(pt) [Alemanha] Entrevista sobre a 1ª Feira de "Mídias" Libertárias

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Segunda-Feira, 6 de Setembro de 2010 - 15:02:19 CEST


[De 3 a 5 de setembro de 2010 vai acontecer na parte ocidental da região do Ruhr a
1ª Feira de "Mídias" Libertárias ("Limesse"). Mais de 40 editoras, rádios,
Web-projetos, produtores de informação alternativa da Alemanha, Áustria, Suíça,
Espanha e Reino Unido já se inscreveram. No contexto da Feira também vai rolar uma
série de leituras e debates de textos e projeções de vídeos, além de um concerto da
"Academia Anarquista". Pedimos à Anna, à Paula e ao Kalle, do grupo de trabalho
preparatório do evento, para nos darem uma entrevista acerca da 1ª Feira de "Mídias"
Libertárias.]
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Pergunta > Como é que tiveram a idéia de organizar esta Feira?
Anna < Nos últimos anos realizaram-se feiras do livro anarquista em muitas cidades à
escala de todo o globo. Isto começou em Londres onde, anualmente, milhares de
pessoas têm afluído. Nós próprio/as estivemos nessas feiras, por exemplo, em Gent,
na Bélgica ou em Winterthur, na Suíça, e achamo-las bastante interessantes. Tal como
a Feira da Literatura de Esquerda, em Nuremberg, cujo conceito nos inspirou. Sempre
nos perguntamos repetidamente se conseguiríamos realizar algo semelhante ao nível da
Alemanha, e passado pouco mais de um ano resolvemos simplesmente experimentar.

Pergunta > E porquê precisamente agora?

Kalle < Porque observamos que algo está a mudar. Pela primeira vez desde há muito
tempo, muita gente se questiona acerca das perspectivas que o capitalismo realmente
existente lhes reserva para o futuro, como crise permanente e horizonte de baixos
salários ou de maior miséria na conquista da gestão da pobreza. Notamos na nossa
práxis diária que as nossas idéias são aceitas cada vez com maior interesse. Sobre a
FAU (Freie ArbeiterInnen Union - seção da AIT anarcosindicalista) sabemos que ela
cresce e no Sudoeste há alguns novos grupos anarquistas e noutros lados fazem-se
coisas interessantes como, por exemplo, os panfletos da ASJ (Juventude
Anarco-Sindicalista) sobre o trabalho precário (www.leiharbeit-abschaffen.de) que se
esgotam como pão quente. Isto não é de admirar, tendo em conta que um terço de todos
os postos de serviço são trabalhos insalubres nos negociantes de trabalho escravo.
É, portanto, a altura certa para que as pessoas se juntem.

Pergunta > Porque é que não chamam o evento de "Feira do Livro Anarquista" em vez de
"Feira de "Mídias" Libertárias"?

Paula > Aí colocam-se duas questões. Não queríamos nenhuma autêntica Feira do Livro.
O terreno dos "mídias" vai-se modificando e alargando. No nosso trabalho político
existem livros e jornais, mas também uma infinidade de novas coisas, como projetos
na internet, como o Indymedia, contatos interpessoais, trabalho informático, muitos
blogs e sites. O site da FAU, por exemplo, é acessado mensalmente milhares de vezes,
e aí os nossos jornais por si sós já não conseguem cumprir a sua função. Noutros
campos como o da rádio ou o vídeo, a técnica tornou-se tão acessível e fácil de
utilizar que já poucos especialistas são precisos e os novos projetos surgem como
nunca antes fora possível. Tudo isso queríamos tentar trazer à Feira de "Mídias"
Libertárias e apresentar a um público mais amplo.

Kalle > A segunda questão em causa é a do "anarquista" e do "libertário". Ambas as
expressões têm para nós quase o mesmo significado. Nós próprio/as nos descrevemos
como comunistas libertário/as, portanto, anarquistas.

Anna > Porque falamos de projetos que não se definem necessariamente a si próprios
como "anarquistas" ou "libertários", mas que, em todo o caso, achamos importantes
para as nossas discussões e para a nossa práxis.

Pergunta > A quem é que se destina, no vosso entender, a "Limesse"?

Paula < Em primeiro lugar às pessoas a quem é sempre mais difícil a que simplesmente
livros e publicações cheguem às suas mãos já que cada vez mais livrarias
desaparecem. Claro que hoje já é possível encomendar através de lojas virtuais e por
e-mails muitos livros. Mas a nossa própria experiência é algo diferente, na calma
podemos fazer uma grande oferta e dar alguns esclarecimentos extras. E claro que
esperamos que não sejam só anarquistas a vir à Feira, mas também pessoas curiosas de
saber o que temos para dizer. E estas últimas são, nos últimos tempos, bastantes
mais. E isto vimos notando nos nossos "stands" de informação bem como em simples
círculos de colegas e gente conhecida.

Kalle < Chamamos à "Feira de "Mídias" Libertárias para o espaço de língua alemã".
Não se trata, portanto de uma realização local. Temos já inscrições de pessoas de
Flensburg, Berna até Klagenfurt, que querem vir à Feira. Esperamos também que da
Holanda, onde também é lida muita literatura anarquista em alemão, venha gente. No
fim, Oberhausen dista uma centena de quilômetros de Nijmegen ou de Arnhem. E
contamos também com as exposições da "Fundação Anselmo Lorenzo" de Madri e da "PM
Press" - também em língua espanhola e inglesa, bem como com alguma literatura
libertária em língua turca.

Pergunta > E como será exatamente o decorrer da Feira?

Anna < A Feira realiza-se no Centro "Druckluft" ("Ar de Impressão"), que foi
completamente renovado recentemente. Aí serão instaladas as mesas expositoras.
Atualmente estão já assegurados 40 projetos mas quase diariamente outros mais se
inscrevem. No sábado abrimos os espaços das 10 às 20 horas e no domingo das 10 às 16
horas. Paralelamente decorrerão no sábado leituras e apresentação de projetos.
Sábado à noite, além disso, vem visitar-nos a "Academia Anarquista", que vai embora
mas depois volta. Bom, um programa cheio...

Paula < Também para este programa organizamos algo: um Café com o apoio do coletivo
Café Libertad, de Hamburgo e "Le Sabot" irá disponibilizar a comida, a preço de
custo, para o/as expositore/as e visitantes . E esperamos ainda contar na "Limesse"
com um vinho tinto de uma colheita especial do âmbito do 100º aniversário do
sindicato anarco-sindicalista espanhol CNT.

Kalle < Para as pessoas que venham de mais longe e que queiram pernoitar na região,
temos disponíveis no nosso site uma lista de Parques de Campismo, pensões e de
outras possibilidades de pernoitar. A organização de uma "Bolsa de Pernoitas" é algo
que ultrapassaria as nossas possibilidades, mas sabemos que muita gente, amigo/as e
companheiro/as da região do Ruhr e do Reno dispõem de espaço onde você poderá ser
recebido. E escolhemos para esta realização Oberhausen já que com o trem é possível
em menos de uma hora a ligação com Colônia ou Dortmund. E o centro "Druckluft" fica
a menos de cinco minutos da estação .

Pergunta > E como é que organizam isso tudo?

Paula < Somos um círculo de gente da zona ocidental da região do Ruhr e da Renânia
que estamos a preparar isto há mais de um ano. Fazemos isto como parte do nosso
trabalho político na FAU e noutros grupos e projetos. Isto quer dizer que a
"Limesse" é um projeto sem fins lucrativos.Temos uma pequena contribuição do aluguel
das mesas expositoras, dos stands, que irão vender alguma coisa. A entrada do/as
visitantes para a Feira é gratuita e apenas para o concerto de sábado à noite
cobraremos alguma pequena entrada.

Pergunta > Em 4 de setembro realizam-se também algumas ações contra a marcha nazi em
Dortmund?

Paula < Claro, sobre isso referimo-nos também no nosso site. Como precisamente
mencionamos, planejamos a realização da "Limesse" desde há muito tempo e marcamos a
data há mais de um ano. Mas não cremos que na prática haja qualquer problema. Para
as pessoas que queiram ir a Dortmund há tempo que chegue para virem à Feira, ao fim
da tarde, da sexta-feira a domingo. Sabemos que muita gente que vêm de fora da
região até à Feira, que querem em todo o caso ir também a Dortmund. E do nosso
pessoal, logicamente, também alguém estará por lá.

Pergunta > Ainda é possível fazer a inscrição?

Anna > De momento ainda, mas pouco a pouco o espaço vai ficar cheio. No site há uma
ficha de inscrição onde os expositores podem se inscrever. Enquanto houver lugar e
falte conteúdo suficiente no âmbito da Feira de "Mídias" Libertárias as editoras e
projetos podem ainda se inscrever. Mas têm de ser ligeiros.

Pergunta > Há algo que se possa fazer para apoiá-los?

Paula < Então, em primeiríssimo lugar, que seja visto mais amplamente. Cremos que a
"Limesse" será um acontecimento marcante. É, no entanto a primeira vez. E
naturalmente, será importante que nas vossas cidades, nos vossos blogs, fóruns,
rádios, centros, etc., o divulguem bastante. No site temos cartazes, folhetos, etc.,
para fazer downloads e divulgar. Podem descarregá-los e fazê-los circular. Também
podem difundir esta entrevista no Indymedia.

Kalle < E já que falamos tanto em sites, encontrarão uma quantidade de informações
sobre a 1ª Feira de "Mídias" Libertárias em: http://www.limesse.de e aí poderão
também fazer a assinatura da nossa newsletter.

Pergunta > Muito obrigado pela conversa!

Anna < Então, Salud y Anarquia! Vemo-nos em Oberhausen!

Tradução > SOV (Sindicato de Ofícios Vários) da AIT-SP - Porto, Portugal

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