(pt) [Reino Unido] "As propostas das prisões são claras: retirar essas pessoas das ruas "

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Quinta-Feira, 14 de Abril de 2011 - 17:04:28 CEST


[As autoridades detiveram mais de 200 pessoas na seqüência dos protestos
do "26M" (26 de março) em Londres contra as medidas de austeridade
apresentadas pelo governo. A manifestação contou com a presença de mais de
500 mil pessoas, num desfile pelas ruas da capital que culminou com um
comício em Hyde Park. Peter Wright, da organização South London Solidarity
Federation, participou da manifestação e nos fala a seguir sobre a
situação dos detidos.]

Agência de Notícias Anarquistas > Ainda tem ativistas presos pelos
protestos do “26M”?

Peter Wright < No mesmo dia 26, a polícia prendeu cerca de 202 pessoas,
138 das quais sendo da ocupação "pacífica" (palavras da polícia) do
Fortnum & Mason, o mercado de comida burguês e real. Outros 50
(aproximadamente) foram presos na tentativa de ocupar a Trafalgar Square
(talvez a principal praça da cidade, onde se encontra a Coluna de Nelson)
pela noite. Parece que a polícia estava com muita raiva depois de todos os
fatos do dia, pelos quais os manifestantes foram atacados com grande
violência.

Ultimamente, ou seja, durante as manifestações estudantis no final do ano
passado, a polícia veio com fotos de pessoas procuradas e seguiu com as
detenções de ativistas, entrando em suas casas e tal. Até agora, após o
dia 26, há cerca de 18 fotos, nada mais, mas sabemos que as investigações
continuam. Após a revolta estudantil, disse o Met (a polícia londrina),
que 18 policiais se dedicariam a ver TODOS os vídeos do Youtube para
identificar os suspeitos.

ANA > E quais acusações pesam contra eles?

Peter < São poucas as acusações, mas a grande maioria - especialmente
aqueles do UK Uncut - pode ter certeza que nunca receberão acusações. As
propostas das prisões são claras: para retirar essas pessoas das ruas
durante os distúrbios e também gravar seus nomes, fotos, DNA, etc., em
suas bases de dados. Assim, essas pessoas serão conhecidas pelas forças de
segurança.

ANA > Entre estes presos há militantes anarquistas, mulheres...

Peter < Claro, há ambos! O UK Uncut conta com alguns "anarquistas" entre
seus membros, mas que sofre de um tipo de liberalismo e pacifismo em vigor
a partir das classes média e alta. Eu não saberia dizer o número de
mulheres presas: é claro que havia, mas não de forma distinta na contagem.

ANA > E o que podemos fazer a distância para ajudá-los?

Peter < Estender a luta e a resistência!

A sério, ainda não sei bem o que vai acontecer. Os detidos têm direito à
fiança e devem retornar às delegacias em maio. Logo se saberá se eles vão
a julgamento.

ANA > E essas pessoas correm o risco de pegar longos anos de prisão?

Peter < Sim, alguns. Podemos dizer que durante os distúrbios de novembro
passado em Millbank, quando universitários ocuparam a sede do partido
governante, um estudante - em um momento de loucura - jogou um extintor de
incêndio do telhado do prédio. Isso é o que a mídia procurava para excluir
e atacar os universitários radicais. Houve uma caça às bruxas, até que o
pobre jovem - 17 anos - foi até a delegacia para confessar. Eles fizeram o
julgamento de imediato e foi para a cadeia por dois anos, apesar das
intervenções de sua mãe e suas desculpas públicas.

Outro ponto particular sobre a questão do "black bloc". Queremos estender
a resistência até que ele seja um movimento popular. As pessoas que fazem
ataques espetaculares contra os bancos e os símbolos de riqueza correm
alto risco, e, afinal de contas, não alcançam muito. Aceitamos o que são
essas ações que atraem as atenções da mídia, mas nós queremos ganhar a
batalha contra os cortes, de modo que buscamos a popularização nas
comunidades e postos de trabalho. Acreditamos que para alcançar este
objetivo, temos de nos concentrar na luta diária e específica sobre os
cortes de benefícios sociais, o fechamento de edifícios públicos,
renúncias, etc., etc.

Nós tentamos usar o interesse no anarquismo, gerado pelas ações do bloco
negro, para promover as nossas idéias e estratégias, e por esta razão que
eu te escrevo.

agência de notícias anarquistas-ana





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