(pt) Conferência da AIT em León (Espanha)

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Segunda-Feira, 6 de Setembro de 2010 - 15:00:09 CEST


Realizou-se nos dias 13, 14 e 15 de Agosto a Conferência da Associação
Internacional dos Trabalhadores sobre "Precariedade, Autogestão e
Cooperativas". A Conferência teve como anfitriã a secção espanhola
CNT, realizando-se no IX Acampamento da CNT em La Vecilla, León.
Reproduzimos, em seguida, um largo excerto do informe da delegação da
secção britânica Solidarity Federation acerca dos trabalhos da
conferência.
Participaram cerca de 100 pessoas no acampamento e 60 na conferência.
Estiveram representadas 10 secções: a CNT-F (França), a FAU
(Alemanha), a Priama Akcia (Eslováquia), a ZSP (Polónia), a Solidarity
Federation (Grã-Bretanha), a AIT-Secção Portuguesa, a USI (Itália), a
KRAS (Rússia), a NSF (Noruega) e, claro, a CNT-E (Espanha). Também
compareceram organizações convidadas: a MASA da Croácia e dois
delegados do jornal peruano "Humanidad" que, no entanto, só chegaram
várias horas após o encerramento da conferência devido a problemas com
os vistos.

Na primeira parte da conferência, foram dados informes acerca da
situação em cada país. Demonstrou-se particularmente interessante a
experiência da ZSP polaca, que em três anos aumentou a sua afiliação
para 50 membros, estando envolvida num grande número de lutas.
No seu informe, a secção russa KRAS descreveu as terríveis condições
vividas pelos imigrantes ilegais que trabalham na construção civil na
Rússia. As suas vidas são constantemente postas em risco pelos ataques
da polícia e dos nazis, e quando se tentam organizar para lutar
enfrentam ainda o risco da deportação e da violência das máfias.

A segunda parte da conferência foi dedicada a conflitos específicos
nos quais as secções têm estado envolvidas. A CNT-F de Pau descreveu o
seu trabalho de organização através de 'comités', grupos criados fora
do sindicato de forma a envolver outros trabalhadores militantes que
possuíam uma profunda desconfiança face aos sindicatos, extendida, de
início, à própria CNT-F. A sua acção mais inspiradora foi a ocupação
de uma autoridade estatal do trabalho levada a cabo pelo comité de
desempregados. Esta acção envolveu algumas mães de família, que
recorreram à acção directa pela primeira vez nas suas vidas, e que se
demonstraram as mais militantes - permanecendo até serem retiradas
pela polícia. Alguns dos membros mais activos destes comités acabaram
por se juntar à CNT-F à medida que as lutas particulares foram
acalmando.

A  ZSP também deu conta do seu trabalho com um trabalhador polaco
emigrado que, após ter sido colocado por uma empresa de trabalho
temporário num trabalho sem condições de segurança num estaleiro na
Holanda, acabou por ficar com uma conta de hospital de 2.000 euros
para pagar e teve de pagar do próprio bolso as despesas de viagem. Não
teve direito a seguro nem a formação e não sabia sequer o nome do
estaleiro onde esteve a trabalhar. Utilizando métodos argutos, a ZSP
conseguiu localizar o estaleiro e organizou acções na Polónia e na
Holanda juntamente com um grupo holandês (Grupo Anarquista de
Amesterdão - AGA), conseguindo não só que o trabalhador recebesse o
dinheiro devido como também a melhoria das condições para os futuros
trabalhadores.

O informe da CNT-E sobre a luta na Ryanair destacou os problemas
enfrentados pelos activistas sindicais. Neste caso, um militante da
CNT foi despedido após se ter recusado a assinar um documento em que
se dissociava do sindicato. Apesar de a CNT ter obtido do tribunal uma
sentença a favor da readmissão do trabalhador, isto levou a um debate
dentro do sindicato sobre legalismo, acção directa e como se organizar
contra multinacionais poderosas, que também se reflectiu na discussão
subsequente. Dois membros da FAU do cinema Babylon em Berlim também
forneceram uma actualização acerca deste conflito, após a proibição do
tribunal que pesava sobre as actividades sindicais da FAU ter sido
revogada.

A última parte da conferência consisitiu numa discussão sobre
autogestão e cooperativas, introduzida por uma apresentação da secção
italiana USI. Descreveram a sua estratégia "mutualista", de criar
cooperativas de trabalhadores como forma concreta de construir laços
de solidariedade e apoio mútuo, dando forma a uma alternativa ao
capitalismo que o poderia "progressivamente substituir". Esta ideia
foi criticada por um texto do Sindicato da Educação da CNT de Granada,
que sublinhou que "Acima de tudo, não pensamos que a multiplicação de
cooperativas possa transformar progressivamente o sistema
capitalista". A discussão foi complicada pela tradução em três
línguas, mas observou-se um cepticismo generalizado em relação a uma
estratégia de autogestão no seio do capitalismo em oposição à luta de
classes segundo linhas anarco-sindicalistas.

O "Humanidad" do Peru fez uma apresentação sobre a situação actual e a
história do movimento dos trabalhadores neste país, assim como do seu
jornal. A partir da sua apresentação e da leitura do seu jornal
depreende-se que se inclinam mais para o mutualismo do que para o
comunismo libertário; no entanto, possuem uma clara orientação
favorável às lutas dos trabalhadores, interessando-se por lutas
actuais, tais como as que ocorrem na indústria têxtil. Também estão a
par de algumas das limitações do mutualismo, que deve ser compreendido
no contexto de um Estado-providência limitado e da larga extensão da
economia informal no Peru (onde o auto-emprego é uma realidade para
muitos e as cooperativas constituem um meio prático de obter uma fonte
de rendimento mais segura e serviços públicos, em oposição à
estratégia revolucionária).

No geral, a conferência foi muito positiva, possibilitando uma grande
inter-aprendizagem e contactos importantes entre as secções. Muitos
delegados destacaram a importância da troca de experiências e ideias,
afirmando que há necessidade de mais ideias concretas relativamente à
partilha de experiência e que a prática das secções sairá enriquecida
por esta partilha.

Tradução do inglês. Original completo em:
http://brightonsolfed.wordpress.com/2010/08/24/report-back-from-iwa-conference-in-leon-spain/

Outro artigo sobre a Conferência publicado no site da CNT Galiza:
http://www.cntgaliza.org/?q=node/1026


http://ait-sp.blogspot.com



More information about the A-infos-pt mailing list