(pt) Anarquistas: um século de movimento libertário na Espanha

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Sexta-Feira, 17 de Junho de 2011 - 09:08:27 CEST


Finalmente um livro sobre anarquismo na Espanha que estávamos esperando.
Finalmente um livro que corrija os erros e lugares comuns, desde onde a
historiografia burguesa seguia denegrindo-o. Finalmente um livro que não
acaba em 1939, mas que sabe rastrear até nossos dias a vitalidade e a
energia do movimento libertário. Finalmente um livro escrito a partir de
baixo, como deve ser, e com a determinação de resgatar experiências que, a
partir de baixo, têm dado forma poliédrica ao anarquismo na Espanha.
Estamos, sem dúvida, diante do grande acontecimento literário de 2010 e
tenho certeza que ele permanecerá por um longo tempo, para se tornar um
clássico, porque Dolors Martin escreveu o melhor livro sobre anarquismo
hispânico nos últimos vinte anos, e um dos melhores livros sobre o assunto
de todos os tempos.
Sem uma ordem cronológica, tendo mais experiências associativas, políticas
e culturais que conseguiu implementar o movimento libertário na Espanha,
Martin faz uma reflexão sobre a constituição da CNT e o significado de
suas conferências e acordos ali tomados. Nos fala sobre a guerra,
coletivizações, mas também de outros ensaios de antes e depois: como as
comunas, cooperativas de produção, os ateneus. Nos fala de associações
ácratas, do internacionalismo proletário, da cultura anarquista: suas
linguagens, seus romances, suas revistas, jornais, ensaios, teatro,
canções, pedagogia e uma filosofia de vida construída e vivida em torno do
naturismo, vegetarianismo, pacifismo, nudismo, e ambientalismo, em que os
anarquistas espanhóis foram precursores em sua tentativa de vivê-la como
uma revolução do agora, fazendo do anarquismo o que é, não é apenas uma
opção política, mas uma forma de viver.
E também, como dissemos, nos fala do presente, da CNT de anteontem, da
contracultura, das Jornadas Libertárias de Barcelona, as disfunções entre
os anarquistas mais velhos, conservadores das essências, e os jovens que
se aproximam do movimento de outros parâmetros culturais; e também da CNT
a partir de agora, da sua reconstrução, suas divisões, o seu futuro quando
tudo oscilava e cada vez mais olhos se voltam para poder olhar a Anarquia.
Dolors Martin conseguiu combinar todo o anterior para moldar um incomum
livro de história, da nossa história, limpo de lendas negras, colocando
fenômenos como "A mão negra", a "Semana Trágica" ou "o gangsterismo" no
seu verdadeiro contexto e dimensão da repressão e da criminalidade do
Estado. Salientando o papel sempre obscurecido das companheiras através
das Mulheres Livres e vários grupos de afinidade, onde desempenharam um
papel fundamental, também travando a sua própria luta contra os excessos
machistas de seus companheiros de organização. Sublinhando que significou,
na década de setenta, a reconstrução do imaginário anarquista no espaço
público, a melodia doce com os hippies: concertos, festivais, fanzines,
revistas, a transgressão no vestir, os papéis sexuais e, finalmente, o
despertar de uma liberdade que durou o breve tempo que permitiu a quebra
do Estado totalitário e sua reorganização partidária. Insistindo em tudo
de
 bom e aproveitável posto em prática cada vez que as pessoas decidiam
viver em Anarquia.
Nossos mais sinceros parabéns à autora desta jóia editorial convidada a se
juntar à mais seleta biblioteca anarquista,  e na esperança de que a
semente libertária que se aninha a ela não pare por aí e volte a florescer
em uma nova oportunidade.
Antonio Orihuela
Anarquistas: un siglo de movimiento libertario en España
Dolors Marin
Editorial Ariel. 2010
agência de notícias anarquistas-ana




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