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Quarta-Feira, 16 de Março de 2011 - 14:28:12 CET


Sou de uma família humilde, trabalhadora, de pais professores. Vivi até 22
anos de minha vida como a maioria de todos os jovens cubanos, no amparo do
sistema, suas leis, sua história e educação. Até que acordei, pelo ano
2001, quando comecei a tomar consciência dos acontecimentos e fatos na
minha vida e de um monte de gente com as mesmas condições. Eu queria
entender por que muitos viviam cercados por tanta pobreza em um país que
se gabava de dizer que aqui tudo estava bem e que os problemas eram
mínimos, quando a realidade de muitos de nós, especialmente aqueles com
pele escura, ficou tão danificada e afetada.

Para aqueles momentos, mostrava sinais de descontentamento e desacordo e o
culminar de tudo isto foi quando conheci o movimento hip-hop. No meu
primeiro show em 19 e 10 no Vedado, conheci várias pessoas que mais tarde
se tornaram meus amigos e irmãos; percebi que havia me engatado e foi uma
maneira de transmitir tudo o que tinha por dentro e tinha necessidade de
dizer. O rap é um modo maravilhoso de expressão.

No começo, não me considerava apto a fazer o rap e procurei aqueles que
defendiam esse gênero na minha área em Güines, de onde sou. Eu me envolvi
com alguns meninos que se chamavam “Los Patriotas” (Os Patriotas). Eu lhes
disse que escrevia rimas para rap, que tinha algumas coisas escritas.
Pediram para vê-las e acabou que gostaram e começaram a cantar minhas
músicas. Finalmente, em 2003, decidi que queria tentar fazer rap com
minhas próprias canções, e “Los Patriotas” abriram o caminho para eu fazer
isso com eles. Então eu comecei. Com o tempo, o projeto começou a chamar
“Escuadrón Patriota” (Esquadrão Patriota).

Desde o início sempre senti que tínhamos que ser um projeto progressista,
de combate crítico, protestando, porque nós éramos da mesma realidade de
grande parte da sociedade que nos rodeava. Participamos de eventos,
ganhamos festivais, fomos convidados a disputas de rimas e mantendo sempre
um discurso de protesto e crítica social.

Em 2004, dois irmãos deixaram o grupo; seguimos e gravamos uma demo que
foi chamada “Voces Clandestinas” (Vozes Clandestinas). Em 2005, o projeto
Esquadrão Patriota é declarado "censurado" e expulso do apoio
institucional, por cantar canções condenadas como
"contra-revolucionárias". Começa uma fase dura e difícil para o rap cubano
e sua nova estrutura de discurso. Para o Esquadrão limitou-se à
participação em muitos eventos, porque não é permitido fazer apresentações
sem adesão como músico profissional em uma instituição aqui, portanto não
o permitiam. Mas de vez em quando alguns irmãos que se atreviam a desafiar
a ordem estabelecida convidavam o Esquadrão para as suas atividades.
Durante este tempo, o outro último membro integrante do Esquadrão se
separa e eu fiquei como o único MC do projeto.

A experiência dá-me a refletir e ajustar minha estratégia musical. Em 2008
gravei independentemente, exercendo o título “Esquadrão Patriota”. O álbum
foi intitulado "Mi Testimonio” (Meu Testemunho), e continuei trabalhando
no hip-hop, fazendo contribuições, participando de projetos como "La
Comisión Depuradora" (A Comissão Depuradora), formando a plataforma para o
meu último álbum, chamado “El Legado” (O Legado).

A missão do projeto Esquadrão Patriota é criar consciência entre as
gerações, raças e grupos sociais. Carregar a responsabilidade de mudança
social ou política da nossa ilha deve incluir a nossa perspectiva, a dos
jovens, dos negros, de quem nos encontramos abrangidos pelo sistema.

Rauldel Collazo Pedroso

Fonte: Cuba Libertária, N˚19, março de 2011

agência de notícias anarquistas-ana





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