender.

Após o café da manhã de domingo e da colocação dos postos na feira, começou com a
apresentação conjunta dos livros: "Catastrofismo. Administración del desastre y
sumisión responsable" e "Chernoblues. De la servidumbre a la necesidad de
servidumbre" (Catastrofismo. Gestão de desastres e submissão responsável) e
(Chernoblues. Da servidão à necessidade de escravos).

À tarde, o militante da CNT David Ordóñez apresentou o seu livro "Agitación
anarcosindicalista" (Agitação anarcossindicalista), oferecendo uma análise pessoal
sobre a organização sindical libertária, apontando seus pontos fortes e fracos,
desde uma perspectiva crítica e construtiva, o que gerou muita discussão.

Para concluir o Encontro, dois membros do coletivo "Autodefentza Taldea" de Vitoria,
comentaram sobre o documentário "Contra las macrocárceles" (Contra as macroprisões),
relatando sua luta contra a construção da prisão de Zaballa (Álava).

Ressaltar também que todos os dias a alimentação teve um cardápio vegano, onde
pudéssemos continuar as conversas iniciadas nas palestras; assim como os
companheiros da Rádio Onda Expansiva de Burgos fizeram uma cobertura constante do
Encontro.

Minha impressão particular é boa: o Encontro de Salamanca se consolida e também o
grupo regular de organizadores e participantes que se comprometem a melhorá-lo em
cada edição. Acredito que iniciativas como esta são necessárias para o movimento
libertário, pois é um lugar de encontro de companheiros de distintas tendências, que
colocam juntos construtivamente seus pontos de vista diferentes, algo realmente
louvável e interessante atualmente.

Também considero muito importante "sair de nossos locais", trazer nossas idéias para
os bairros, levando livros para os vizinhos, conversando com eles e conhecendo seus
problemas e preocupações; o processo é lento, mas temos de continuar abertamente,
sem dogmas, devemos ir por tudo, com sinceridade e sem complexos, com união e "sem
ralladas", acreditando no que difundimos para construir alternativas aqui e agora.

É desejável e necessária a divulgação das nossas propostas "fora do gueto". Devemos
chegar à sociedade sentindo-se parte dela, não sujeitos isolados e distintos dos
nossos semelhantes; convencer não é fácil, mas movimentos horizontais e de
assembléias como o 15M abriu uma maneira emocionante que em até seis meses era
impossível de pensar.

O anarquismo pretende ser uma ideologia de massas, atitudes "marginais" que às vezes
(felizmente cada vez menos) fomentam determinados companheiros: promovendo uma
estética estereotipada ou uma falta de higiene e limpeza, e, claro, longe da maioria
das pessoas, não estão exatamente de acordo com nossas idéias. Devemos
definitivamente superar esses comportamentos, não estão de acordo.

Indicar que se fez falta a presença de mais companheiros dos sindicatos da CNT nos
atos, pois o ambiente era compatível para eles e teria sido muito interessante sua
presença; espero que depois de ler estas linhas se animem a vir no próximo ano.

Para concluir, destaca-se o comportamento vergonhoso da Prefeitura de Salamanca e da
polícia local, que recusaram a permissão de petição da rua para realizar a feira do
livro sem qualquer motivo justificado; apesar de estar na ilegalidade foi decidido
montar os postos no lugar solicitado, em protesto contra a terrível e totalitária
política institucional. Finalmente a polícia não apareceu e, portanto, não houve
nenhum problema.

O ano que vem mais e melhor, nos veremos em Salamanca.


Para mais informações, consulte o blog: www.encuentrosalamanca.blogspot.com.

Carlos Coca

agência de notícias anarquistas-ana



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