(pt) Moscou a 24 de Abril houve um comício contra as políticas sociais e econômicas do governo , pela seção russa da AIT

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Sábado, 30 de Abril de 2011 - 19:50:17 CEST


No dia 24 de abril, em Moscou, houve um comício contra as políticas
sociais e econômicas do governo organizado pela seção russa da AIT, a
KRAS. Membros de outros grupos anarquistas, antifascistas e sociais
participaram dele.

A praça na frente do monumento onde o comício foi realizado foi cercado
por barreiras de metal. Só permitiram que as pessoas fossem até lá depois
de revistadas. Este é um método típico de pressão psicológica usado nos
anos recentes para desencorajar as pessoas a se juntarem ao protesto. Não
obstante, as pessoas se reuniram próximo às barricadas, recebendo
panfletos e ouvindo os discursos.

Havia uma grande bandeira negra que dizia "Liberdade para o povo, não para
os preços!" e bandeiras vermelho e pretas. Palestrantes falaram sobre a
difícil situação social e econômica e sobre a política antissocial do
Estado e do capitalismo: baixos salários, dinheiro insuficiente para se
viver, poucos gastos sociais, sujeitos a ainda mais cortes, a lei sobre
instituições de propriedade do Estado ФЗ-83, a comercialização
e a
inacessibilidade da educação e dos serviços médicos e educacionais, o
aumento constante do preço dos alimentos, dos custos do transporte e da
moradia, o atropelamento dos direitos trabalhistas, a planejada reforma da
aposentadoria... Chamou-se a solidariedade com trabalhadores/as,
independentemente de sua origem, local de residência ou tipo de relação de
trabalho, discutiu-se o nacionalismo e o racismo como uma forma de dividir
o povo trabalhador e distraí-lo da luta por seus interesses. A única
maneira de desviar a ofensiva das autoridades e do capital que se voltou
contra todas/os nós é resistir, assim como fizeram agora na Bolívia, onde
trabalhadoras/es estão em greve permanente e forçaram o governo a aumentar
os salários e rejeitar algumas reformas neoliberais. Participantes do
comício convocaram a formação de sindicatos independentes e combativos,
comitês de greve, associações locais e iniciativas sociais que preparariam
e desenvolveriam uma greve geral contra a atual política socioeconômica.

Durante o comício, centenas de panfletos e exemplares do jornal da KRAS,
"Ação Direta", foram distrubuídos. Os/as manifestantes conversaram com as
pessoas, explicando os objetivos do protesto.

O panfleto continha o texto reproduzido a seguir.

TIREM SUAS MÃOS DE CIMA DE NOSSOS DIREITOS SOCIAIS! NÃO À POLÍTICA
ECONÔMICA E SOCIAL DO GOVERNO!

Enquanto os empresários russos e os patrões de todos os tipos estão
enchendo seus bolsos, com a ajuda dos preços inflacionados do petróleo e
do gás, e o governo generosamente lhes oferece ajuda financeira e
subsídios, um ataque aos nossos direitos sociais está a caminho: o direito
a uma vida decente, à educação acessível, ao tratamento médico, a um teto
sobre nossas cabeças, ao trabalho, ao seguro por invalidez e à
aposentadoria... Eles causaram a crise econômica atual e querem que
paguemos por ela. Agora eles declaram que a crise acabou, mas continuam a
fazer cortes para necessidades sociais e a colocar mais fardos sobre
nossas costas. Os salários na Rússia estão entre os menores na Europa.
Levando em conta o nível "europeu" dos preços, nossos salários mal podem
cobrir o custo de vida. Mas ao mesmo tempo, o país tem um dos maiores
números de bilionários...

Há benefícios sociais extremamente baixos. A ajuda que é dada a mulheres
grávidas e mulheres com crianças está sendo reduzida. O seguro-desemprego
é risível e humilhantemente baixo. A maioria dos benefícios para quem não
é rico foi liquidada ou foi cortada ao mínimo sob o pretexto de
"monetarização".

A vergonhosa lei de instituições públicas (ФЗ-83)objetiva a
completa
comercialização dos serviços médicos e educativos. Somente os serviços
mínimos garantidos irão permanecer livres e disponíveis para todos/as, mas
haverá longas filas até eles. Não conte com educação e tratamento médico
para suas crianças. Vocês terão que pagar por praticamente tudo, e os
preços serão altos. A lei também permite que escolas, creches, enfermarias
e hospitais cortem custos pela redução de pessoal, pelos cortes na
calefação e na iluminação.

Os preços estão subindo constantemente - na alimentação, nos bens, nos
serviços, nos transportes, na moradia... O novo governo de Moscou acusou o
prefeito anterior de elevar o preço do transporte sem motivo, mas ele
manteve todos esses aumentos. Ele também anunciou que inquilinos/as devem
pagar 100 % do preço de mercado por serviços domiciliares, como se eles já
não tivessem sido inflacionados várias vezes.

Como a espada de Dâmocles, a ameaça da elevação da idade da aposentadoria
pende sobre nós. O governo está envolvido em jogos estranhos, anunciando
que é inevitável que a idade para aposentadoria seja elevada, e depois
dizendo que isso não vai acontecer. Em qualquer caso, tais planos existem,
e se permanecermos em silêncio sobre eles, nada irá impedi-los de nos dar
este "presente". Levando em conta a expectativa de vida na Rússia, quase
ninguém irá receber sua aposentadoria.

Trabalhadoras/es assalariadas/os já não possuem praticamente nenhum
direito. A "democracia" termina na porta do local de trabalho. Se isso não
é o suficiente, a União Russa de Empresários recomendar elevar o limite da
jornada de trabalho, remover todas as barreiras para demissões e limitar o
já limitado direito à greve.

Empresários estão usando cada vez mais trabalho subcontratado e trabalho
forçado. Desta maneira, negam os direitos mais básicos a mais
trabalhadores/as. Demissões são feitas pela menor crítica ou tentativa de
organização. Trabalhadoras/es migrantes estão em uma situação
completamente sem legislação. As autoridades de Moscou prometem
"legalizá-la" - mas na prática isso levou a uma nova caça às bruxas e
deportações em massa daqueles/es a quem esta legalização é negada.

O ATAQUE CONTRA NÓS ESTÁ VINDO DE TODOS OS LADOS E EM TODAS AS ÁREAS. A
vida está se tornando mais difícil e insuportável a cada dia. Não podemos
mais viver dessa maneira.

Se ficarmos em silêncio, ninguém nos escutará. Se ficarmos indiferentes
aos cortes de nossos direitos sociais, ninguém irá nos levar a sério e o
governo irá usar nossa fraqueza para apertar a parelha ao redor de nossos
pescoços. Somente pela realização de um protesto resoluto, não somente com
palavras mas com ação, podemos parar o governo e o capital.

Nós convocamos trabalhadoras/es e desempregadas/os, pensionistas e
estudantes a tomarem as ruas e dizerem "NÃO" à política social e econômica
do governo. Organizem-se em sindicatos e comitês de greve não burocráticos
e autogestionados, façam manifestações e greves, formem iniciativas
sociais e grupos de consumo, associações ecológicas, associações de
estudantes e responsáveis, grupos antiguerra etc. Preparem-se para a greve
geral, que é a principal arma dos/as explorados/as na luta por seus
interesses.

NOSSAS EXIGÊNCIAS IMEDIATAS:
- Jornada de trabalho de 6 horas e uma semana de trabalho de 5 dias sem
redução de salário. Pagamentos por horas extras são obrigatórios.
- Férias remuneradas por não menos que um mês e licença médica remunerada.
- Pagamento de salários não menores que a média da indústria e não menos
que uma vez por mês.
- Aumentos automáticos proporcionais à inflação.
- O congelamento dos preços dos alimentos e bens básicos.
- A garantia a todos/as os/as migrantes do direito à vida e a trabalhar
onde quer que encontrem emprego.
- A garantia das normas sanitárias e médicas nos dormitórios de
trabalhadoras/es e estudantes.
- Educação, tratamento médico, transporte público e moradia gratuitos.
- Dar emprego permanente aos/às trabalhadores/as temporários/as que o
quiserem.

Seção Russa da AIT

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Notícias da AIT
http://internationalworkersassociation.blogspot.com












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