(pt) [EUA] Compartilhando Comida e Anti-autoritarismo mundialmente

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Sábado, 30 de Abril de 2011 - 19:47:38 CEST


Nascida em Cambridge (Massachussets) em 1980, nos Estados Unidos, o
Comidas Sim
Bombas Não (Food Not Bombs, em iglês) é a criação de Keith McHenry e sete
outros
ativistas. “Nós viemos do Clamshell Alliance”, disse McHenry, que estava
“tentando
fechar as portas da Central Nuclear Seabrook. Em sua maioria o grupo era
composto
por anarquistas, mas havia também Quakers e o Red Clams que era socialista”.
Com raízes numa variedade de causas sociais, não é de se surpreender que
McHenry
descreva o projeto FNB como essencialmente “a asa alimentícia de um
movimento que
engloba música antiautoritária, arte, rádio livre, zines, okupas, troca de
seringas,
bicicleta e liberação da maconha, infoshops, redes de computadores,
organização
autônoma descentralizada não-hierárquica, decisões por consenso e o
compartilhamento
de uma filosofia de tolerância, prazer e liberdade de expressão”.
Fazendo uma ligação do problema dos sem-teto com a questão do catastrófico
militarismo, o objetivo de McHenry é endereçar “a agenda inumana do
governo a níveis
pessoais e internacionais” como um caminho de se começar um debate a nível
nacional.
Ele trabalha visando este objetivo não somente com comprometimento e
paixão, mas
também com criatividade... freqüentemente diante da repressão policial
massiva.
Recentemente falei com McHenry.
Mickey Z > Porque você acha que o FNB permaneceu ativo enquanto outros grupos
radicais desapareceram?
Keith McHenry < Acho que o FNB está ativo até hoje porque podemos ver
claramente os
resultados; as pessoas se transformam quando vêem que podem coletar comida,
compartilhar as refeições e os alimentos, e ao mesmo tempo ter um impacto
direto
sobre a vida das pessoas. Outro aspecto que promove a sua longevidade pode
ser
encontrado em nosso princípio de não ter nenhum líder, encorajando cada
grupo a um
próprio esforço de tomar decisões através do consenso. O/as voluntário/as
não sentem
que estão sendo obrigados a fazer alguma coisa e também não sentem que tem
alguém no
escritório sendo pago enquanto ele/as fazem o trabalho. Ele/as têm uma
responsabilidade pessoal para fazer o FNB acontecer. Outra razão de estarmos
continuamente crescendo após 30 anos é o fato dos problemas políticos,
econômicos e
ambientais, ao redor dos quais começamos a nos organizar, estarem ainda mais
terríveis hoje do que estavam em 1980. Muito/as
 voluntário/as também sabem que organizando um FNB local ele/as podem
apoiar uma
grande variedade de ações e vêem nisto como sendo uma das ações mais
positivas que
podem tomar. Nosso modelo é muito simples, baseado em nossos três
princípios e sete
passos para se começar um grupo; então é fácil as pessoas se organizarem e
verem os
resultados imediatamente.
MZ > Onde está o FNB hoje? E o que te deixa mais empolgado sobre isto?
KM < O FNB continua a crescer – grupos começando em novas comunidades,
além das
atividades aumentarem nas cidades que já tem o FNB. O movimento está
florescendo nos
países de língua inglesa, castelhana e russa, assim como também em outras
regiões.
As okupas do Casas Sim Prisões Não estão começando novamente nos Estados
Unidos, e,
com a crise da execução hipotecária, estamos começando a alcançar a população
estadunidense em geral com o que uma vez era pensado como sendo idéias um
tanto
radicais sobre seus direitos à comida, moradia e outras necessidades.
Muitos grupos
também estão acrescentando em seus trabalhos os jardins comunitários do
Comidas Sim
Gramados Não, Mercado Realmente Grátis (Really Really Free Markets),
Bicicletas Sim
Bombas Não, e muitos outros projetos que desenvolvem com os grupos do FNB.
Estamos
também buscando por uma maior comunicação entre-grupos, visando a
organização de
dias, semanas e meses de
 ações globais. Estamos também bastante ocupados com o trabalho de descobrir
informações sobre os métodos que estão sendo utilizados pela Intelligence
Community
para acabar com nosso trabalho.
MZ > A repressão policial parece não ter fim...
KM < Temos um processo federal pendente ao 11º Tribunal de Circuito de
Apelações em
Atlanta defendendo nosso direito de livre expressão que emergiu das
prisões por
compartilhar refeições veganas em Orlando, Flórida. O/as voluntário/as dos
FNB por
todo os Estados Unidos continuam a resistir contra as tentativas de acabar
com suas
refeições. Concord (Califórnia), Flagstaff (Arizona) e Ann Arbor
(Michigan) foram as
últimas cidades em que a polícia tentou por um fim às nossas refeições,
propaganda e
literatura. Nosso/as voluntário/as resistem em cada cidade e as
autoridades cederam.
Temos também um punhado de voluntário/as preso/as em Minsk (Bielorrússia)
acusado/as
de atacar com bombas incendiárias a embaixada russa, além de vário/as
prisioneiro/as
nos Estados Unidos com o/as quais estamos fazendo campanhas para
libertá-lo/as.
MZ > Com o que mais você está passando a palavra adiante?
KM < Estou ocupado com um novo livro sobre o FNB chamado Cooking for
Peace. Vendemos
ao menos 8.000 cópias de nosso primeiro livro, Food Not Bombs, em
setembro. Estou em
turnê neste outono assando pão em um forno solar e dando palestras nas
universidades. Cada vez mais cresce o número de pessoas procurando por
assistência
alimentícia e moradia, além de pessoas ansiosas para estarem envolvidas com o
movimento. Mais do que nunca o FNB está sendo necessário, com o preço da
comida e a
fome crescendo, e mais e mais pessoas desempregadas e sem lugar para morar
enquanto
milhões estão sendo gastos com o militarismo.
MZ > Você realmente está na lista do Departamento de Estado dos Estados
Unidos como
uma das 100 pessoas mais perigosas?
KH < Eu soube que estava registrado entre as 100 pessoas mais perigosas na
lista do
Departamento de Estado dos Estados Unidos através de diversos repórteres
que ficaram
chocados quando viram que eu estava distribuindo comida nas manifestações
contra a
Organização Mundial do Comércio em Cancun, 2003. Com certeza estou tendo
muitos
problemas que provavelmente estão sendo organizados pelas autoridades.
MZ > Você estudou pintura muitos anos atrás na Universidade de Boston. O
que você
faz hoje para nutrir o teu lado criativo?
KM < Eu ainda continuo desenhando e pintando freqüentemente. Eu nunca saio
sem o meu
caderno e os materiais de desenho. Meus desenhos consistem basicamente de
paisagens
que faço no próprio local ou aquarelas sobre um futuro que estou lutando
para criar.
Uma destas pinturas está colocada na página inicial do website do FNB.
Outro esforço
criativo é a jardinagem; Eu nado quase todos os dias, e amo pedalar. Nos dois
últimos anos, estou fazendo pão num forno solar. Estou também gostando
muito de
escrever o Cooking for Peace.
MZ > Quais são os próximos planos, os teus e do FNB? Como os leitores
podem aprender
mais, se envolver?
KM < Uma vez terminado meu novo livro, pretendo passar mais tempo com as
jardinagens
e também me esforçar para viver no meu pequeno pedaço de terra em Taos,
Novo México.
No inverno ainda pretendo dar palestras em universidades e apoiar os
grupos locais
do FNB. Ultimamente tenho focado bastante no fortalecimento dos grupos de
Washington
D.C. pois descobri - quando estava fazendo pão solar no lado de fora da
Casa Branca
dois verões atrás - que podemos alcançar pessoas do mundo inteiro com
nossas idéias
e que há uma sub-cultura muito excitante que está crescendo cada vez mais.
O FNB está planejando organizar um encontro em cada continente para
discutir sobre a
construção de uma rede mais forte e uma melhor coordenação e comunicação
entre
grupos. Estamos também preparando uma resposta ao contínuo colapso da
economia, do
sistema político e do meio ambiente. Os grupos estão iniciando novos
jardins do
Comidas Sim Gramados Não, organizando mais apresentações e protestos.
Outros estão
coletando alimentos não-perecíveis e suprimentos para complementar a
comida que já
coletaram. Outros grupos estão fornecendo refeições em ações contra a
mineração,
desflorestamento, abuso dos direitos civis de imigrantes, ciganos, sem
terras e
povos indígenas. Estamos também participando em manifestações contra o Banco
Mundial, acordos comerciais e outras formas de exploração econômica.
Grupos locais
também estão ativamente apoiando os esforços para por um fim à crueldade
contra os
animais e estão trabalhando para
 diminuir as causas da mudança climática. E em nossa lista de problemas as
seguintes
tarefas podem ser encontradas: acabar com a produção industrial de animais
e o
controle da Monsanto sobre nossa comida e os efeitos danosos de suas sementes
geneticamente projetadas. E o FNB continua com sua luta para acabar com as
guerras,
que desperdiçam os nossos recursos com o militarismo.
Você está convidado para ajudar. Precisamos de todo/as o/as voluntário/as
possíveis.
Você pode se juntar a um grupo ativo ou se você verificar que não estamos
presente
em sua comunidade você pode começar um grupo local do FNB.  Visite nosso
site e
procure seu grupo local. Você também pode clicar sobre o “Começar um FNB”
e baixar
os folhetos e outras informações. Mande um e-mail para nós no
menu  foodnotbombs.net
caso você tenha alguma dúvida. Nós também ficaríamos felizes de falar com
você.
Ligue para nós no 1-800-884-1136. Você pode fazer doações para o FNB
através do
programa Dollar for Peace.
Mais infos:
› http://www.foodnotbombs.net/
Tradução > Marcelo Yokoi
agência de notícias anarquistas-ana


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