(pt) [Canadá] A sacudida do rap conspirativo do “Test TheirLogik”

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sábado, 30 de Abril de 2011 - 19:59:53 CEST


A dupla de hip hop anarquista foi impedida de conviver depois de ser presa
no G20
Enviar rappers para a prisão por causa de um clipe parece ser um pouco
demais – mas não além das possibilidades na era do G-20 de Toronto.
O grupo de hip hop anarquista Test Their Logik (Teste a Lógica Deles, em
tradução livre) – de volta à turnê depois de combater acusações de
conspiração que os impediram de terem contato um com o outro – dizem que
isso aconteceu durante junho do ano passado.

Os MCs Testament e Illogik, cujos nomes reais são Darius Mirshahi e Chris
Bowen, foram presos em flagrante e algemados em um domingo. Os “crimes”,
até onde eles sabem, foi andarem com ativistas, planejarem protestos e
fazerem um vídeo de rap convocando outras pessoas a fazerem o mesmo.

O musicalmente e liricamente intenso “Invada a Reunião” – que foi
assistido mais de 50.000 vezes no You Tube – retrata tumultos e danos à
propriedade, e mostra protestantes com faces cobertas. Mas planejar um
protesto não é ilegal, e o vídeo deles não é o primeiro de hip hop a
retratar atividades criminosas. Então qual é o limite?

Um dos maiores especialistas canadenses na cultura hip hop, Dalton
Higgins, não tem conhecimento de nenhum caso em que letras de rap foram
usadas como prova legal, mas disse que promotores americanos têm
enfrentado dificuldades em fazê-lo por algumas razões.

“Na America, o ato de usar as letras como uma prova na corte foi
considerada uma violação da Primeira Emenda”, ele disse à NOW. “Por
exemplo, é muito difícil provar na corte o que os rappers em questão de
fato escreveram algumas ou todas as letras da música ou do CD”.

Na manhã das prisões, Mirshahi foi rodeado por oficiais OPP (Ontario
Provincial Police - Polícia Provincial de Ontário) depois de entrar no seu
carro no West End, enquanto Bowen foi arrancado do protesto de
solidariedade aos presos do lado de fora da prisão improvisada da Eastern
Avenue. Eles foram levados para a mesma cela estilo gaiola e os oficiais
os diziam repetidamente que a razão seria sua música e política radical.

“Todos os guardas sabiam que éramos rappers”, disse Mirshahi à NOW no
domingo, por telefone, numa das paradas da turnê em Saskatoon (Canadá).
“Um deles disse algo como ‘Vocês são os rappers – vocês são o ás de
espadas dessa merda”.

“Por que eu sou o ás de espadas? Porque eu fiz uma música? Isso é ridículo”.

Eles acabaram por ser liberados, mas não antes de aproveitar a
oportunidade de entreter seus companheiros de prisão com uma canção
controversa (que o escritor Tommy Thompson, numa cela próxima, descreveu
como um “momento brilhante para nós, no inferno da prisão”). Essa seria
sua última apresentação juntos por cinco meses.

Os dois homens foram acusados de conspiração, apologia ao crime e uso de
máscaras que sinalizavam intenção de cometer um crime – acusações que
foram suspensas em novembro, antes que fossem sequer fornecidas provas
contra eles. Até então, eles foram proibidos de relacionarem-se como
condições de sua fiança – tornando impossível fazer novas músicas ou
shows.

“Naquele momento, eu percebi que eu tinha gasto $4.000... Aquelas eram as
minhas economias para um ano inteiro”, disse Bowen.

Um porta-voz da Polícia de Toronto disse que ela não tinha nenhuma
informação que pudesse divulgar a respeito das prisões, enquanto a OPP
disse que era contra a política dos serviços policiais falar sobre
suspeitos cujas acusações tenham sido retiradas ou mantidas.

Em resposta quanto as acusações que foram mantidas, um porta-voz do
Ministério da Procuradoria-Geral disse que “a Coroa tem um dever
permanente para avaliar a força de um caso e determinar se há perspectiva
razoável de condenação. Neste caso, a Coroa determinou que baseado nas
evidências disponíveis, o caso não preenchia esses requisitos”.

O advogado de Mirshahi e Bowen, Russell Silverstein, disse que os seus
clientes não foram as únicas pessoas a serem presas sem motivos razoáveis
durante o G20.

“Houve muitas pessoas que foram acusadas antes mesmo de alguém parar para
analisar se haveria provas suficientes para julgá-las”, ele disse à NOW na
semana passada.

Enquanto acusações mantidas podem ser revividas dentro de um ano, quando
foram julgados, os dois rappers acreditam estar fora da mira da justiça
por agora e estão gratos por estarem fazendo música e seguindo com suas
vidas.

“Foi uma bênção camuflada em alguns aspectos”, declarou Bowen. “Eu sabia
que, a longo prazo, isso fortaleceria nossa mensagem”.

A mensagem – que fala contra autoritarismo, capitalismo e corporativização
– está lado a lado com o hip hop, dub step e influencias de beats e house
no novo álbum Test Their Logik, chamado “A”. Eles estão em turnê antes de
seu lançamento, que será em 14 de maio, e têm um show marcado sábado em
Toronto, como parte das atividades da Feira do Livro Anarquista.

Quando questionados sobre se têm algum receio de que algumas pessoas
considerem suas inclinações políticas repugnantes, os dois prontamente
defendem-se dizendo que o que eles vêem é uma ideologia baseada na
igualdade e auto-determinação.

“Eu quero fazer um mundo com o mínimo de violência possível”, disse Bowen,
que é também praticante de artes marciais e instrutor de yoga. “Mas se as
pessoas ficam revoltadas com janelas quebradas, mas não com comunidades
quebradas, eu realmente questiono seus valores”.

Por Saira Peesker

Fonte: NOW Magazine

Vídeo “Invada a Reunião”:

› http://www.youtube.com/watch?v=ninV5yx7FW4

Mais infos:

› http://www.testtheirlogik.com/

Tradução > MCarol Recôndita





More information about the A-infos-pt mailing list