(pt) Entrevista com dois militantes da Frente Anarco-Comunista Zabalaza (ZACF) , da África do Sul

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Segunda-Feira, 27 de Junho de 2011 - 20:38:12 CEST


Entrevista com Jonathan Payn e Warren McGregor, dois militantes da Frente
Anarco-Comunista Zabalaza (ZACF), da África do Sul
Por Organização Anarquista Socialismo Libertário (São Paulo, Brasil)
Vocês poderiam descrever brevemente o que é a ZACF, qual o modelo de
organização que escolheram para atuar?
A Frente Anarco-Comunista Zabalaza (ZACF) ou somente Zabalaza (que
significa “luta” nas línguas africanas isiZulu e isiXosa), é uma
organização específica anarquista, uma organização política. A ZACF se
identifica com a tradição plataformista dentro do anarquismo e, em termos
de América Latina, com o especifismo.

A Zabalaza é uma organização unitária, com a adesão aberta apenas a
militantes anarco-comunistas [de inspiração plataformista/especifista]
comprometidos, que concordam com os nossos objetivos e princípios, e que
são capazes de demonstrar isso na prática.

Como uma organização que se identifica com a Plataforma, apesar de
reconhecer suas limitações e fraquezas, exigimos um certo nível de unidade
teórica e estratégica, e responsabilidade coletiva. Isto ocorre
principalmente devido à nossa própria experiência, quando descobrimos que
uma organização, ainda que pequena, mas firmemente unida, com um maior
nível de unidade teórica e estratégica e responsabilidade coletiva, é
capaz de atingir muito mais do que uma grande organização com muito pouco
entendimento comum de suas metas e objetivos, pouca unidade estratégica e
tática e, conseqüentemente, pouca responsabilidade com o resto do
coletivo.

É assim que entendemos a distinção entre a organização específica
anarquista, uma organização aberta apenas para os militantes de uma
tendência particular dentro do anarquismo, e a organização de síntese, que
reúne quem se identifica como anarquista, mesmo se as suas interpretações
do anarquismo são bastante diferentes e até opostas.


Poderiam falar um pouco dos trabalhos que faz ZACF, e quais os focos e
perspectivas da organização?

Devido ao tamanho da organização e o fato de que a maioria dos nossos
militantes vem de classe média, uma grande parte do trabalho da ZACF é
dirigido a fazer formação política dentro da classe trabalhadora e dos
movimentos sociais populares, tentando aproximar novos militantes para
crescer e aumentar a nossa capacidade.

No entanto, nós não queremos aproximar novos militantes e apoios apenas
por uma questão de crescimento, e nosso processo de aproximação e de
entrada, aprovado no nosso Congresso em janeiro de 2011, está intimamente
ligado a uma estratégia revolucionária de crescimento dirigida a ganhar
uma presença, e na construção de uma influência, ou inserção social, nas
organizações de luta da classe trabalhadora.

Seguindo o exemplo da FARJ, e outras organizações especifistas da América
do Sul, geralmente dividimos e concebemos o trabalho em dois níveis: ao
nível político, o que pode ser mais facilmente entendido como a nível
interno da organização, e ao nível social, que pode ser compreendido como
o nosso trabalho público ou externo.
Para podermos obter uma influência no nível social, nos movimentos de
massa, é importante para a organização política anarquista, primeiro,
desenvolver, esclarecer e refinar suas idéias estratégias e propostas no
nível político, ou interno, e depois levá-los ao nível social, através da
prática política da organização.

Na prática, isso se traduz em fazer seminários públicos com ativistas de
movimentos sociais populares e, cada vez mais, sindicalistas. A partir
dessas oficinas, procuramos identificar os companheiros que estão próximos
do anarquismo, seja prática ou teoricamente, e depois tentar levá-los a
participar de um dos nossos círculos de estudos sobre o anarquismo.

Também participamos dos debates e eventos públicos de movimentos sociais
populares, sempre defendendo os princípios anarquistas e tentando se
defender contra o autoritarismo e o oportunismo. No entanto, nosso
objetivo é ajudar a construir movimentos sociais e sindicatos fortes,
independentes e autônomos. Por isso que nós colocamos uma ênfase na
construção de uma camada de militantes da classe operária - por meio de
nossas oficinas e círculos de estudo - com uma compreensão abrangente da
prática anarquista, que realmente vem destes movimentos.

É por esta razão, e porque não há uma tradição anarquista pré-existente,
que colocamos tanta ênfase na atividade de formação política. No entanto,
nós não somos “educacionistas”; este foco é parte de uma estratégia de
médio a longo prazo para conquistar uma presença para a nossa organização
nas organizações de massas da classe.

Recentemente, temos trabalhado muito próximo da juventude do Movimento dos
Sem Terra (Landless People’s Movement - LPM), que recentemente conseguiram
forçar o presidente da LPM a renunciar um cargo que ocupa desde o início,
e é provável que desloquemos nosso círculo de estudos baseado em Soweto
para uma favela onde a LPM está concentrada, a fim de envolver esses
jovens que manifestaram interesse em aprender mais sobre o anarquismo.

Outro trabalho, que temos desenvolvido recentemente, é a solidariedade com
a ocupação da fábrica de Mine-Line, que é a primeira ocupação deste tipo
no período pós-apartheid da África do Sul. Estamos tentando organizar
oficinas de formação política com os trabalhadores de lá e estabelecer um
círculo de estudo com eles, bem como tentando responder às suas
necessidades específicas de solidariedade.

Alguns de nossos membros e simpatizantes também estavam envolvidos na
ocupação de prédios no ano passado, na Universidade de Witwatersrand e da
luta contra os aumentos de taxas, bem como no trabalho de solidariedade
com os trabalhadores no campus. Os membros e simpatizantes do campus se
interessaram e fizeram um círculo de estudos sobre o anarquismo, com um
professor anarquista e, alguns dos alunos que participaram estão
interessados em se envolver mais.

Então, como vocês podem ver, apesar de dar uma ênfase grande na educação
política, tentando atrair novos membros e apoios, temos o cuidado de
garantir que esses esforços estejam ligados a um programa estratégico para
a construção de uma camada de militantes anarquistas da classe
trabalhadora, com o objetivo de ganhar a inserção social nas lutas
populares de classe.


Existem outras organizações anarquistas na África do sul? Como se encontra
o movimento anarquista lá atualmente?

Na verdade não temos informações sobre outros grupos anarquistas na África
do sul. Recentemente, começou uma iniciativa para construir um IWW
(Industrial Workers of the World [Trabalhadores Industriais do Mundo], na
Cidade do Cabo. A proposta é que o IWW seja um sindicato independente, mas
como vemos agora, parece mais um grupo político que faz atividades com os
outros sindicatos/sindicalistas e funciona mais como um comitê de
solidariedade. Parece ser mais um grupo político sintetista, que tem a
participação de militantes de várias linhas de pensamento dentro do
socialismo, mas prefiro não falar mais sobre isso porque não tenho
informações adequadas.

Mas, fora isso, eu acho que não há outros grupos anarquistas na África do
Sul. Tem vários indivíduos, em Johanesburgo e outras cidades, mas não
estão – em nosso conhecimento - envolvidos em nenhum tipo de luta ou
movimento popular e, para ser honesto, acho que pelo menos alguns são
anarquistas somente em nome - sem conteúdo.

Então, o movimento anarquista na África do Sul é bem pequeno, e está
concentrado em Johanesburgo, com a ZACF, e na Cidade de Cabo, com o IWW.
Ambas as organizações são grupos pequenos e novos, e não possuem muita
experiência nem influência.

Como disse anteriormente, também tem um circulo de estudos anarquistas em
uma universidade em Johanesburgo - com quem fazemos trabalhos - e há
anarquistas espalhados e isolados em outras cidades.

No entanto, ao longo de quase uma década de militância consistente em
movimentos sociais populares em torno de Johanesburgo, a ZACF está
ganhando pouco a pouco um público para as suas idéias e construindo uma
influência pequena, mas significativa e consistente, argumentando contra o
socialismo autoritário e reformista e elevando o anarquismo revolucionário
e seus princípios como uma alternativa viável.

Recentemente, participamos da primeira Conferência da Esquerda Democrática
(agora a Frente de Esquerda Democrática), que é uma tentativa de chamar
diversos movimentos sociais, sindicatos e organizações políticas de
esquerda, em uma frente anticapitalista e explorar novas formas para a
superação do sectarismo da esquerda da luta de classes e ajudar a desenhar
as várias organizações envolvidas em uma cooperação prática e de
solidariedade. Nesta conferência temos contribuído para defender com êxito
uma linha de independência de classe e derrotar qualquer tentativa de
constituir a iniciativa em uma frente eleitoral. Isso pode ser de curta
duração. Contudo, embora os socialistas autoritários em geral concordem
que precisamos nos concentrar na construção da lutas de massa a partir de
baixo e construir a DLF no processo - não há dúvida de que, se formos bem
sucedidos na construção de um movimento de massas, eles vão tentar
arrastá-lo para as eleições.


É difícil para se inserir nas comunidades e bairros pobres da África do
Sul? Há problemas com o crime organizado ou as milícias?

O maior problema para conseguir uma inserção nas comunidades e bairros
pobres não é o do crime o organizado ou as milícias, mesmo que existam,
mas o partido do governo, o Congresso Nacional Africano (African National
Congress - ANC), e seus membros e oficiais. Já aconteceu de membros do ANC
e amigos do conselheiro da ANC ameaçarem militantes da ZACF com armas de
fogo quando realizávamos atividades em uma favela em Soweto.

Mais recentemente, um militante de apoio da ZACF e sua família foram
forçados a abandonar sua casa na favela depois que um bando de homens
queriam atacar nosso companheiro, acusando-o de ser o responsável na
comunidade pela ligação ilegal de eletricidade (gato) para quem não tem
recursos para pagar.

Em outros casos, embora os membros da ZACF não estivessem diretamente
envolvidos, militantes da classe operária de movimentos sociais como o
Fórum Anti-Privatização (APF) foram atacados, agredidos e assassinados, a
fim de impedi-los de reforçar o apoio aos movimentos sociais e minar o
poder e a influência das autoridades locais. Esses tipos de ataques têm
sido freqüentemente cometidos por membros do Fórum de Policiamento
Comunitário (CPF), uma iniciativa do governo de envolver membros da
comunidade na prevenção da criminalidade, mas que tem basicamente evoluído
para grupos de vigilantes que fazem cumprir a vontade da elite política
local.


Aqui no Brasil estamos preparando o país para sediar uma Copa do Mundo. O
povo pobre parece ser o principal alvo de propagandas do governo, pela
paixão que essas pessoas têm pelo futebol. Na África do sul, qual foi o
impacto que esse evento causou na população pobre, que é a maioria por lá?
Foi um evento popular? O povo conseguia entrar nos estádios para ver os
jogos da seleção?

A mesma coisa aconteceu por aqui: o governo e a FIFA focaram suas
propaganda nos pobres e trabalhadores pobres, que esperavam que Copa do
Mundo trouxesse o necessário desenvolvimento e investimentos em áreas
pobres. Eles também estavam desesperados por algo que pudesse fazê-los
escapar, ainda que brevemente, de sua miséria diária. A Copa do Mundo
parecia oferecer muito, e as pessoas geralmente apoiavam o fato de a
África do Sul sediar a Copa.

Foi só quando as pessoas começaram a notar o mau uso e a alocação errada
de impostos que elas começaram a se questionar. Ao invés de desenvolver
regiões pobres, equipar as escolas e hospitais etc., o dinheiro foi
utilizado para construir novos estádios, melhorar as estradas em áreas
ricas, onde há um grande número de hotéis que os turistas usariam. Em
pouco tempo, era óbvio para qualquer pessoa perceber que a coisa toda era
uma farsa, os únicos que teriam vantagem seriam os membros do governo e os
oficiais da FIA, as empreiteiras e os grandes investidores internacionais,
etc. Na verdade, o país sofreu um grande endividamento externo. Como
resultado de sediar a Copa e, com a crise econômica mundial, a classe
trabalhadora e os pobres é que pagaram e vão continuar a pagar essa conta.

Não foram só os ingressos caros para qualquer pessoa da classe
trabalhadora poder pagar, mas os comerciantes informais (vendedores
ambulantes), que fazem a vida vendendo mercadorias em torno dos estádios,
foram proibidos de se aproximar a menos um raio de três quilômetros dos
estádios. A maioria dos contratos foi para grandes corporações e
multinacionais já existentes. O governo vendeu a idéia de sediar a Copa
para o povo, dizendo que ia trazer investimento, criação de emprego e
desenvolvimento. O que aconteceu na prática é que as pessoas, os pobres e
a classe trabalhadora, foram excluídos e marginalizados em todos os
sentidos possíveis.

Os empregos criados foram na sua maioria temporários, e essas pessoas
provavelmente já estão desempregadas de novo. De fato, além dos estádios -
que nunca mais serão lotados novamente - um aumento da presença policial
nas ruas é um dos únicos efeitos visíveis e duradouros de sediar a Copa.

O que é encorajador, no entanto, é que algumas pessoas no Brasil já
começaram a questionar todo o processo, e começam a se organizar e se
mobilizar contra seus efeitos. Já em Fortaleza, Ceará, uma das
cidades-sede, várias organizações comunitárias se uniram para resistir ao
deslocamento de várias favelas para dar lugar a um tipo de metrô, acima da
terra, que está sendo construído para atender os turistas durante a Copa.


Como se encontra a relação entre negros e brancos? Os vestígios do
Apartheid ainda fazem parte da política e da sociedade sul-africana?

As relações entre os negros (que incluem mestiços e indianos) e brancos
desde 1994 têm sido administradas com distinções de classe, que geralmente
(embora não completamente), determinam as relações entre eles. Embora seja
correto dizer que o racismo está muito vivo na África do Sul, hoje são
complexas as idéias e sentimentos a respeito.

Desde 1994, os antigos vestígios políticos e estruturais do Apartheid
foram removidos, de modo que os negros são politicamente livres como as
pessoas brancas. No entanto, as relações econômicas praticamente
permaneceram as mesmas (com referência ao âmbito privado e estatal - da
classe dominante e da propriedade - relações com o resto da população),
agravadas com o governo do ANC, liderado por Mandela, que se agarrou com
entusiasmo na trajetória neoliberal.

A grande maioria dos sul-africanos é negra. Assim, a grande maioria de
pobres aqui também é negra (há, no entanto, uma considerável população de
brancos nas classes pobres e trabalhadoras - a maioria funcionários civis
do Estado anterior, militares e policiais de baixa patente, etc.). Embora
o Estado possua e/ou controle mais de 30% da economia através de
participação direta, como acionista majoritário, etc., a maior parte da
economia ainda é controlada por empresas, e/ou por indivíduos que se
beneficiaram diretamente com o Apartheid – na sua maioria brancos. Isso
não quer dizer que foram só pessoas brancas que se beneficiaram com o
"Apartheid", e nem que todos os brancos se beneficiaram disso. A maioria
dos brancos era da classe trabalhadora, mas como um todo ganhavam mais
privilégios, como melhor acesso a ensino de qualidade, emprego melhor
remunerado e muito mais direitos políticos do que os negros. Existia uma
pequena camada de administradores - antigos bantustões negros, e uma
pequena elite negra - que também se beneficiou da legislação da época do
Apartheid, que foi absorvida, da mesma maneira que a dispersão do pós-1994
e para o próprio ANC.

Muitos sul-africanos pobres, portanto, apontam para situação material
existente e as circunstâncias sociais, que não melhorou desde a aquisição
do ANC e, de fato, em muitos aspectos, torna-se pior, como prova de que o
preconceito econômico e político em favor dos brancos ainda existe. Além
disso, muitos pobres e pessoas da classe trabalhadora têm que lutar por
restos escassos e pequenas oportunidades que caem da mesa da ganância
capitalista. Por sua vez, a violenta manifestação física de frustração,
como, por exemplo, os ataques xenófobos contra os imigrantes pobres
(principalmente de outros países africanos, bem como os países asiáticos).
Essas atitudes são reservadas aos imigrantes pobres, enquanto as classes
superiores de outros países europeus e dos Estados Unidos, por exemplo,
são vistas, entre outras coisas, como portadoras de investimento e,
portanto, do crescimento econômico e do emprego. Essas são características
constantes da vida em bairros pobres de todo o país.

Os problemas de dominação de diversas formas sobre os pobres das áreas
rurais não mudou desde 1994. A maioria dos trabalhadores são negros e
mestiços, que trabalham (se tiverem sorte suficiente para encontrar
trabalho) nas fazendas e nas fábricas de propriedade e gerência quase que
exclusivamente de brancos. Suas condições de trabalho são terríveis!
Muitos executam tarefas que são fisicamente desgastantes por mais de 12
horas por dia, algumas com até 18 horas por dia de trabalho (os
trabalhadores de um matadouro de Robertson, uma pequena cidade rural no
Cabo do Oeste, por exemplo, onde 40 trabalhadores têm que abater cerca
1040 ovelhas por dia), e os contratos geralmente são temporários e, muito
precários. No entanto, muitos atribuem suas dificuldades não ao racismo e
ao domínio branco, mas ao capitalismo e, em muitos casos, especificamente
à gestão ineficaz do sistema capitalista por um governo negro - prova de
que as divisões da era do Apartheid continuam vivas de muitas formas.

Desde 1994, o ANC conseguiu “desracializar” a máquina do Estado, mas
falhou na “desracialização” da economia nacional capitalista. Assim,
existe uma pequena e fraca burguesia negra (mas materialmente muito bem
dotada de recursos). Esta camada utiliza os sistemas de patrocínio estatal
e o ANC, para melhorar ainda mais seus recursos materiais e contas
bancárias. Isso criou uma cultura entre as pessoas politicamente bem
relacionadas com o ANC: uma escada para o sucesso financeiro através do
Estado. Muitos ativistas do movimento de bairros pobres começaram a
perceber esta tendência, e tornaram-se desiludidos com o partido no poder.
Essa análise de classe mais aberta está crescendo lentamente. Há, no
entanto, alguns nacionalistas negros (indivíduos e pequenas organizações)
que procuram influência evocando séculos de opressão colonial, às
dificuldades por que passam, e a sua subordinação a reivindicações de uma
agenda de supremacia atual branca, e propagando um africanismo (e, mais
particularmente um sul-africanismo negro), que inclui propaganda de
remoção de todas as pessoas brancas de suas terras e recursos e buscando
colocá-los nas mãos do povo negro. Contudo, não está claro para essas
pessoas como seria administrar tudo isso. Além disso, essa narrativa é
igualmente tenebrosa. Algumas dessas pessoas podem ir tão longe ao ponto
de dizer que os brancos devem ser expulsos do país, apesar do fato de que,
para muitos brancos sul-africanos, cujas famílias viveram aqui por
gerações, isso seria difícil para eles.

Apesar dessas vozes díspares, o ANC ainda goza de apoio popular entre a
classe trabalhadora e os pobres (embora não tanto como afirma), que são
seduzidos pela mensagem de certos líderes que proclamam que o problema não
é do próprio ANC, mas dos indivíduos e das pessoas dentro do partido, e
que o partido é, portanto, um espaço aberto e não uma entidade que defende
a predominância do capital nacional e internacional.

Por essas razões, hoje o racismo está muito mais vinculado às
circunstâncias econômicas do que aos antigos vestígios políticos do
Apartheid (é claro destacar que a sanção econômica interna foi crucial
para a manutenção da segregação e Apartheid). No entanto, o fato de o
Apartheid ter tido enorme influência sobre os sul-africanos e as suas
atitudes, faz com que muitas pessoas ainda tenham preconceitos individuais
(por exemplo, "o país está num estado miserável porque os gerentes negros
não são tão eficientes quanto os gerentes brancos", "negros só podem
ascender a empregos de nível bom por causa do estado de direito", etc.).


Entrevista realizada em 2011.
Related Link: http://www.anarquismosp.org




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