(pt) [Israel] Um bravo palestino morreu, coberto em pedras [en, it, gr, ca]

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Sexta-Feira, 23 de Dezembro de 2011 - 14:37:38 CET


[A seguir a tradução de um artigo fantástico sobre a morte do manifestante palestino
Mustafa Tamimi, de 28 anos, publicado no jornal Haaretz (um dos principais de
Israel).]
"O porta-voz do exército estava certo - Mustafa morreu atirando pedras; morreu
porque ousou expressar uma verdade, com as suas mãos, em um lugar onde a verdade é
proibida".
Mustafa Tamimi atirava pedras. Sem desculpas e, às vezes, sem medo. Não só naquele
dia, mas quase toda sexta-feira. Ele também escondia o rosto. Não por medo da
prisão, que já tinha vindo a conhecer intimamente, mas para preservar a sua
liberdade, para que ele pudesse jogar pedras e resistir ao roubo de suas terras. Ele
continuou fazendo isso até a hora da sua morte.

Segundo o jornal britânico The Daily Telegraph, em resposta aos relatórios dos
disparos recebidos por Tamimi, o porta-voz do Comando Sul GOC perguntava em sua
conta no Twitter:

"O que Mustafa estava fazendo correndo atrás de um jipe em movimento enquanto jogava
pedras? #fail".

Assim, tão simples e ironicamente, o porta-voz explicava porque Tamimi foi
responsável pela sua própria morte.

Mustafa Tamimi, do povoado de Nabi Saleh - filho de Ikhlas e Abd al-Razak, irmão de
Saddam, Ziad e Ola e dos gêmeos Oudai e Louai - foi baleado na cabeça à
queima-roupa.

Poucas horas depois, às 9h21 do sábado [10 de dezembro] pela manhã, morria não
resistindo aos ferimentos. Uma granada de gás lacrimogêneo foi disparada contra ele
a partir de um jipe militar blindado a uma distância de poucos metros. Não foi por
medo que a pessoa que disparou o tiro puxou o gatilho. Ele colocou o cano do rifle
ao lado da porta do veículo blindado com uma intenção clara. O atirador é um
soldado. Sua identidade ainda é desconhecida e pode permanecer desconhecida para
sempre. Talvez esta seja a melhor opção. Identificá-lo e puni-lo só serviria para
branquear os crimes de todo o sistema. Como se é indiferente se o civil israelense,
o Sargento, o Comandante da companhia, o Comandante do batalhão, o Ministro da
Defesa e o Primeiro-Ministro não houvessem tomado parte em sua morte.

O porta-voz do Exército estava certo. Mustafa morreu porque atirava pedras; morreu
porque ousou expressar uma verdade, com as suas mãos, em um lugar onde a verdade é
proibida. Em qualquer discussão de como ocorreu o disparo, sua legalidade e as
ordens para abrir fogo, segue-se que o proprietário da terra é proibido de expulsar
o invasor. Na verdade, o invasor tem permissão para disparar sobre o proprietário.

O corpo de Mustafa está sem vida, porque ele teve a coragem de atirar pedras durante
o 24º aniversário da Primeira Intifada, que gerou as crianças palestinas das pedras.
Seu irmão Oudai está preso na Prisão de Ofer e não obteve a permissão para assistir
ao funeral, porque ele também se atreveu a atirar pedras. E a sua irmã não teve a
permissão para estar ao lado dele durante seus últimos momentos de vida, já que
embora não seja suspeita de atirar pedras, é palestina.

Mustafa era um homem corajoso, assassinado porque atirou pedras e se recusou a ficar
com medo na frente dos soldados armados, sentados com segurança em um jipe militar
coberto de armadura. No dia que Mustafa morreu, o silêncio gelado que percorria o
vale só foi um pouco menos terrível do que o som dos gritos e lamentos de sua mãe
que caiam ocasionalmente sobre ele.

Milhares de atiradores de pedras o seguiram em seu funeral. Ele desceu para seu
túmulo e as pedras cobriram o seu corpo. Soldados israelenses esperavam na entrada
do seu povoado. Mesmo a agonia e a solidão da separação eram intoleráveis para o
exército, que liberou seus soldados e armas para pulverizar os sofridos palestinos
com gás lacrimogêneo enquanto se dirigiam para as terras do povoado após o funeral.
Enquanto que o soldado que atirou em Mustafa segue em liberdade, seis dos
manifestantes foram colocados atrás das grades.

Mustafa, caminhamos atrás de seu corpo cabisbaixos e de olhos cheios de lágrimas.
Apreciamos-te porque morreste por atirar pedras e nós não.

"O porta-voz do exército estava certo - Mustafá morreu atirando pedras; morreu
porque ousou expressar uma verdade, com as suas mãos, em um lugar onde a verdade é
proibida".

por Jonathan Pollak
[Membro da iniciativa Anarquistas Contra o Muro - http://www.awalls.org]


Vídeo do assassinato de Mustafa, imagens fortes:
http://www.youtube.com/watch?v=tucd5qmgChA&feature=related&skipcontrinter=1

agência de notícias anarquistas-ana





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