(pt) [França] Manif-ocupação contra o aeroporto e o seu m undo!

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Sábado, 7 de Maio de 2011 - 10:03:12 CEST


[Grande jornada de luta, sábado, 7 de maio, em Notre Dame des Landes, ao
norte de Nantes, pelo acesso à terra, contra o aeroporto e o seu mundo!]
Por espaços insurretos, ocupemos as terras!  Durante quarenta anos, os
políticos e os construtores/empreiteiros alimentaram a idéia e prepararam
o terreno para a construção de um novo aeroporto próximo de Nantes, com
vista à satisfação dos seus vorazes sonhos de metrópole e de expansão
econômica, numa área correspondente a 1650 hectares de terras agrícolas e
pequenos povoados, chamado ZAD (Zona de Desenvolvimento Reduzido, dito
doutro modo Zona a eliminar). O projeto do aeroporto de Notre Dame des
Landes, que deveria ser enquadrado como um delírio obsoleto, está sendo
adaptado para tornar-se um exemplo gritante do “capitalismo verde” e da
sua arrogância ideológica.
A luta contra o aeroporto encontra-se num ponto de virada com a assinatura
em janeiro deste ano do contrato de construção e de exploração com a
Vinci, empresa francesa líder mundial na prestação de serviços nas áreas
da Construção Civil e Obras Públicas. A ofensiva propagandística em todas
as direções é reforçada para justificar um projeto em relação ao qual os
responsáveis têm a noção clara da sua fragilidade. Apesar da edificação
das obras para os próximos anos, sabemos que esta luta pode ser ganha e
estamos nos preparando para que toda a tentativa de construção seja
barrada e lhes saia cara. Os exemplos das vitórias obtidas na região no
passado, contra os projetos nucleares de Plogoff, de Carnet ou de
Pellerin, revelam que as obras, mesmo as mais megalomaníacas, podem ser
bloqueadas se a determinação for suficiente e se forem utilizados os meios
adequados.
Paralelamente, existiram numerosas ações em apoio às lutas dos
agricultores e agricultoras e outros habitantes que resistiam, de tempos a
tempos houve a
necessidade de repetir passo a passo todas as lutas e, após dois anos, as
casas e
terrenos foram requisitadas pelos empreiteiros do aeroporto.
Construiu-se uma base de resistência nas ZAD: cabanas nas árvores e no solo,
jardins, casas reabilitadas, espaços de reunião e de trabalho, mas também uma
padaria, um alojamento, uma biblioteca e um atelier de produção gráfica.
Atualmente,
contamos já com cerca de sessenta novos habitantes na ZAD, repartidos por
cerca de
uma quinzena de espaços.
Integrada nesta dinâmica a manifestação de 7 de maio visa a instalação
coletiva de
um projeto agrícola em terrenos baldios para defender essas terras, viver
aí e
contribuir para a alimentação da ZAD e seus arredores.
Esta iniciativa é fruto do encontro entre Reclaim The Fields, rede
européia de
agricultores e de sem terra, e dos ocupantes da ZAD. Destina-se a todos e
a todas
aqueles e aquelas que lutam para que a agricultura tenha futuro, que
participam há
longo tempo na resistência local e não querem renunciar e a quem quiser
aderir à
luta atualmente. Convidamos todos e todas para que este 7 de maio seja um
momento de
ação coletiva, de encontro e de festa, e propomos ficar nos dias seguintes
para
reforçar a instalação da ZAD.
Pelo acesso à terra!
Numerosos agricultores e agricultoras procuram cultivar a terra numa
lógica crítica
a uma indústria agro-alimentar, sinônimo de exploração econômica
globalizada, de
destruições ambientais e de formatação da gestão da sociedade. E encontram
e têm de
fazer em face de numerosos obstáculos. Um dos maiores problemas é a
dificuldade de
acessar a terra, fazer construção, do estrangulamento dos pequenos espaços
agrícolas, da política de constante expansão das explorações agrícolas
existentes.
De vez em quando indivíduos ou coletivos, principalmente na cidade, pretendem
encontrar meios de se alimentar em bases locais e de trocas diretas ou
produzirem
uma parte da sua alimentação. Este processo encontra-se também bloqueado
pelas
políticas agrícolas, pelas formas atuais de urbanização e de concentração
de terras.

Há um conjunto substancial de terras agrícolas na ZAD. Apesar das iniciativas
realizadas ao longo de décadas para manter o seu uso, algumas estão
transformadas em
terrenos baldios, outras podem ter sido expropriadas, e ameaçam as
existentes de que
o arrendamento rural pode não ser renovado por causa do andamento dos
trabalhos.
Todas serão perdidas se o projeto do aeroporto chegar ao seu termo.
A iniciativa do 7 de maio constitui uma etapa na construção de um
movimento mais
amplo para libertar as terras.
Contra o aeroporto e o seu mundo!
A luta contra o aeroporto de Notre Dame é uma luta que envolve as questões
que nos
unem, o cruzamento das problemáticas e pensar estratégias comuns. Através
desta
luta, combatemos a alimentação condicionada, a sociedade industrial e o
aquecimento
climático, as políticas de desenvolvimento econômico e de controle do
território, as
megacidades e a normalização de formas de viver, a privatização do comum,
o mito do
crescimento e a ilusão de participação democrática

Agora que as preliminares de construção se intensificaram, é necessário
dar um novo
fôlego a esta luta, que se opõe diretamente às perfurações, prospecções,
inquéritos
públicos, eventuais expulsões, aumentando a pressão sobre os responsáveis e
decisores, assim como sobre as companhias ligadas ao projeto, e ainda criando
momentos de ações coletivas de massas. A ocupação da ZAD é um das mais
importantes
entre todas as luta contra o aeroporto. Estas formas de ocupação de uma zona
ameaçada permitem ligar construção e resistência. Elas conjugam
experiências de vida
e de produção e uma dinâmica ofensiva ao mesmo tempo que bloqueia
eficazmente o
avanço das obras do aeroporto.
O aeroporto não passará!
Não permitiremos que se construa!
Contato: reclaimthezad[arroba]riseup.net
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana




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