(pt) Tunísia: a revolução não será televisionada

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Sábado, 22 de Janeiro de 2011 - 09:29:48 CET


por Movimento da solidariedade dos trabalhadores/ Workers Solidarity
Movement - WSM
No dia 18 de Dezembro, a polícia Tunísiana abordou Mohamed Bouazis, um
graduando universitário desempregado, e confiscou o carrinho de mão de
frutas e vegetais que ele estava vendendo para se sustentar e à sua
família. Enfurecido pela injustiça e desesperando de conseguir escapar da
destituição e fome prevalecentes na economia empobrecida da Tunísia, cada
vez mais assolada pelo aumento dos preços da comida, o jovem homem se
incendiou em protesto na frente da prefeitura de Sidi Bouzid, 200km de
distância da capital Tunis. O jovem morreu logo depois no hospital.

Enraivecidos pelo incidente, centenas de jovens locais que sofriam da
mesma forma do desemprego e da repressão pela polícia e pelo Estado do
regime ditatorial Tunisiano se juntaram para protestar contra o
acontencido. A polícia local respondeu com gás lacrimogênio e violência.
Deste então, tumultos massivos e confrontos violentos com a polícia
abalaram o país nas últimas trẽs semanas. Em Kesserine, outra cidade
do interior, longe da indústrial turística da região litorânea, o número
de mortos estimado pelos médicos locais e funcionários de hospital passou
de 50 no último fim de semana apenas.

Mas a selvageria da guerra civil que irrompeu entre o povo da Tunísia,
desde a juventude desempregada, estudantes escolares e universitários,
sindicalistas, artistas, intelectuais e mesmo advogados, contra a
camarilha corrupta que se reúne em volta do ditador (em tudo, exceto
nome), o Presidente Zine El Abidine bem Ali, pode muito bem não estar
acontecendo até onde as grades de notícia da RTE, BBC e o resto da mídia
ocidental se preocupam. Comentadores na Al Jazeera e outros meios de
comunicação arábes vem apontado amargamente a hipocrisia da mídia
ocidental que mostrou a resistência do movimento verde iraniano à
corrupção eleitoral de Ahmedi Nejad nas últimas eleições em todos os
jornais noturnos, mas está agora censurando a maior história no mundo
Arábe atualmente. Será porque o regime de bem Ali é “um amigo do
Ocidente”? O muro de silêncio imposto pela nossa “corajosamente
independente e imparcial” mídia é significativo.

Enquanto isso, no mundo Arábe, desde o Egito até a Syria, bloggers e
observadores comuns estão tomados por entusiasmo pelo que estão chamando
da Intifada Tunisiana. A experiência de ser espremido entre regimes
corruptos, ditatoriais e repressivos e aumento dos preços da comida é
comum à maioria das pessoas na região. Apesar do governo Tunisiano ter
fechado jornais da opsição e prendido e torturado jornalistas que ousaram
cobrir a luta, a cobertura ainda está passando atravez do Twitter (siga
#sidibouzid), apesar do Facebook ter se dobrado para ajudar o regime de
bem Ali (e seus aliados da CIA) retirando as páginas de qualquer
jornalista ou Tunisiano comum cobrindo a história.

A intifada ainda está acontecendo, e ontem ela alcançou os subúrbios da
capital Tunis, e tropas foram utilizadas nas ruas pela primeira vez. Bem
Ali ostensivamente tentou dar sinais de mudança demitindo seu ministro do
interior e prometendo que ele irá começar um programa para criar 300.000
empregos nos próximos dois anos. Mas membros de sua família foram vistos
fugindo do país.

Vitória e liberdade para os trabalhadores Tunisianos! Abaixo a ditadura de
Ben Ali!

Traduzido por L.M.





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