(pt) [Reino Unido] Southampton: okupar o mar

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Terça-Feira, 29 de Novembro de 2011 - 12:24:00 CET


Quem disse que o movimento okupa limita suas atividades apenas ao setor imobiliário?
Ou em outras palavras, quem disse que só pode se apropriar de imóveis, ou seja,
aqueles que estão intimamente ligados ao solo, com um local fixo e que não possa ser
movido sem causar danos aos mesmos? Isto deveria se perguntar, faz alguns anos
atrás, uma dezena de homens e mulheres (e um cão) quando decidiram embarcar na
aventura de okupar barcos abandonados, semi-abandonados e praticamente prontos para
a demolição. Não se trata de piratas ou mendigos, mas sim de pessoas que cobrem as
suas necessidades básicas com uma imaginação sem limites recuperando o quê, não
fosse por eles, o robin devoraria irremediavelmente.
Ancorados nas águas barrentas e malcheirosas do Itchen, onde o rio e o mar se
confundem sem saber exatamente onde termina um e começa o outro, exercem seu direito
à habitação. Esta peculiar pequena colônia de barcos okupados é composta, em sua
maioria, por ingleses e irlandeses de meia-idade, desempregados e andarilhos (por
exemplo, um deles disse ter vivido mais de um ano em uma caverna em Alicante) que
foram condenados pelos truques sujos do sistema para sobreviver de uma maneira
diferente do resto.

Até agora, nem a polícia nem as autoridades da cidade chamaram-lhes a prestar
contas. Mas não devem baixar a guarda, pois parte do rio, do mar e das praias, além
de contaminados, são propriedade privada: pertencem às indústrias de navegação que
fazem fronteira ou a hotéis de luxo e, não nos enganemos, à classe de turismo de
cruzeiro não agrada encontrar em águas de Southampton com esse espetáculo okupa tão
distante de sua sensibilidade naif. Para eles, Southampton é apenas a famosa cidade
do sul da Inglaterra, da qual zarpou em 10 de abril de 1912 o luxuoso Titanic; ou
que em 1937 a cidade acolheu 4000 crianças bascas do lado republicano ou, na melhor
das hipóteses, uma das primeiras cidades inglesas a ser destruída por bombardeios
alemães durante a Segunda Guerra Mundial, mas nada a ver com experiências de
okupação.

No entanto, embora seja apenas seis barcos de médio porte dilapidados com menos de
doze pessoas no total, podem tornar-se pioneiros da okupação marítima. E na falta de
bens imóveis, bem vindos sejam os móveis.

Pedro García Guirao

Jornal "CNT" Nº 383 - novembro de 2011


agência de notícias anarquistas-ana




More information about the A-infos-pt mailing list