(pt) [Portugal] 1º de Maio anticapitalista e antiautoritário em Setúbal

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Domingo, 24 de Abril de 2011 - 20:18:03 CEST


*Dia 26, 20h, Praça do Bocage (Setúbal): Assembleia geral de preparação.
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Convocatória da manifestação:
*1º de Maio de 2011 – Manifestação Anti-Capitalista em Setúbal*
* :: Chamada à recuperação da tradição combativa e anti-autoritária do “dia
do trabalhador”::*

*{Chamada a uma mobilização geral}*

Desde o grupo de pessoas que compõem o recém formado colectivo anarquista
*Terra Livre* de Setúbal queremos convocar uma manifestação de indivíduos,
grupos, colectivos, espaços ou sindicatos apartidários, anti-autoritários,
anti-políticos ou autónomos para o Domingo 1º de Maio de 2011.
Desejamos fazer desta data um marco de mobilização não controlada por
nenhuma força partidária, por nehuma central sindical , ou qualquer força de
repressão e controlo do Estado.
Desejamos recuperar o seu carácter de mobilização geral de trabalhadores,
desempregados, estudantes e de todos quantos anseiam por uma sociedade nova,
livre de violência capitalista, jogos partidários e repressão estatal.

{1º de Maio de 1886}
Em Chicago, EUA, as mobilizações operárias são violentamente atacadas pela
polícia, seguranças privados e mercenários nas mãos dos ricos. Ao fogo
tirano responde o fogo dos revolucionários. Caem corpos no chão dos dois
lados da barricada.
Uma dezena de anarquistas são presos, condenados e injustamente
assassinados: não interessava a verdade, mas sim o exemplo e a instauração
de um clima de terror e medo entre o povo.
O efeito foi contrário: desse dia em diante, por todo o mundo, milhões de
pessoas se levantam em solidariedade com esses anarquistas presos,
propondo-se a resgatar da prisão essas sementes de dignidade humana. E dos
corpos desses anarquistas cravejados das balas do poder e da infâmia,
brotaram as raízes do assalto colectivo às cúpulas, para tentar trazer a
(des)ordem capitalista aos seus joelhos e finalmente decapitá-la.
Até aos dias de hoje houve algumas vitórias, muitas derrotas e demasiadas
traições
 mas não houve um momento de descanso. A violência do Estado e dos
patrões mudou bastante, perdendo a sua “simplicidade” enquanto refinava as
suas tácticas, adquirindo tecnologia de ponta e requintes repugnantes de
crueldade e maquiavelismo. Pelo contrário, as condições laborais / sociais/
económicas têm andado para trás, estando hoje pouco ou nada melhor do que no
inicio do século passado, apesar dos gigantescos avanços tecnológicos e
ciêntificos.
O que podemos aprender desses tempos, recusando qualquer mistificação do
passado, é que a solidariedade e a acção colectiva das bases surgem sempre
como uma poderosa arma em tempos de guerra suja dos governantes contra os
seus governados

*{2011 – Estamos Inquietos }*

Há várias posições assumidas, mas dê lá por onde der, um facto é hoje
inegável, da Tunísia à China, da Grécia a Portugal: os dias da paz social e
apatia inquebrável ficaram para trás. Muitos sabiam que mais tarde ou mais
cedo aconteceria, outros foram apanhados de surpresa. Alguns já tinham feito
as suas jogadas antecipando-se, mas muitos mais têm agido com a
espontaneidade e criatividade que os tempos exigem.

O que nos causa hoje em dia uma grande inquietação não é simplesmente o
facto de vivermos sob o controlo de um poderoso Estado que nos oferece
blindados e policias para resolver a nossa fome.
Não é só o facto de termos de apertar tanto o cinto até que o tenhamos de
pôr finalmente à volta do pescoço.
Nem tão pouco a “crise” desta economia que nos obriga a todos a ser seus
fiadores e que no fundo existe desde que o capitalismo é a nossa forma de
regime económico.
Não é só o facto dos direitos laborais serem sinónimos de uma escravatura
com menos chicotes, ou da democracia ser a maior ditadura de que há memória.
O que nos inquieta é saber que é de todos nós que se alimenta este virús
chamado capitalismo, e portanto que é também de nós que depende a sua
destruição.
Estamos inquietos e é sem dúvida nenhuma o tempo de sair à rua. Sem líderes
nem partidos, sem cúpulas nem dirigentes. Sabendo que assim que levantamos a
voz e os braços surgem imediatamente alcateias de instituições, partidos e
organizações a quererem controlar os nossos gritos. Sabemos também que
independentemente da data, todos os dias são um bom dia para recuperarmos a
dignidade que o estado e a ganância de alguns nos foram roubando a todos.
Portanto, movermo-nos colectivamente a partir da base e de forma autónoma no
primeiro dia de Maio é fruto do desejo de nos movermos assim todos os dias!
E assim deixarmos para trás a corja de abutres e oportunistas que tentarão
anunciar-se como “salvadores da pátria”, tão interessados que estão em
chupar o nosso sangue de uma forma mais “justa”, mais “democrática” ou mais
“nacionalista”.

*{Porquê Setúbal?
}*
Setúbal mantém um espírito rebelde apesar das inúmeras investidas do
progresso capitalista e da pobreza. É uma cidade com fortes raízes de lutas
libertárias, que nunca deixou de ser território de conflitos sociais. A
ideia era propôr Setúbal como local anual para as iniciativas libertárias do
1º de Maio reconhecendo na cidade o potencial para um protesto mais vísivel
nas ruas e menos imiscuido na paleta de cores partidarias e institucionais
que as grandes mobilizações trazem a Lisboa.
O objectivo seria termos o espaço para criar uma mobilização autónoma e de
base e consideramos que em Lisboa esta tarefa é bem mais difícil, confusa e
frustrante; acrescida de toda a perseguição promovida vezes sem conta pelo
grupo de ordem da CGTP (cujos abusos não tencionamos tolerar) que coopera e
participa das tácticas repressivas da Polícia (para mais tarde fazerem
figuras tristes a indignar-se com a “violência policial” quando lhes toca a
eles) e que nos atraí com demasiada frequência para um confronto que não é
o nosso objectivo.
O nosso desejo não é, no entanto, criar espaço para que membros de base da
cgtp sejam alvos dos nossos insultos já que antes de considerarmos um
individuo como “sindicalista” ou “membro da cgtp” considera-lo-emos
enquanto individuo. Os nossos insultos ficam guardados para os dirigentes
e para as cúpulas.
Não foi nem nunca será difícil expressar as nossas ideias e a nossa
combatividade se em vez de nos focarmos no que há de criticável nas
organizações sindicais, nos focarmos nos nossos princípios, métodos e
objectivos.

*{E agora
 mãos à obra companheiros!}*
Queremos pôr esta proposta em discussão. Levem-na aos vossos grupos,
colectivos, companheiros, camaradas ou amigos do café. Planeiem, conspirem,
discutam e critiquem.
Pelo caminho vão haver um par de reuniões para acertar detalhes, e uma
assembleia mais abrangente. Se quiseres participar nas preparações ou
tiveres sugestões entra em contacto através do nosso e-mail. Todos poderemos
aportar com um pouco para a realização deste projecto e seguramente
conseguimos fazer o possível e o impossível. Sempre o conseguimos. Sem
estruturas hierárquicas, sem autoridades mesquinhas e sem politiquices.
Sem nada disso, mas com toda a determinação, respeito, dignidade e
combatividade.



*Todos a Setúbal no 1º de Maio 2011, pelas 13:00 no Largo da Misericórdia.*


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