(pt) [Portugal] 1º de Maio de 2011 – Manifestação Anti-Capitalista em Setúbal

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Terça-Feira, 5 de Abril de 2011 - 01:44:43 CEST


:: Chamada à recuperação da tradição combativa e anti-autoritária do “dia
do trabalhador”::
{Chamada a uma mobilização geral}
         Desde o grupo de pessoas que compõem o recém formado colectivo
anarquista *Terra Livre* de Setúbal queremos convocar uma
manifestação de indivíduos, grupos, colectivos, espaços ou
sindicatos apartidários,anti-autoritários, anti-políticos ou
autónomos para o Domingo 1º de Maio de 2011.
Desejamos fazer desta data um marco de mobilização não controlada por
nenhuma força partidária, por nehuma central sindical , ou qualquer força
de repressão e controlo do Estado.
Desejamos recuperar o seu carácter de mobilização geral de trabalhadores,
desempregados, estudantes e de todos quantos anseiam por uma sociedade
nova, livre de violência capitalista, jogos partidários e repressão
estatal.

{1º de Maio de 1886}


          Em Chicago, EUA, as mobilizações operárias são violentamente
atacadas pela polícia, seguranças privados e mercenários nas
mãos dos ricos. Ao fogo tirano responde o fogo dos
revolucionários. Caem corpos no chão dos dois lados da
barricada.Uma dezena de anarquistas são presos, condenados e
injustamente assassinados: não interessava a verdade, mas sim o
exemplo e a instauração de um clima de terror e medo entre o
povo.


O efeito foi contrário: desse dia em diante, por todo o mundo, milhões de
pessoas se levantam em solidariedade com esses anarquistas presos,
propondo-se a resgatar da prisão essas sementes de dignidade humana. E dos
corpos desses anarquistas cravejados das balas do poder e da infâmia,
brotaram as raízes do assalto colectivo às cúpulas, para tentar trazer a
(des)ordem capitalista aos seus joelhos e finalmente decapitá-la.
Até aos dias de hoje houve algumas vitórias, muitas derrotas e demasiadas
traições... mas não houve um momento de descanso. A violência do Estado e
dos patrões mudou bastante, perdendo a sua “simplicidade” enquanto
refinava as suas tácticas, adquirindo tecnologia de ponta e requintes
repugnantes de crueldade e maquiavelismo. Pelo contrário, as condições
laborais / sociais/ económicas têm andado para trás, estando hoje pouco ou
nada melhor do que no inicio do século passado, apesar dos gigantescos
avanços tecnológicos e ciêntificos.


O que podemos aprender desses tempos, recusando qualquer mistificação do
passado, é que a solidariedade e a acção colectiva das bases surgem sempre
como uma poderosa arma em tempos de guerra suja dos governantes contra os
seus governados

{2011 – Estamos Inquietos }

          Há várias posições assumidas, mas dê lá por onde der, um facto é
hoje inegável, da Tunísia à China, da Grécia a Portugal: os dias
da paz social e apatia inquebrável ficaram para trás. Muitos
sabiam que mais tarde ou mais cedo aconteceria, outros foram
apanhados de surpresa. Alguns já tinham feito as suas jogadas
antecipando-se, mas muitos mais têm agido com a espontaneidade e
criatividade que os tempos exigem.

O que nos causa hoje em dia uma grande inquietação não é simplesmente o
facto de vivermos sob o controlo de um poderoso Estado que nos oferece
blindados e policias para resolver a nossa fome.
Não é só o facto de termos de apertar tanto o cinto até que o tenhamos de
pôr finalmente à volta do pescoço.
Nem tão pouco a “crise” desta economia que nos obriga a todos a ser seus
fiadores e que no fundo existe desde que o capitalismo é a nossa forma de
regime económico.
Não é só o facto dos direitos laborais serem sinónimos de uma escravatura
com menos chicotes, ou da democracia ser a maior ditadura de que há
memória.


O que nos inquieta é saber que é de todos nós que se alimenta este virús
chamado capitalismo, e portanto que é também de nós que depende a sua
destruição.
Estamos inquietos e é sem dúvida nenhuma o tempo de sair à rua. Sem
líderes nem partidos, sem cúpulas nem dirigentes. Sabendo que assim que
levantamos a voz e os braços surgem imediatamente alcateias de
instituições, partidos e organizações a quererem controlar os nossos
gritos. Sabemos também que independentemente da data, todos os dias são um
bom dia para recuperarmos a dignidade que o estado e a ganância de alguns
nos foram roubando a todos.


Portanto, movermo-nos colectivamente a partir da base e de forma autónoma
no primeiro dia de Maio é fruto do desejo de nos movermos assim todos os
dias! E assim deixarmos para trás a corja de abutres e oportunistas que
tentarão anunciar-se como “salvadores da pátria”, tão interessados que
estão em chupar o nosso sangue de uma forma mais “justa”, mais
“democrática” ou mais “nacionalista”.

{Porquê Setúbal?...}


           Setúbal mantém um espírito rebelde apesar das inúmeras
investidas do progresso capitalista e da pobreza. É uma cidade
com fortes raízes de lutas libertárias, que nunca deixou de ser
território de conflitos sociais. A ideia era propôr Setúbal
como local anual para as iniciativas libertárias do 1º de Maio
reconhecendo na cidade o potencial para um protesto mais
vísivel nas ruas e menos imiscuido na paleta de cores
partidarias e institucionais que as grandes mobilizações trazem
a Lisboa.


O objectivo seria termos o espaço para criar uma mobilização autónoma e de
base e consideramos que em Lisboa esta tarefa é bem mais difícil, confusa
e frustrante; acrescida de toda a perseguição promovida vezes sem conta
pelo grupo de ordem da CGTP (cujos abusos não tencionamos tolerar) que
coopera e participa das tácticas repressivas da Polícia (para mais tarde
fazerem figuras tristes a indignar-se com a “violência policial” quando
lhes toca a eles) e que nos atraí com demasiada frequência para um
confronto que não é o nosso objectivo.


O nosso desejo não é, no entanto, criar espaço para que membros de base da
CGTP sejam alvos dos nossos insultos já que antes de considerarmos um
individuo como “sindicalista” ou “membro da cgtp” considera-lo-emos
enquanto individuo. Os nossos insultos ficam guardados para os dirigentes
e para as cúpulas.
Não foi nem nunca será difícil expressar as nossas ideias e a nossa
combatividade se em vez de nos focarmos no que há de criticável nas
organizações sindicais, nos focarmos nos nossos princípios, métodos e
objectivos.

{E agora... mãos à obra companheiros!}


           Queremos pôr esta proposta em discussão. Levem-na aos vossos
grupos, colectivos, companheiros, camaradas ou amigos do café.
Planeiem, conspirem, discutam e critiquem.
Pelo caminho vão haver um par de reuniões para acertar detalhes, e uma
assembleia mais abrangente. Se quiseres participar nas preparações ou
tiveres sugestões entra em contacto através do nosso e-mail. Todos
poderemos aportar com um pouco para a realização deste projecto e
seguramente conseguimos fazer o possível e o impossível. Sempre o
conseguimos. Sem estruturas hierárquicas, sem autoridades mesquinhas e sem
politiquices.


Sem nada disso, mas com toda a determinação, respeito, dignidade e
combatividade.

Todos a Setúbal no 1º de Maio 2011, pelas 13:00 no Largo da Misericórdia.




{Terra Livre}  contactos via email: terralivre.setubal  gmail.com





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