(pt) [Grécia] Exarchia, Crise e Greve Geral

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Quarta-Feira, 11 de Maio de 2011 - 17:12:44 CEST


As ruas de Exarchia estão quase vazias. A maioria dos atenienses deixaram
a cidade durante a Páscoa, um dos maiores feriados do ano por aqui, então
as suas ruas normalmente movimentadas estão vazias. As lojas e os cafés
têm as portas de segurança trancadas, revelando a arte de pinturas
coloridas de spray anti-autoritárias. As imagens de manifestantes
utilizando máscaras de gás, as palavras de ordem contra o capitalismo e
contra o governo e tributos aos militantes presos cobrem as paredes de
quase todos os edifícios, revelando um pouco da contra-cultura que
geralmente acontece aqui.

Exarchia é conhecida em Atenas como o centro de lutas sociais. Este bairro
densamente povoado tem a reputação de ser anti-sistema e de ser o abrigo
de estudantes, anarquistas, artistas e esquerdistas de todos os tipos. Um
mês de protestos por todo o país foi atiçado em Dezembro de 2008 quando um
estudante do secundário e anarquista de 15 anos foi atingido a tiro e
morto pela polícia perto da Praça de Exarchia. A maioria dos atenienses
odeia a polícia, e quando este jovem foi morto todo o país explodiu. A mãe
de Alexis construiu um memorial na esquina onde ele foi morto com a sua
foto e as seguintes palavras:

"Aqui, no dia 6 de Dezembro de 2008, sem qualquer razão, o sorriso de
criança foi extinto do inocente Alexis Grigoropoulous de quinze anos de
idade pelas balas dos assassinos sem perdão”.

Sinais dos protestos de Dezembro de 2008 podem ser ainda encontrados por
aqui. Um edifício governamental que alojava o Ministério das Finanças
continua vazio; resquícios de uma estrutura completamente queimada.
Janelas que ainda se encontram partidas noutros edifícios, palavras de
ordem que não foram bem lavadas e pintadas de stencil de Alexis podem ser
ainda encontradas em pilares de mármore por toda a cidade.

Este bairro é a morada da Universidade Politécnica, onde muitos confrontos
entre estudantes e polícia tiveram lugar. Na Grécia a polícia não pode
entrar nas universidades. A 17 de Novembro de 1973, dezenas de estudantes
que se revoltaram contra o governo militar foram atingidos por balas por
militares no auge de um movimento massivo de protesto. Apenas alguns meses
depois, o governo caiu e foi substituído por uma Democracia moderna. Os
gregos não esqueceram este acontecimento e estão preparados contra o
ataque às suas liberdades. Eles são especialmente sensíveis no que diz
respeito às incursões policiais nas universidades e são várias vezes
postos fora por estudantes e anarquistas que recusam que a história se
repita.

O 1º de Maio está ao virar da esquina e apenas dez dias depois há uma
greve geral. O campus Politécnico em Exarchia será sem dúvida o coração de
muitos confrontos que terão lugar neste mês que vem. A economia grega está
de rastos, os trabalhadores estão sobre um constante ataque e as pessoas
que aqui vivem estão furiosas. Toda a gente por aqui fala da greve geral
como algo com potencial para dar início a uma revolução. Muitos comparam a
corrente crise ao colapso da economia Argentina em 2001, que levou a
protestos massivos por todos os setores da população. Dez anos passaram
desde então e o governo grego está numa situação muito parecida. Estão
encurralados pelo alto valor do Euro e estão a ser forçados a atacar
financeiramente a sua própria população pelo FMI e pela União Europeia. A
Grécia é um barril de pólvora. Será a greve geral de 11 de Maio o
rastilho.

Imagens de Exarchia, Atenas:

›
http://www.flickr.com/photos/insurgent/sets/72157626467288653/with/5661189181/

Tradução > P.M.

Nota da “ANA”:

Os gregos e gregas farão uma nova Greve Geral nesta quarta-feira, 11 de
maio, para protestar contra as medidas de austeridade e as privatizações
receitadas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

agência de notícias anarquistas-ana





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