(pt) [Secretariado Nacional USI-AIT:] Tempos de Guerra

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Quinta-Feira, 21 de Abril de 2011 - 22:03:44 CEST


A operação Odissey Dawn marcou o começo da intervenção militar na Líbia,
outra missão de guerra com que as grandes potências do ocidente querem
proteger interesses econômicos e equilíbrios geopolíticos que são
ameaçados por instabilidade, tensões locais e ambições de caudilhos e
ditadores.

Trata-se do mais recente entre os episódios que tornam ainda mais patente
o estado de guerra permanente no qual vivemos. Ao passar dos anos, mudam
os cenários: dos Bálcãs (Bósnia, Kosovo) até o Magreb, passado pelo
Oriente Próximo (Iraque) e pela Ásia (Afeganistão); muda o nome das
operações militares: de operações de polícia internacional a força tarefa
contra o terrorismo a dispersão de forças de interposição e dissuasão, até
chegar a definições mais tranqüilizadoras como missão de paz ou missão
humanitária; mas, concretamente, não mudam nem os meios para levá-las a
cabo nem a substância: bombardeios e mísseis, em uma palavra, se trata de
guerra.

Desde o começo ficou claro que a revolta na Líbia, ainda que impulsionada
pelas insurreições que continuam estremecendo os países norteafricanos e
do Oriente Próximo (Tunísia, Argélia, Marrocos, Egito, Iêmen, Bahrein),
apresentava traços de luta entre facções rivais pelo poder, fixadas no
território por base em pertences tribais (Tripolitânia, Cirenaica e Fezã).
Também era evidente que o papel exercido pela Líbia em vários níveis no
cenário mediterrâneo (produção de petróleo e gás, socioeconomia relevante
de ocidente, vigilância da área, controlador do  fluxo migratório) faria
com que a crise do regime de Gadafi se tornasse crise de nível
internacional. Os bombardeios em Trípoli não são nada menos que a prova
disso.

Começou uma guerra de verdade, suja e vil como toda guerra, cujos
objetivos não coincidem com nenhum dos que foram declarados: nem a queda
de Gadafi, nem a implementação da “democracia”, nem a proteção da
população. O objetivo real é bem claro: voltar a colonizar a Líbia, um
país de suma importância por seus recursos energéticos e sua posição
estratégica, através de sua balcanização. Em segundo lugar, não de menor
importância, a intervenção militar aponta para a manutenção de um estado
de guerra permanente e global que oculta as verdadeiras emergências (fome
e miséria, desastres ambientais e nucleares, migrações massivas,
supremacia das ganâncias sobre as necessidades) e que permita sufocar
permanentemente lutas e revoltas.

Uma guerra da qual a Itália participa hipocritamente, nem sequer assumindo
suas próprias responsabilidades; direita e esquerda se unem nas mesmas
declarações pseudopatrióticas, amparando-se por trás das indecentes
palavras de Napolitano, para confundir e enturvar as consciências. Uma
guerra na qual nosso “belo país” recolherá as migalhas, como um abutre.

Nós somos contra esta guerra, como somos contra todas as guerras
capitalistas e imperialistas. A única frente que reconhecemos é a da luta
social contra os patrões e seus servos. Uma frente que une todos/as os/as
explorados/as, independentemente de sua nacionalidade, etnia, língua e
cultura, que os enfrenta sem possibilidade de conciliação à barbárie
capitalista. Uma frente que para se opor ao alcance dos acontecimentos
atuais não pode se limitar a defender as últimas migalhas da paz e do
suportável nos resta, mas tem que oferecer alternativas concretas à
miséria e à barbárie do mundo no qual vivemos e nas quais nos querem
afundar cada vez mais.

Os desfiles pela paz não são suficientes, devemos começar a construir uma
sociedade diferente.

CONTRA AS GUERRAS DO CAPITAL, GUERRA SOCIAL POR UM MUNDO DIFERENTE, LIVRE
DE ESTADOS, EXÉRCITOS E PATRÕES

Secretariado Nacional USI-AIT





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