(pt) [Espanha] “É preciso ter fé na humanidade, no natural, par a aspirar que essa mudança de estrutura seja possível”

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Domingo, 12 de Junho de 2011 - 20:24:29 CEST


[Entrevista a Jesús Lizano (Lizanote da Acracia), sobre seu livro: "Olá
Companheiros! (Manifesto Anarquista)".]
Antonio Orihuela > Jesús, você acaba de publicar um manifesto anarquista.
O que há de novo em relação ao seu modo de pensar que nos oferece este
livro?

Jesús Lizano < Mais que novidade, o culminar do meu pensamento, ou seja,
uma fusão definitiva entre o poético e o libertário, que, na verdade, vem
desde o início da aventura que vivo, claramente refletida nos meus poemas,
e muitos fragmentos de meus "diários", "cartas", "artigos"... Culminação,
sem dúvida, essa fusão a que deve aspirar a nossa espécie, a qual só o
pensamento anarquista se fundiu com a poética, com a inocência do natural,
isso sim, superando sua inevitável fusão com a política, pode levar-nos.
Surpreenderá a muitos ver como é compreendido e aceito o ideal libertário,
uma vez que se pode dar essa fusão. E este livro traz a visão que eu tenho
mostrado de poema a poema, pensamento a pensamento, sofrimento a
sofrimento, e compreensão a compreensão... Embora, na verdade, há muito
tempo que, sem sabê-lo, já era libertário... Basta recordar o título de um
de meus livros em edição de autor: "O meu mundo não é deste reino”...

Antonio > Como você se sente em seus oitenta anos: salvo, perdido...?

Jesús < O artista não vive para ele, se não para sua obra, e seu trabalho
não é para ele, se não para os demais. Eu não me sinto, portanto, nem uma
coisa nem outra... A pergunta que me faço é: o que será de Lizania? Até
que ponto será reconhecida e compreendida... Embora a solidão sempre tenha
sido minha companheira, a solidão "heróica", como definiu o poeta Carlos
Murciano em seu artigo falando sobre o meu livro "Heróis"... Vendo Lizania
no contexto do “político-social” é entendido muito bem se você conhece a
minha atitude de confronto com o poder literário (ver meu “Cartas”, ao
mesmo tempo...)

Antonio > O que precisamos para conquistar a inocência?

Jesús < Não se trata de conseguir a inocência, mas a inocência nos
conquistar, o que só é possível aproximando-nos do natural, vendo-nos como
um fragmento da natureza, e não como a estrutura “dominante-dominado” que
nos determina.

Antonio > É a cultura uma arma do poder?

Jesús < É inevitável que a cultura, tudo o que ela implica, está nas mãos
do poder, dos dominantes. Para eles é uma arma fundamental com a qual eles
podem nos manipular, nos mentalizar, usar-nos, e se conveniente nos
sacrificar, juntamente com outros poderes, de modo que o que deveria ser a
chave para a rejeição de todo poder é convertida em sua principal arma.

Antonio > Que bússola, direção, a humanidade precisa, Jesús, para se
encontrar?

Jesús < Como em um século e meio atrás, no primeiro Manifesto Anarquista
encontrou: a rejeição de todo o poder, da política, que é a luta pelo
poder..., superando a estrutura dominante-dominado, a qual ainda estamos
determinados, e começando a nos organizar em comunidades humanas, não,
claro, políticas, religiosas ou familiares... É preciso nos organizar, mas
não que uns poucos nos organizem, mentalizem e manipulem, e se convier nos
sacrifiquem.

Antonio > Por que nos custa tanto trabalho nos reconhecer como mamíferos?

Jesús < Muito simples: porque durante séculos os dominantes vem nos
mentalizando e enlouquecendo, mentalizados e enlouquecidos que são,
impedindo de ver o natural, submetendo nossas vidas a essas idéias
malucas, em conseqüência de todo o domínio que impede o livre processo de
nossa mente ao natural, a sua conquista, o que impede vermos a todos
companheiros, ver o denominador comum que nos une para além dos
incontáveis números ​​diferentes que confundem-nos, e
enfrentar a nossa complexidade; ver, finalmente, a ajuda mútua como a
única "lei", a única "moral", a única "verdade"... Ver o que, francamente,
somos: mamíferos...

Antonio > Está longe o Mundo Real Poético?

Jesús < A poesia do mundo real está aqui, no natural, na sua beleza, na
sua inocência, na fusão da unidade e do diverso. Somente nossa loucura nos
impede de apreciá-lo, entre as luzes e as sombras naturais, perdidas no
poço político. E, claro, é preciso ter fé na humanidade, no natural, para
aspirar que essa mudança de estrutura seja possível... enfim: leia
Lizania, aventura poética e libertária.

Para baixar o livro em PDF: http://www.lizania.net/

Fonte: Periódico "CNT" – junho de 2011

agência de notícias anarquistas-ana




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